No Principado, Hamilton vence em GP caótico
Warm Up
25/05/2008 - 11:03

Pascal Guyot/AFP

Hamilton é erguido pelos mecânicos: acidente no início, mudança de estratégia e vitória merecida


BRUNO VICARIA
de São Paulo


Com muita competência e uma enorme dose de sorte, Lewis Hamilton transformou uma corrida praticamente perdida em uma vitória nas ruas do Principado de Mônaco.

Depois de bater no início da prova, Hamilton contou com erros dos rivais, uma mudança inteligente de estratégia e uma pilotagem impecável para receber a bandeirada com uma vantagem de três segundos para Robert Kubica, da BMW, e Felipe Massa, da Ferrari – dois pilotos considerados favoritos para a vitória, mas que amargaram as posições inferiores do pódio.

Mark Webber, da Red Bull, outro que mostrou muita capacidade nas condições adversas do Principado, pontuou com o quarto lugar, seguido de um impressionante Sebastian Vettel, que foi o quinto após sair em 19º com o novo carro da Toro Rosso.

Red Bull/GEPA e Honda

Vettel e Barrichello deram show no Principado e marcaram seus primeiros pontos nesta temporada


Rubens Barrichello usou toda sua experiência em Monte Carlo para chegar em sexto com o fraco carro da Honda, e colocar fim a um jejum de pontos que durava desde o GP do Brasil de 2006. Por fim, Kazuki Nakajima (Williams) e Heikki Kovalainen (McLaren) completaram a zona de pontos. Mas o resultado não reflete nem um pouco o caos que foi a corrida.

Chuva e caos na largada

A começar por antes da largada, quando uma chuva fina pairava sobre a região. Os pilotos e equipes, indecisos, decidiram escolher os pneus em cima da hora – fato que custaria a corrida de Raikkonen momentos depois. Dos 20, 19 foram de compostos intermediários (só Nelsinho Piquet largou de pneus para chuva).

Na volta de apresentação, Heikki Kovalainen (McLaren) não conseguiu partir, sendo obrigado a sair dos boxes.

Red Bull/GEPA e Honda

Com o asfalto molhado na pista de Monte Carlo, Massa sustenta a ponta na partida, seguido de Hamilton


A largada aconteceu sem problemas nas primeiras curvas. Massa manteve a ponta, seguido de Hamilton, Raikkonen e Kubica. No fundo, Nico Rosberg (Williams) e Timo Glock (Toyota) deram início à série de confusões que provocaram durante toda a corrida.

Na sexta volta, Hamilton, que dominara os treinos de quinta-feira, resvalou no guard-rail quando seguia o líder Felipe Massa, sendo obrigado a parar nos boxes para trocar os pneus. Acidente, aliás, que foi vital para a corrida do inglês, que não teve nenhuma parte do carro danificada e serviu para uma mudança na estratégia por parte da McLaren.

Reprodução de TV

Hamilton e Alonso foram duas vítimas dos guard-rails, mas conseguiram trocar os pneus e seguir no GP


Voltando entre os cinco primeiros, Hamilton começou a andar forte e torcer para os erros dos pilotos à frente. Para sua sorte, Fernando Alonso (Renault), David Coulthard (Red Bull) e Sébastien Bourdais (Toro Rosso) bateram na Massenet, provocando a primeira intervenção do safety-car.

Massa e Raikkonen, de líderes a coadjuvantes

A relargada aconteceu com uma chuva “malandra” e a Ferrari ditando o ritmo, com Massa à frente de Raikkonen. Só que a escuderia italiana começou a virar abóbora com a punição prevista a Raikkonen. O finlandês teve de realizar um drive-through por ter os pneus instalados em seu carro a menos de três minutos da volta de aquecimento.

Reprodução de TV

Alonso acerta Heidfeld, enquanto Glock roda e bate sozinho: cenas do caos de domingo em Mônaco


No meio do pelotão, Alonso tentou passar Nick Heidfeld (BMW), provocando um enorme congestionamento na curva Loews, que é estreita e contornada a pouco mais de 60 km/h. No entanto, a presença do carro de segurança na pista não foi necessária.

Não muito tempo depois, Massa escapou na Sainte Dévote, deixando a liderança para Robert Kubica. A partir de então, a Ferrari se perdeu completamente.

Se os italianos não se encontravam, o mesmo não podia ser dito de Adrian Sutil e Rubens Barrichello. O alemão da Force India e o brasileiro da Honda, craques no molhado, já estavam entre os dez primeiros; Sutil, inclusive, estava nos pontos. Piquet também estava bem, em décimo, tirando proveito dos pneus de chuva.

Quando chegou perto da metade da corrida, a Ferrari passou a se complicar de vez. Raikkonen danificou o bico do carro e foi obrigado a uma parada extra, enquanto Massa, dono de uma vantagem segura para Kubica (que já havia realizado seu pit-stop), permanecia na pista, mesmo com os rivais andando forte – Hamilton, neste momento, era segundo, isolado.

Seco ou molhado?

Com a pista secando gradativamente, a dúvida de pilotos e equipes era: colocar ou não pneus para pista seca? A Renault, com Fernando Alonso, foi a cobaia. E o bicampeão teve muito trabalho para segurar o R28. Mesmo assim, os franceses colocaram compostos iguais para Nelsinho. Resultado: o brasileiro bateu na 50ª volta, após não conseguir contornar a Sainte Dévote.

No “meião”, Kovalainen atropelou Jenson Button na saída do túnel, sem muitas mudanças na ordem da prova. E, nesse ínterim, Hamilton parou, assim como Kubica e Massa (de novo) – todos colocaram pneus para pista seca e a vitória do inglês foi praticamente definida naquele momento. Atrás deles, Sutil surpreendia em quarto.

Drama, trapalhadas, e minicorrida de dez minutos

Reprodução de TV

Nico Rosberg bate com violência nas curvas da Piscina: piloto saiu ileso; ja o carro...


Mas, como desgraça pouca é bobagem, Nico Rosberg arrebentou o carro da Williams na chicane do complexo da Piscina, provocando a entrada do safety-car, que permaneceu boas voltas na pista, enquanto a direção de prova organizava o pelotão.

Na relargada, à volta 68, o momento de maior comoção da corrida: Raikkonen perdeu o ponto de freada na saída do túnel e estampou a traseira de Sutil. O alemão foi aos boxes e tentou retornar, mas era impossível. Depois, escondido no canto dos boxes, não escondeu o choro. Kimi, por sua vez, voltou em nono e viu a liderança do campeonato escapar de suas mãos.

Reprodução de TV

Raikkonen não consegue frear, acerta Sutil e provoca o choro do alemão, que era o quarto, nos boxes


Lá na frente, Hamilton, de forma segura, venceu e comemorou bastante, enquanto Kubica e Massa foram ao pódio com cara de poucos amigos. Afinal, ambos foram os grandes perdedores do dia. Ao contrário de Vettel e Barrichello, que somaram seus primeiros pontos no ano.

Com a vitória, Hamilton reassumiu a liderança e deixou o campeonato embolado: com 38 pontos, o inglês está três à frente de Raikkonen e quatro a mais que Massa. Kubica, com 32, é o quarto e segue na briga. A próxima prova acontece dia 8 de junho, no Canadá – outro palco de corridas muito confusas.

Final:






Envie esta matéria a um amigo
© Copyright Warm Up Motorsport Coverage