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Britânia engole a seco a vitória da Gradiente na compra da Philco

Os Setúbal teriam ignorado oferta maior do empresário César Buffara e financiado a venda

A venda da Philco para a Gradiente é uma história repleta de enigmas. Por trás da operação, esconde-se um enredo que mistura fatos intrigantes, quebra de compromisso e procedimentos muito pouco usuais em negociações deste tipo. Deve haver uma razão muito forte para os Setúbal terem fechado um acordo com a Gradiente, desprezando uma oferta mais vantajosa.

A Britânia ofereceu uma proposta superior ao valor que teria sido pago pela empresa de Eugênio Staub. Seu lance final chegou a US$ 15,5 milhões, quase 50% acima do dote de Staub - em torno dos US$ 10,5 milhões. Ainda assim, a família Setúbal fez ouvidos de mercador.

A decisão dos Setúbal é ainda mais questionável quando se sabe das diferenças que separavam as duas propostas com relação à forma de quitação. O empresário César Buffara, dono da Britânia, comprometeu-se a realizar o pagamento cash. Mas os controladores da Philco desdenharam a oferta e preferiram vender a empresa à Gradiente em generosas prestações.

O mais incrível é que Eugênio Staub usou como garantia para o acordo uma carta-fiança do Itaú-BBA no valor de US$ 2 milhões. Ou seja, os Setúbal não apenas ignoraram uma oferta mais alta como acabaram financiando a venda da Philco. Além disso, Itautec e Gradiente jogaram a praxe e as boas normas de governança para o espaço.

Nenhuma das duas empresas contratou um adviser, atitude mais comum em operações desta natureza, sobretudo entre companhias de capital aberto. A forma como os Setúbal conduziram as negociações com a Britânia também reúne uma seqüência de fatos que fogem ao protocolo. Há poucos meses, quando soube do interesse da Itautec em se desfazer da Philco, César Buffara tentou contatar Paulo Setúbal, que jamais retornou as ligações.

Somente um mês depois, Buffara conseguiu abrir negociações por intermédio de diretores da Itautec. Há pouco mais de duas semanas, Buffara foi convocado para uma reunião com executivos da Itautec em um grande escritório de advocacia em São Paulo. Ao chegar ao local, foi recebido por dois diretores da empresa com os seguintes dizeres. "Já podemos abrir o champanhe. Vamos fechar com você".

Até esse momento, estava acertado que a Britânia pagaria os US$ 10,5 milhões pedidos pelos Setúbal. Porém, durante o encontro, quando seriam definidos os últimos detalhes da operação, ocorreu uma situação inusitada. Os dois executivos da Itautec foram chamados a uma outra sala supostamente para atender a um telefonema. Inexplicavelmente, não mais regressaram à reunião.

Após algum tempo de espera, para total incredulidade de Buffara, um funcionário do escritório apareceu na sala e o comunicou que a Itautec havia fechado a venda da Philco para a Gradiente. Ainda assim, no dia seguinte, Buffara cobriu a proposta.

Chegou aos US$ 13,5 milhões. Mais ainda: disse estar disposto a arcar com os US$ 2 milhões de multa que a Itautec teria de pagar para desfazer o pré-acordo com a Gradiente. Não obteve qualquer notícia dos Setúbal, nem naquele dia, nem nunca mais. A recíproca não será verdadeira. Em breve, os Setúbal terão notícias de Buffara.

Relatório Reservado


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