Se no ano passado pilotos e equipes tiveram um mês de férias após o fim do Mundial para iniciarem o trabalho com foco em 2007, a F-1 2008 não agüentou mais do que três semanas e alguns dias longe das pistas. A antecipação da labuta das 11 escuderias, dos test-drivers e de alguns titulares encontra-se em duas razões principais: a definição das últimas vagas para a próxima temporada e a adaptação à ausência do controle de tração. Nesta terça (13), Barcelona recebe a primeira semana de treinos coletivos.
E é um piloto que mal disputou o campeonato deste ano que vai centrar as atenções: Michael Schumacher. O heptacampeão retorna ao cockpit de um carro da Ferrari, seja por marketing, diversão ou real avaliação da F2007 sem a ajuda eletrônica. A seu lado, Felipe Massa, quarto colocado na temporada. Luca Badoer também aparecerá em algum momento. Kimi Raikkonen ainda terá tempo para regozijar — e possivelmente comemorar, a seu modo etílico, a confirmação de seu título na próxima quinta-feira, após reunião desnecessária da Corte de Apelações para analisar a queixa da McLaren da não-desclassificação de Williams e BMW no GP do Brasil por conta da gasolina "resfriada".
O eterno piloto de testes, porém com fama de espertinho, Pedro de la Rosa e um Gary Paffett que foi deixado à sombra dão o pontapé dos trabalhos pelos lados de Woking, que ainda se refaz do nocaute histórico. Lewis Hamilton, nem pensar, por enquanto. O que importa é saber quem será o companheiro do inglês. De la Rosa aparece com algumas chances, Paffett mal é lembrado, tem Heikki Kovalainen, Adrian Sutil e Bruno Spengler, desconhecido no meio da F-1.
A BMW põe força máxima na pista catalã: Nick Heidfeld e Robert Kubica conduzem o bom F1.07. A Williams, idem, com Nico Rosberg e Kazuki Nakajima. Já a Renault vai com o que pode ter no momento, que são Kovalainen e Nelsinho Piquet, titular do time em 2008 seja lá qual for o parceiro — o próprio finlandês ou Fernando Alonso. O outro time que pode receber o espanhol, a Red Bull, terá David Coulthard e o indiano Karun Chandhok.
No gancho do país asiático, a Force India dá as caras pela primeira vez sob esta nomenclatura com um carro que lembra a Mo Nunn de Alessandro Zanardi em suas últimas aparições na Cart, atual Champ Car, pintado de branco e um vermelho metálico escuro. Cinco pilotos vão se revezar durante os próximos três dias: Adrian Sutil, já da casa dos tempos de Spyker, Vitantonio Liuzzi, Christian Klien, Giedo van der Garde e Roldán Rodríguez, que está bem próximo de arrebatar um dos dois assentos. Ainda faltam Ralf Schumacher e Giancarlo Fisichella, que vão testar o F8-VII em Jerez só em dezembro.
Sébastien Bourdais, dois dias após chorar com sua última vitória na Champ Car no México, veste-se pela primeira vez na condição de titular da Toro Rosso. Terá companhia do xará alemão Vettel. A Toyota sem Alonso porque não se vê em forma para tê-lo e sem Timo Glock porque o piloto bobeou ao assinar dois contratos — o da BMW está em vigor — vai de Jarno Trulli, fazer o quê? Na Super Aguri, a responsabilidade fica com Anthony Davidson. Luca Filippi deve aparecer pelo time. E a Honda, ainda sem a chefia de Ross Brawn, vai contar com James Rossiter e Andreas Zuber, este da GP2.