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A pressa de Alonso
Flavio Gomes 20/06/2008 - 17:55
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Fernando Alonso jogou um ano de sua vida fora. A volta à Renault não foi nada daquilo que ele esperava, e é preciso que se diga, também, que o espanhol não está operando os milagres que a Renault esperava dele. Ao menos não com a freqüência que a equipe gostaria. Houve alguns “quase-milagres”, como o segundo lugar no grid em Barcelona e o primeiro lugar nos treinos livres da sexta-feira em Magny-Cours.
Mas não dá para dizer que o bicampeão está tirando leite de pedra todos os dias. Nove pontos em sete corridas, o que ele conseguiu até agora, é muito pouco. E também a prova mais cabal de que mesmo o melhor piloto, a bordo de um carro ruim, não é capaz de subverter a lógica técnica da F-1. A não ser que tenha tempo para isso.
Tempo que Alonso teve em sua primeira passagem pela Renault. Foram três anos, um deles como piloto de testes, para crescer com a equipe, até chegar ao primeiro título. E ao segundo, logo depois. Aí, já tinha resolvido sair. E não deu o tempo que precisava à McLaren, um time que não vê título desde 1999, e que não havia vencido uma corrida sequer em 2006. Fernando, sem dúvida, elevou de novo os prateados à condição de “top”. A Renault desabou com sua saída e a McLaren voltou a disputar a taça. Não ganhou por administrar mal os egos de seus pilotos e porque Hamilton bobeou demais no final. Mas se fosse campeã, a trupe de Ron Dennis, mesmo não gostando, teria de dividir os méritos com o asturiano.
As brigas internas redundaram em sua saída antes do tempo e o que acontece, agora, é que Alonso não tem mais saco para abraçar um novo projeto que leve... tempo. Algo que precisaria nessa Renault que perdeu o rumo no ano passado, com sua saída e também com a da Michelin, que tinha papel importantíssimo em seu desempenho.
É uma situação muito parecida com a que Ayrton Senna viveu em 1993, o primeiro ano dele na McLaren sem a Honda. Diante do crescimento da Williams começara a apresentar desde 1991, ele sabia que já não tinha mais carro para brigar pelo título, e sabia igualmente que era o melhor piloto em atividade no momento — pelo menos achava isso, e não estava longe da verdade.
Senna tinha pressa para ser campeão de novo, como Alonso hoje. Para fazer valer sua condição de “melhor”, era preciso ter o melhor carro. O brasileiro, aos 33 anos, não tinha mais a menor paciência para esperar dois ou três anos para voltar a lutar pela taça. Por isso sempre recusou os convites da Ferrari e se ofereceu para correr até de graça pela Williams — o que não conseguiu num primeiro momento, mas acabou realizando em 1994.
É exatamente o caso de Fernandito. Em que pesem os bons resultados de Hamilton, Massa, Raikkonen e Kubica nesta temporada, ele é o melhor de todos em atividade. Só que precisa de um carro vencedor para fazer valer tal condição. E os carros vencedores estão nas mãos de outros. À McLaren ele não volta, não há clima, é porta fechada definitivamente. Na Ferrari, apesar de seus altos e baixos, a dupla Felipe-Kimi não parece conviver com o medo do desemprego. Massa vem crescendo nas últimas provas e Raikkonen ainda tem crédito de sobra, por ter sido campeão em seu primeiro ano defendendo as cores de Maranello.
Sobra a BMW Sauber. Que, apesar da vitória de Kubica em Montreal, ainda não briga de igual para igual com prateados e vermelhos. Mas tem potencial e está perto disso, sem dúvida.
Para virar grande de vez, talvez a equipe alemã precise apenas de um... Alonso!
E é onde o espanhol está mirando para 2009. Mesmo que negue de pés juntos.
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