Massa vence, e quinto posto dá titulo a Lewis
Warm Up
02/11/2008 - 16:59

Paulo Gilham/Getty Images

Lewis Hamilton se tornou neste domingo (2) o campeão mais jovem da história da F-1


VICTOR MARTINS
de Interlagos


O que dizer...

Dizer que se tratou da maior decisão que o automobilismo, provavelmente, já vivenciou em toda sua história.

Que Felipe Massa, vencedor, chorou pelo título que estava em suas mãos na última curva.

Que Lewis Hamilton, em corrida cerebral, calma, correta, só buscando a glória, viu-se no desespero a duas voltas do fim e na proximidade da derrota, do nada tornou-se campeão, quase despercebidamente.

A F-1 viveu hoje seu ápice.

Massa fez o que podia. Hamilton, também. Só que dois personagens, alemães, foram simplesmente definitivos na decisão em Interlagos.

E a chuva.

Sergio Moraes/Reuters

A largada foi tranqüila, apesar da chuva que começou antes das luzes vermelhas apagarem


Chuva que teimou em não cair nos outros dias. E quando não parecia vir, veio a três minutos da largada. Veio esparsa, tímida, mas potente. Veio na reta principal, no miolo do circuito, ali na Junção. Na reta oposta e na subida do Café, tudo seco. A direção de prova se encontrou na obrigação de abortar o começo em dez minutos. Todos optaram pelos intermediários.

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Aí as luzes vermelhas se apagaram, já com sol, com os ponteiros se mantendo do jeito que se classificaram, Massa, Jarno Trulli, Kimi Raikkonen e Hamilton, sendo que Sebastian Vettel e Fernando Alonso deixavam o natimorto Heikki Kovalainen para trás.

Paulo Gilham/Getty Images
Na curva do S, David Coulthard despediu-se melancolicamente da categoria ao rodar, tocar Nico Rosberg e atrapalhar Kazuki Nakajima, que vinha atrás. Mais à frente, Nelsinho Piquet, também sozinho, foi parar na proteção da curva do Sol, abandonou melancolicamente ao quadrado e provocou a entrada do safety-car.

Que serviu para o bote de Giancarlo Fisichella, que resolveu arriscar colocando os pneus para pista seca. A corrida demorou três voltas para retomar seu ritmo.

Com o tempo abafado, o asfalto foi secando. Alonso foi o primeiro a parar, no giro 9, junto com Vettel; no seguinte, foi Massa aos pits; no 12, Trulli, Raikkonen e Hamilton. Até o 17, Massa tinha momentaneamente a taça porque vencia e via o rival inglês em sexto.

O GP deu uma amornada sem a chuva e com as posições se fixando ou se alterando nas paradas de pits. Vettel, espetacular em condições úmidas, assumiu o segundo lugar e chegou a andar perto de Massa. Em nenhum instante ousou ameaçar a liderança do brasileiro. Lá atrás, Hamilton, entre quarto e quinto lugares, era acossado por Timo Glock, mas também nunca recebeu pressão.

Após as estratégias diferentes no decorrer da corrida, Massa passou a ter, na ordem, Alonso, Raikkonen Hamilton e Vettel atrás. Ninguém mais imaginava uma mudança. Um exemplo: os jornalistas já se preparavam para manchetes do tipo: "Massa vence, mas Hamilton é campeão". Tudo prontinho e programado.

Só que a chuva voltou fraca a sete voltas do final, sem que aquela previsão apocalíptica aparecesse na tela de TV. Começou na Junção e foi se espalhando. Então todos tiveram de voltar aos boxes. Menos a Toyota, que arriscou ficar do jeito que estava com Glock e Trulli.

Massa, Alonso e Raikkonen mantiveram-se intactos, Glock subiu para quarto e Hamilton passou a sofrer pressão do solerte Vettel. Na 69ª volta, a chuva se intensificou e do nada o retardatário Robert Kubica, outrora candidato ao título, resolveu passar ambos, permitindo que Vettel se aproximasse e realizasse a ultrapassagem sobre o inglês.

O autódromo nunca celebrou tanto desde a época de Ayrton Senna.

Hamilton, daquela forma em sexto, começou a caçar Vettel, que em nenhum momento esmoreceu. Apareceram a penúltima e a última volta, as curvas vinham, Hamilton tentava e Vettel se mantinha, transformando-se no herói adjacente do imimentíssimo título de Massa, que cruzava a linha de chegada e comemorava a vitória na Interlagos petrificada.

Lewis já não tinha mais chance nenhuma, sejamos sinceros. Entretanto, se tudo foi tão inacreditável, eis que Glock surge lentíssimo na curva da Junção. Nenhuma jogada da Toyota pró-McLaren; era a chuva que apertava, e Timo não tinha condições de se segurar na pista.

Resultado: o quinto lugar dos céus, em todos os sentidos, que consagrou Hamilton como o campeão mais jovem da história.

Nos pits, a família e os amigos de Felipe celebravam o milagre, até que alguém os avisou da realidade. Na McLaren, a tensão e o choro entalado na garganta transformaram-se na comemoração igualmente inesperada daquele micro-milagre, representada nos pulos saltitantes de Nicole Scherzinger, a namorada-cantora do campeão.

Vanderlei Almeida/Getty Images

Massa, vice-campeão, chora após vencer pela segunda vez a etapa brasileira em Interlagos


Massa chorou a vitória com o maior sabor de derrota que o esporte viveu nos últimos tempos. Hamilton, a mesma coisa, chorou a pressão que se tornaria vital e que se foi por causa de 200 metros de uma temporada de 18 corridas. Foi isso.

Aliás, foi mais do que isso. Muito mais. Se todas essas palavras representassem o que foi esta decisão hoje...

Final:







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