Direção dá vitória a Helio, e Dixon é campeão
Warm Up
07/09/2008 - 18:56

Reprodução/Indy

A imagem que tirou a vitória de Dixon e a passou a Castroneves


VICTOR MARTINS
de São Paulo


A Indy, que pôs o campeonato em xeque com o "Ato de Detroit" na semana passada — obrigando Helio Castroneves, líder, dar sua posição a Justin Wilson por, na análise da direção de prova, ter bloqueado o inglês —, voltou a atuar neste domingo (7) em Chicago. Pelo menos para fazer justiça, a favor do brasileiro. Se o computador deu a vitória após 200 voltas a Scott Dixon por um mero milésimo de segundo, as imagens na linha de chegada desmentiram a tecnologia e mostraram que Helio superou o neozelandês pelo bico do carro.

Paul Beaty/AP


Mas fosse primeiro ou segundo, Dixon conquistou o bicampeonato da categoria.

A decisão que opôs Dixon e Castroneves desvelou uma série de variantes que até puseram o piloto da Penske, último no grid por ter sido punido após a classificação de sábado, como campeão em determinado momento da corrida. Mas no fim, a estratégia da Ganassi, tanto na pista quanto nos pits, recolocou Dixon entre os líderes e deu-lhe condições de brigar pela vitória do último GP do ano quando parecia que apenas chegar bem seria seu lema.

Louve-se a prova de Helio. Vigésimo-oitavo na largada, passou cinco carros na primeira volta, mais dois na segunda, outros três na terceira, despontava em 13º na décima passagem, era décimo no giro 32, subiu para oitavo após a primeira parada nos pits e assumia esplendidamente a ponta na 77ª passagem.

Até então, a corrida vinha com domínio de Ryan Briscoe, num primeiro momento, e Tony Kanaan, no segundo trecho.

Com Helio na ponta, a Penske deu início a um interessante estratagema. Como não adiantava a Helio só vencer, mas jogar Dixon acima do décimo lugar, o brasileiro teve a companhia de Briscoe para formar uma barreira ao lado, andar um pouco mais lento e permitir que os demais fossem passando o líder do campeonato. De pronto, um bloco de 12 carros se alternava e mostrava a eficiência da lógica, já que Scott, de fato, chegou a cair para décimo. Foram 30 voltas desta maneira, até que o espelho do carro de Oriol Servià, da KV, caísse na pista e provocasse bandeira amarela, a terceira do dia.

As outras duas aconteceram pelos acidentes de Ed Carpenter e Vitor Meira — no caso do brasileiro, que fez sua despedida da Panther, a porca da roda traseira se soltou e jogou o piloto no muro da curva 2, a mesma onde Carpenter destruiu a traseira do carro da Vision, provocando labaredas.

Cônscia da tarefa da Penske, a Ganassi começou a agir. Fez mudanças no carro de Dixon, que logo começou a se recuperar e andar no bloco dos oito melhores. Sarah Fisher e Ernesto Viso, em incidentes separados, geraram novas aparições do pano amarelo.

E vale dizer que a Indy viu um momento, digamos, inusitado. Com novas idas dos ponteiros aos boxes, Milka Duno teve a honra de liderar a corrida. Mas acionada a bandeira verde, a programação voltou ao normal, com Helio à frente.

O quarto final da prova foi o exemplo do que foi o campeonato: os carros da Penske e da Ganassi nos quatro primeiros postos. Dan Wheldon fez seu papel, o de perturbar Helio e fazê-lo consumir combustível. Em segundo, postou-se ao lado de Castroneves, enquanto Dixon e Briscoe os seguiam.

Pecado aconteceu na volta 182 com o acidente de Mario Moraes. Penúltimo no grid, apresentou recuperação espantosa a ponto de andar entre os cinco primeiros. No momento em que bateu na curva 3, era sexto com o mediano equipamento da Dale Coyne.

Paul Beaty/AP
Na última visita aos pits, necessária, Dixon conseguiu assumir a ponta e ter Helio em seus calcanhares. Ainda viria outra paralisação, por causa de Graham Rahal. As últimas sete voltas foram feitas com os dois aspirantes à taça quase se tocando. Dixon venceu de acordo com o computador por 0s001. Helio desceu do carro frustrado pelas perdas do dia, ao passo que Dixon era levado ao círculo da vitória, onde a comemoração já rolava. Logo aproximou-se um fiscal para desfazer o erro. E o brasileiro, pelo menos, celebrou o segundo triunfo no ano.

Só que expectativa pouca é bobagem. A cronometragem da Indy seguia dando Dixon como vencedor. O site oficial se antecipava, dizendo que se tratava da chegada mais apertada da história da categoria. E as imagens continuavam desmentindo a célula de cronometragem dos carros. Após meia hora, o resultado oficial: vitória de Helio por 0s003.



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Final:



Classificação final do campeonato:




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