O domínio de Ferrari e McLaren foi, enfim, quebrado. Robert Kubica venceu o GP do Canadá, neste domingo (8). E pode colocar na conta de Lewis Hamilton, já que o triunfo caiu no colo do polonês graças a uma bobagem do inglês, que não viu o sinal vermelho e bateu na traseira de Kimi Raikkonen na saída dos boxes.
Foi a primeira vitória da BMW Sauber na F-1. Com isso, uma equipe fora as duas principais da atualidade ganha após 24 provas. De quebra, Kubica assumiu a liderança do campeonato com 42 pontos, resultado de uma excelente temporada, até agora. A festa da escuderia alemã foi completada com uma dobradinha, já que Nick Heidfeld foi o segundo colocado.
A corrida foi tão maluca que o tão criticado David Coulthard chegou ao pódio. Timo Glock teve seu melhor desempenho do ano, com o quarto lugar.
Felipe Massa bateu cabeça com a equipe, mas teve uma grande atuação, com direito a ultrapassagem dupla. Terminou em quinto, chegou aos 38 pontos e empatou com Hamilton na segunda colocação da tabela de classificação.
Jarno Trulli, Rubens Barrichello — segunda vez seguida que pontua — e Sebastian Vettel fecharam a lista dos oito primeiros. Nelsinho Piquet até teve a chance de conseguir pontos, mas rodou, ficou lá atrás e depois abandonou.
A trapalhada de Lewis até encobriu um pouco o imbróglio do asfalto do circuito de Montreal, que foi duramente criticado pelos pilotos. Antes de a prova começar, a curva 10 foi recapeada. A tentativa de remediar o problema não deu muito certo, já que os carros espalhavam muito quando passavam por tal setor.
A corrida
A prova canadense não dava nenhuma pinta de que seria boa. Até mesmo a largada foi sem incidentes. Destaque para um bom início de Barrichello, que conquistou duas posições, perdidas voltas depois.
Não havia nenhuma novidade. Hamilton impunha um ritmo forte, firme na primeira posição. Kubica e Raikkonen entre os três primeiros. Massa tentando se aproximar deles.
Tudo caminhava para uma procissão que virou característica na F-1 atual. Porém, começou uma seqüência de eventos que transformou o GP de forma surpreendente. A história teve seu início na volta 17, com Adrian Sutil, destaque da etapa de Mônaco, que foi o primeiro a abandonar. Como seu carro ficou em uma posição perigosa na pista, o safety-car entrou em cena.
As escuderias aproveitaram para fazer uma parada na volta 19. Os sete primeiros colocados foram em fila para os boxes. Sem anormalidades, só até a saída. Raikkonen e Kubica foram na frente, viram o sinal vermelho e pararam, esperando o verde. Só que Hamilton não viu. Bateu com tudo na traseira do finlandês, levou aerofólio e o que mais tivesse. Nico Rosberg vinha logo atrás, não conseguiu parar e quebrou seu bico.
Andre Pichete/EFE
Fim de prova para dois dos principais favoritos ao campeonato. Kimi apontou para Lewis, como se estivesse falando "olha o sinal ali, não viu?" O britânico estava tão irritado que chegou a empurrar uma câmera que o filmava de lado. Uma verdadeira pixotada de alguém que se destacava por mostrar incrível controle, só que, desde o GP da China do ano passado, parece ter se descontrolado. Em Xangai, a besteira foi feita na entrada dos boxes.
A partir daí, a corrida ficou aberta. Qualquer coisa poderia acontecer. Massa poderia ser beneficiado, mas a Ferrari se atrapalhou em sua primeira parada, que aconteceu ao mesmo tempo em que Raikkonen se engalfinhava com Hamilton. Aconteceu um problema na hora do reabastecimento, e o brasileiro teve de voltar aos boxes três voltas depois.
Durante muito tempo, a ponta da corrida esteve no controle de Heidfeld. O alemão aproveitou a oportunidade e abriu uma grande vantagem para os demais. Mas o representante da BMW ainda não tinha parado. Quando fez seu pit-stop, voltou na frente de Kubica. Mas, devido à estratégia da equipe — Nick estava mais pesado do que o polonês —, deixou seu parceiro passar à frente e teve de aguentar uma pressão constante de Fernando Alonso.
Com toda essa confusão, quem tinha se dado bem era Nelsinho Piquet, que estava em uma virtual terceira posição. O momento era tão bom que seu engenheiro lhe alertou, quase mandando, para ficar perto de Alonso, à sua frente. Porém, como a fase do filho de Nelson Piquet é "ótima", o piloto da Renault rodou algumas passagens depois. Ao tentar voltar, quase bateu com Massa. No fim, abandonou. Desse jeito, pilotos afastados devem estar esfregando as mãos, prontos para assumir a vaga da equipe francesa. Nota: com problemas no câmbio, o espanhol bateu e também não completou. Este abandono deixou o caminho livre para Coulthard subir ao 62º pódio da carreira.
Já Rubens Barrichello, que virou a maré de azar, chegou a até liderar o GP em algumas voltas, após a parada de Heidfeld. Como a Honda não possui um grande carro, fez o que pôde para se manter na zona de pontuação. Ao tentar evitar uma ultrapassagem de Heikki Kovalainen, ajudou seu compatriota Massa a protagonizar a ultrapassagem mais bonita do dia. O finlandês tentou passar na curva 10, a recapeada. Rubens esperou o adversário espalhar. Felipe não bobeou, aproveitou uma brecha e passou os dois.
Don Emmert/AFP

Lutando para somar o maior número de pontos possíveis, Massa ainda ultrapassou Trulli, chegou em Glock, mas não conseguiu roubar a posição. Conquistou quatro pontinhos que podem ser fundamentais no final do ano.
Depois, fora um abandono esquisito de Kazuki Nakajima, nada mais aconteceu. Só Kubica que se manteve firme na ponta, não cometeu erros. Assim, na mesma pista em que teve um acidente assombroso, o piloto da BMW Sauber proporcionou a primeira execução do hino polonês em um pódio na história da F-1.
Final:
