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KMPG identifica perfil do fraudador de empresas brasileiro

Homens entre 26 e 40 anos que ocupam cargos hierarquicamente pouco elevados são os principais responsáveis

Homens entre 26 e 40 anos que ocupam cargos hierarquicamente pouco elevados são os principais responsáveis por atos fraudulentos em empresas no Brasil. O perfil foi identificado em pesquisa conduzida no ano passado pela empresa de auditoria KPMG, e apresentada em reunião do Comitê de Finanças da Amcham.

Em sua terceira edição, o levantamento bi-anual da KPMG ouviu representantes (50% são diretores e gerentes financeiros ou de auditoria interna) de cerca de 250 empresas no País, na maior parte médias e concentradas na indústria (57%), e constatou que 45% dos entrevistados vêem as fraudes como sérias ameaças às suas companhias e 55% percebem uma tendência crescente no seu nível de ocorrência.

Mais da metade dos consultados considera que essa expansão advém da perda de valores sociais e morais (62%), da impunidade (52%) e da insuficiência de sistemas de controle (51%). Os resultados revelam ainda que quase 50% das empresas não conseguem recuperar nenhuma parte do valor fraudado.

Os atos fraudulentos são praticados, de acordo com a consultoria, majoritariamente pelos próprios funcionários das empresas (58%), mas também por prestadores de serviços (18%), fornecedores (14%) e clientes (8%). "A grande maioria está dentro de casa", resumiu Márcia Klinke, diretora de Forensic (área de investigação de fraudes contábeis e financeiras) da KPMG.

Os empregados fraudadores são principalmente homens (83%) e integram o staff, ou seja, não têm grandes cargos, com salários entre R$ 1.000,00 e R$ 3.000,00 (46%). No entanto, é preciso observar que as fraudes praticadas por presidentes ou diretores, embora muito mais raras (1%), provocam perdas muito maiores, já que o acesso dessas pessoas a informações vitais é maior.

Os fraudadores em geral têm algum tempo de casa: 38% estão na empresa há um período entre dois e cinco anos, 21% entre seis e dez anos e 22% há mais de dez anos. "É preciso tempo na empresa para verificar deficiências nos controles internos e conhecer oportunidades", disse a diretora.

Áreas mais vulneráveis

As áreas da empresa mais afetadas por atos fraudulentos são a financeira (39%), a de compras (29%) e a de almoxarifado (21%). De acordo com Márcia, compras pode ser vista como a mais vulnerável para o início da fraude, mas as operações fraudulentas mais sofisticadas estão essencialmente na financeira.

Os valores perdidos são na maior parte (83%) pequenos, abaixo de R$ 1.000,00. Apenas 2% dos casos envolvem mais de R$ 10 milhões. Um dos maiores responsáveis pela dificuldade na recuperação das perdas, segundo Márcia, é o fato de que as empresas muitas vezes não dão prosseguimento ao processo judicial.

A KPMG avalia que as fraudes ocorrem por uma combinação de três fatores: oportunidade (como controles deficientes, exploração de erros prévios, ausência de segregação de funções, governança corporativa deficiente e abuso de autoridade), pressão (como dívidas, vingança, pressões familiares, doença na família e vício) e racionalização (justificativas como "Não me pagam o suficiente"; "Todos fazem"; "A empresa pode pagar"). Sinais de alerta, como demonstração por um funcionário de estilo de vida imcompatível com sua renda e recusa ou falta de interesse por promoções e férias, não devem passar despercebidos.

Prevenção

O estudo alerta para as circunstâncias que facilitam a ocorrência de fraudes. Insuficiência no sistema de controles internos (71%), controles internos burlados (26%), particularidades do ramo de atuação (20%) e falta de uma estratégia de direcionamento da companhia (9%) são as principais. A diretora lembrou ainda que quando os funcionários notam um ambiente de sonegação fiscal, aumenta a propensão à fraude.

Um aspecto salientado por Márcia, quando se trata de prevenção, é o adequado conhecimento do funcionário que se deseja contratar. A pesquisa mostra que 30% das companhias não realizam background checks (por que empresas passou, qual foi o motivo dos desligamentos, entre outras questões), um trabalho essencial que deve ser somado à verificação de antecedentes criminais do candidato.

As fraudes são constatadas principalmente por meio de controles internos (52%), auditoria interna (39%) e informações dos funcionários (29%) via canais de comunicação como hotlines. Esse tipo de canal, contou Márcia, deve ser encorajado e pode funcionar dentro da própria empresa ou de forma terceirizada, assegurando-se ao seu usuário um programa de proteção. A grande maioria dos consultados (84%) afirma estar promovendo melhoria dos controles internos, elaboração de manuais de conduta profissional (46%) e treinamento de funcionários (42%) como forma de reduzir as possibilidades de fraudes.

Para Márcia, um bom caminho para evitar esse tipo de perda seria a expansão dos princípios da lei Sarbanes-Oxley, que estabelece rígidos padrões de controles internos para companhias de capital aberto que operam nos Estados Unidos para empresas em geral, mesmo as que não são obrigadas a segui-la, sugeriu Márcia.

Após a descoberta de atos fraudulentos, mais da metade (60%) das empresas consultadas demite os envolvidos. Como forma de prevenir novas fraudes, 73% dizem estar planejando diretrizes sobre integridade e ética profissional, característica presente hoje em menos de 10% das empresas.

Update/Amcham


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