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Ayrton em ação em Detroit: vitória nos EUA consolidou bom momento
FRANCISCO LUZ
de Novo Hamburgo
Os descartes poderiam fazer a diferença ao final do ano, mas Ayrton Senna não podia mais dar chances para o azar. Nas quatro primeiras corridas, Alain Prost fez 33 de 36 pontos possíveis, enquanto o brasileiro marcara apenas 15. E era chegada a hora de reverter o quadro.
No Canadá, quinta etapa do Mundial, Senna conseguiu seu primeiro "hat-trick" com a McLaren: pole-position — consecutiva —, melhor volta e vitória. O resultado serviu para deixar Gerhard Berger definitivamente para trás, enquanto Prost, segundo, aumentou sua vantagem para 15 pontos.
A situação, entretanto, era diferente. Ayrton finalmente tomou a mão do carro e iniciou, com a vitória em Montreal, uma série de seis vitórias em sete corridas, perdendo apenas na França, quando seu adversário venceu em casa devolvendo o hat-trick. Mas nada que pudesse parar a reação do brasileiro.
Senna venceu o GP dos EUA-Detroit — com 38 segundos de diferença para o "Professor" — antes da corrida em Paul Ricard, mas o grande pulo do gato veio em Silverstone. Palco de triunfos nos tempos em que correu no automobilismo inglês, o antigo circuito viu várias surpresas na corrida do dia 10 de julho.
A começar pelo que houve no sábado: pela primeira vez no ano, Senna não fizera a pole; na verdade, não havia nenhuma McLaren na primeira fila. Berger foi o mais rápido, com seu colega de Ferrari Michele Alboreto ao lado. A Senna e Prost couberam os lugares na segunda linha, com o brasileiro à frente.
Na prova, a chuva deu as caras e transformou completamente o resultado. Ayrton assumiu a ponta de Berger no 11º giro e não mais perdeu, enquanto seu colega de time foi obrigado a abandonar. As Ferrari decepcionaram e abriram espaço para que dois carros com motor aspirado chegassem no pódio: Nigel Mansell foi o segundo, e Alessandro Nannini, o terceiro, com um Benetton-Ford. E a vantagem de Prost caiu de 15 para seis pontos.
Em Hockenheim, a situação voltou à normalidade. Senna venceu, com Prost logo atrás e Berger completando a festa do champanhe. Três pontos.
Que foram reduzidos a nada após Hungaroring. O brasileiro venceu a terceira consecutiva, desta vez em uma disputa intensa com o francês, e ambos empataram na classificação com 66 pontos depois de dez etapas.
Ayrton só foi assumir a liderança do campeonato na prova seguinte, em Spa-Francorchamps. Uma nova vitória com boa vantagem — mais de 30 segundos — sobre seu rival fez com que passasse à frente na tabela de pontuação pela primeira vez na temporada, marcando 75 pontos contra 72 de Alain. O francês chegou, inclusive, a dizer que não tinha mais chances de ser campeão depois da corrida.
Mas tinha, sim.
