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Barrichello e o diálogo no fim do GP da Áustria 2002: a piada tratada como verdade
VICTOR MARTINS
de São Paulo
O suposto diálogo que Rubens Barrichello teve com Jean Todt, um procurador-chefe e sua mãe durante as voltas finais do GP da Áustria em 2002, trazido à tona pelo jornal "Lance!" na internet e em suas páginas escritas e tendo como base o novo livro do jornalista Lemyr Martins, é uma farsa que ronda a internet há mais de seis anos.
O "Lance!" expôs na noite desta quinta na internet um trecho do livro "Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1", em que relata, entre as páginas 71 a 77, um suposto diálogo entre Barrichello e o então dirigente francês nos últimos giros daquela prova em Zeltweg.
A publicação traz nesta sexta (24), com chamada "Por que Rubinho deixou Schumi passar" na capa, a conversa em que Todt obrigaria o brasileiro a ceder a liderança da prova para Michael Schumacher. Indignado, Rubens chamou o dirigente de "sapo francês magrelo". Ainda, Barrichello mencionaria que houve um pagamento da Ferrari à Mercedes por conta do funcionário rebelde que interveio no GP da Alemanha de 2000, primeiro ganho pelo piloto. Mais: supõe que a mãe de Barrichello, Idely, estaria sob posse da cúpula da escuderia, vendada. Fato semelhante teria ocorrido com a cadela de Rubens, Lulu. E para arrebatar, Schumacher teria comemorado a vitória com "eu ganhei, eu ganhei".
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O
Grande Prêmio entrou em contato com Lemyr e o questionou sobre a veracidade do fato. "Você leu o livro?", devolveu. A reportagem respondeu que leu aquela parte, "o que não impede de perguntar se tal trecho é verdade ou ficção". O autor da obra insistiu na questão da leitura. "Senão não adianta escrever um livro". Livro que traz em sua contra-capa que "o jornalista (...) revela pela primeira vez o diálogo entre Rubinho e o chefão da Ferrari (...)".
Mas o
Blog do Capelli expôs que se trata de uma brincadeira de internet em inglês, que rondava fóruns de discussão, feita em 16 de maio de 2002. A tradução para o português até contém erros. A referida cadela, no original, chama-se Sparkles. Além do procurador Karl Scheister não existir.
Contribui ao engodo a narração da corrida, em que Cleber Machado, da TV Globo, afirma que a mãe de Barrichello não estava na Áustria naquele fim de semana, Dia das Mães no Brasil.
Leia a história completa no
Blog Victal.
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