Diários de Despedida: Rio de Janeiro
Ingo Hoffmann 02/09/2008 - 15:09
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Quando cheguei ao Autódromo de Jacarepaguá para a prova do milhão de dólares, comecei a buscar em minhas memórias algum fato interessante que tinha acontecido lá para relatar aqui para vocês. Aí me veio à mente o ano de 1979, quando o então presidente do Brasil, João Batista Figueiredo, por decreto, proibiu as corridas de automóvel no Brasil, alegando que gastavam muito combustível... Dá para acreditar ?
Logicamente todos ficamos em pânico, pois era o trabalho de muitos que estava simplesmente sendo banido do território nacional. Mas como o automobilismo sempre foi e continua sendo muito inovador, a saída foi passar a correr dali para frente com o álcool. Esse combustível passou a ser usado por todas as categorias. Em seguida as montadoras acabaram introduzindo em suas linhas de montagem os carros movidos a álcool. Inclusive, hoje em dia o Brasil é um grande detentor dessa tecnologia.
Para o "lançamento" dessas corridas no Brasil, foi realizado o Festival do Álcool no autódromo do Rio de Janeiro, onde todas as categorias correram em um determinado final de semana. Ao mesmo tempo em que foi uma grande festa, foi um grande alívio para todos os profissionais do meio. Obviamente, muitos carros não funcionavam direito, tinham dificuldades na partida, a maioria tinha grandes problemas nas retomadas de aceleração, o consumo era muito elevado, era uma tecnologia totalmente nova para todos. Mas as corridas foram realizadas com muito sucesso e dessa maneira o automobilismo não morreu no Brasil.
Como estou meio sem assunto para contar para vocês, e como praticamente toda segunda-feira costumo dar uma navegada nos sites de automobilismo, aproveitei para ver se alguma idéia brilhante me ocorreria enquanto navegava. Aí acabei me dando conta de que, honestamente, não sei se estou fazendo bem em estar neste "canal aberto" com vocês, uma vez que neste site a Stock Car ou ESTOQUE CAR, como alguns dizem por aí, parece ser persona non grata. E eu sou sinônimo de Stock Car. Ao ler alguns comentários, percebo que existe uma torcida contra muito grande. Então, vou falar sobre isso.
De 1979, vou voltar a 2008. Corrida do Milhão. Até para fazer um paralelo de quantas vezes o automobilismo reviveu, graças à paixão e esforço de alguns — bem, isso é para aqueles que costumam chamar nossa Stock Car de ESTOQUE CAR. Deve ter sido um tremendo "chute nas canelas" estar acompanhando o crescimento, o profissionalismo e a grana envolvida nessa categoria.
Sei que cada um tem sua religião, time de futebol, partido político e opinião sobre diversos assuntos. E sei também que para fazer com que o outro mude de opinião, é necessária boa argumentação e o bom senso do outro, para poder enxergar o que é fato. Está aí: nossa Stock Car está arrebentando. A receita está dando certo. Tem coisas para melhorar, claro que tem. Mas como tudo na vida, sempre é possível melhorar. Essa é a busca incessante de todo ser humano, todo profissional, ou pelo menos deveria ser. O que temos hoje de automobilismo no Brasil, que faz sucesso, gera mídia e público? A Stock Car e Fórmula Truck, é isso. Não entendo porque meter o pau, jogar contra.
Vamos lá. Eu que estou na categoria desde o seu início, sei muito bem o que significa esta prova do milhão, dentro do contexto dos últimos anos. Tivemos muitas vezes, várias temporadas – lá pelos idos dos anos 80 e 90 –, quando muitos de vocês talvez nem tivessem nascido ainda, que foram extremamente ruins, com poucos carros no grid, sem o apoio de nenhuma montadora, em que nós nem sabíamos se o campeonato começaria e muito menos se ele duraria até o final do ano.
Este crescimento começou há alguns anos, com as muitas introduções que foram feitas, como chassi tubular, motor V8, igualdade em muitos componentes, que acabaram viabilizando a entrada de muitas equipes/pilotos na categoria, uma vez que todos têm a mesma chance de ser competitivo. Basta olhar nosso grid, onde os 34 carros estão no mesmo segundo. Desta forma a categoria cresceu tremendamente, gerando inclusive muitos empregos, diretos e indiretos.
Conseguiu atrair o interesse da TV Globo, que, queiram ou não, é "a" emissora, mesmo que os comentaristas sejam ruins algumas vezes. É a emissora onde os grandes anunciantes querem estar e, dessa forma, a categoria tem atraído grandes marcas. Abriu-se um caminho para os pilotos profissionais, que têm a possibilidade de correr profissionalmente no Brasil, sem ter de tentar carreira internacional, como muitos (inclusive eu) fizeram no passado. Enfim, a categoria Stock Car (é assim que se escreve) esta aí, bombando, e cada vez mais forte.
Quanto à corrida em si, não foi exatamente aquilo que eu esperava, pois desta vez estava com um carro competitivo, mas acabei levando um toque de um concorrente, fazendo com que perdesse algumas posições... Depois tivemos um problema no pit-stop, onde a pistola pneumática travou, e perdi mais tempo. Terminei em oitavo. Como disse: fui buscar o milhão e acabei com o sabugo... Olhando pelo lado positivo, pelo menos marquei uns pontos preciosos para minha equipe, que agora saiu da zona de degola.
Acho que o Valdeno fez por merecer esta grana toda, mesmo tendo me segurado no começo da corrida, pois é um cara tremendamente batalhador, que lutou muito para estar onde está. Parabéns para ele!
Até Londrina.
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