O GP da Bélgica não foi monótono, mas suas duas últimas voltas valeram por toda a prova. Nessas passagens, aconteceu de tudo. No fim – um dos mais sensacionais das últimas temporadas –, Lewis Hamilton aproveitou a falta de controle de Kimi Raikkonen e venceu dentro da pista de Spa-Francorchamps, neste domingo (7).
Hamilton recebe punição, Massa ganha prova
A etapa belga foi dominada pelo finlandês, que parecia ter acordado da letargia em que se apresentou nas provas mais recentes.
Thierry Roge/Reuters

Logo na largada, que não foi tão menos emocionante do que o fim, o piloto da Ferrari botou a faca entre os dentes e partiu para cima dos rivais. Deixou Heikki Kovalainen, Felipe Massa e Hamilton para trás, assumindo a liderança da etapa.
Em meio à disputa pela ponta, destaques para o início de Fernando Alonso, que conquistou duas posições, Sébastien Bourdais, avançando quatro postos, e Nelsinho Piquet, subindo cinco lugares. Vários carros espalharam na primeira curva, e o francês da Toro Rosso chegou a bater na traseira de Jarno Trulli, que também foi muito bem no começo, passando que nem um raio por todo mundo e ganhando sete posições, mas acabou sendo prejudicado por esse incidente.
Chuva constante não aparece; Toro Rosso se destaca
Durante toda a semana, havia a previsão de que choveria durante todo o GP, o que acabou não se concretizando. A grande maioria foi disputada com pista levemente úmida.
Por isso, a corrida prosseguiu sem grandes emoções. Raikkonen mantinha a primeira colocação, com Hamilton segurando a vice-liderança, na frente de Massa, que era o mais importante, pensando na disputa pelo campeonato.
Se em outros anos, Spa foi responsável por muitos abandonos, nesse ano, foram muito poucos. Piquet foi o primeiro, após bater na proteção de pneus. Segundo o piloto da Renault, o erro foi ter passado pelas linhas brancas, que estavam úmidas. Isso o fez perder o controle do carro.
Depois, foi a vez de Rubens Barrichello, em um fim de semana horroroso, deixar a prova com problemas na sexta marcha. Em entrevista para a Rede Globo, o brasileiro deixou claro o descontentamento com o rendimento da Honda. “Tenho de sonhar com o carro do ano que vem”, afirmou.
Depois de passados dois terços, nada havia mudado no cenário da prova. O mais interessante era ver a Toro Rosso colocando dois pilotos na zona de pontuação. Bourdais carimbava o desempenho apresentado nos treinos com o quinto lugar, ficando à frente – o que foi costume em Spa – de Sebastian Vettel, no sexto posto, naquele momento.
Tempo piora no fim; Kimi e Lewis travam batalha emocionante
Tudo caminhava para um fim normal, até que houve o aviso: a chuva apareceria nas últimas voltas da corrida. As equipes ficaram em alerta. Alonso perguntou no rádio ao engenheiro dele sobre tal possibilidade. O integrante do time disse que era provável e falou que a Renault ainda estava pensando no que fazer.
Provavelmente, quando Hamilton recebeu a notícia, resolveu gastar os esforços finais para tomar a vitória de Raikkonen. Nesse instante, a corrida pegou fogo.
Pascal Rossignol/Reuters
No final da antepenúltima passagem, o inglês foi para cima do nórdico, viu a porta ser fechada, e ambos quase se tocaram. Por causa disso, Lewis teve de cortar a chicane Bus Stop para não se chocarem.
Como ficou na frente de forma inadequada, Hamilton deixou Kimi reassumir a ponta. Assim que o escandinavo tomou o lugar, o britânico fez um zigue-zague que resultou em uma grande ultrapassagem.
Kimi continua com má fase; Heidfeld atropela adversários por 3º
Mas a briga não havia terminado por aí. Lewis teve problemas com um retardatário, foi para fora da pista, abrindo caminho para o piloto da Ferrari. Só que Raikkonen não conseguia controlar o carro em certos pontos molhados da pista. Em um deles, rodou sozinho, e o líder do campeonato retomou a primeira posição na Bélgica.
O finlandês, provando que neste domingo estava bem acordado, não desistiu. Mas como a fase dele não é boa, voltou a rodar, mas, dessa vez, não parou até encontrar o muro. Mais um fim decepcionante para o atual campeão da F-1.
Frank Augstein/AP

Melhor para Hamilton, que manteve a calma para não cometer mais erros. Massa, que estava muito atrás, não pôde fazer muita coisa e acabou na segunda posição. Impressionante foi mesmo quem apareceu em terceiro: Nick Heidfeld.
Eis que surgiu o alemão, pressionado pela BMW Sauber para ter melhores resultados. Heidfeld foi mais esperto do que todos ao parar para trocar os pneus. Com intermediários, passou da nona para a terceira posição em apenas um giro.
Alonso foi outro que mudou para compostos intermediários e também se deu bem, arrebatou o quarto posto. Bourdais, que poderia fechar a excelente participação com chave de ouro no pódio, caiu para a sétima posição, terminando atrás de Vettel e Robert Kubica.
Timo Glock também aproveitou da "loucura" das voltas finais, roubando o oitavo lugar de Mark Webber e depois perdendo-o ao ser punido por ter feito a ultrapassagem no local em que havia bandeira amarela, devido ao acidente de Raikkonen. E Heikki Kovalainen abandonou nas últimas curvas.
Mas quando já passava das 18h locais, os comissários anunciaram a punição ao inglês por ter cortado a chicane Bus Stop na disputa pela liderança na antepenúltima volta do GP da Bélgica. Ao resultado da prova de Hamilton foram acrescidos 25 segundos, que deram a vitória da 13ª etapa do Mundial a Felipe Massa. Ainda, Nick Heidfeld subiu para segundo. Restou o terceiro posto a Lewis.
Com essa reviravolta, a disputa pelo título ficou ainda mais acirrada. Hamilton é o líder do campeonato com 76 pontos, muito próximo de Massa, com 74. A próxima prova acontecerá na Itália, em Monza. A última etapa em solo europeu será realizada no próximo domingo (14).
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