Coluna Warm Up: Me voy, mas... para onde?
Flavio Gomes
02/11/2007 - 19:52

A esperada saída de Alonso da McLaren abre duas perspectivas das mais interessantes para o ano que vem.

Por enquanto, tudo que se sabe é que Fernandito se vai. Não se sabe para onde. E não se sabe quem vem para seu lugar.

A primeira linha de pensamento premonitório diz respeito ao futuro do espanhol. Numa escala de interesse, é mais emocionante a novela sobre seu destino do que a minissérie sobre quem vai ocupar a vaga de companheiro de Lewis Hamilton — esta, a outra atração deste finzinho de ano.

Saber onde Alonso vai correr em 2008 é questão que carrega junto outra que só será respondida ao longo da próxima temporada: o que será capaz de fazer o bicampeão numa equipe média?

Sim, média, porque grande, hoje em dia, existem duas: Ferrari e McLaren. E ele não estará em nenhuma delas no ano que vem. Fernando ganhou dois títulos numa equipe média, há de argumentar o astuto leitor, e eu hei de concordar. Mas lembrando o astuto leitor que, para fazer da Renault uma grande, o espanhol levou dois anos. Foi conquistar sua primeira taça no terceiro.

E aí surge mais uma interrogação: terá Alonso paciência para ficar mais dois anos camelando num time em construção? Ou será ele um Midas, que toca num carro e ele imediatamente vira ouro e ganha corridas?

Bem, foi assim na McLaren, argumentará o mesmo astuto leitor. Afinal, quando ele chegou, a equipe amargava um jejum de 19 GPs e mais de um ano sem vitórias. E, diante de tal observação, nada tenho a acrescentar ao astuto leitor.

Alonso pode, sim, fazer de uma equipe mais ou menos uma campeã em potencial em pouco tempo. Mas tem de contar com uma conjuntura favorável que, se é possível, não parece muito provável.

A ela.

Em tese, 2008 não tem favoritos muito claros. Nem a Ferrari campeã do mundo. Se é verdade que o time de Maranello passou com louvor pelo seu primeiro ano pós-Schumacher, é igualmente verdade que suou para ser campeã, fez menos pontos que a McLaren e só ficou com o título de pilotos porque Hamilton falhou formidavelmente na reta final do campeonato.

Portanto, da Ferrari dá para ganhar.

A McLaren, bicho-papão do ano, um desastre de gestão interna, é páreo? Talvez. Mas Alonso sabe exatamente qual foi seu papel nesta temporada, e quanto os prateados vão perder com sua saída. Será Hamilton capaz de liderar um time com pretensões de título? Tudo que Fernando quer é que a McLaren desabe. Para bater no peito e dizer: “Fui eu que fiz tudo aquilo”.

Assim, visto com esse olhar otimista (para Alonso, claro), 2008 é um ano aberto. Terra de cego, quem tiver um olho (para Alonso, ele mesmo, claro) é rei.

E aí surgem as opções. Todas elas, dependendo do ponto de vista, ótimas. Ou péssimas, porque toda moeda tem dois lados.

Renault: conhece todo mundo, se adapta rápido, mantém o mesmo staff técnico há um bom tempo. Por outro lado, despencou em 2007 e só conseguiu um pódio, numa corrida maluca no Japão.

Toyota: tem dinheiro saindo pelo ladrão, investirá o que for preciso para sair do limbo, seria tratado como um rei. Por outro lado, está na F-1 desde 2002 e em 104 corridas tudo que conseguiu foram seis pódios, nenhuma vitória.

Red Bull: tem potencial, dinheiro, bom ambiente, seria igualmente tratado como um rei, tem um projetista, Adrian Newey, que sabe trabalhar com piloto bom, usa motor Renault. Por outro lado, nunca lutou de verdade por pódios e vitórias.

Williams: é um time clássico, que sempre teve grandes pilotos, e que surpreendeu neste ano com um bom carro, apesar dos recusros limitados por ser uma das últimas "independentes" do grid. Por outro lado, não vence uma corrida desde 2004.

BMW Sauber: essa sim é uma equipe capaz de ganhar corridas de cara, mostrou isso neste ano. Por outro lado, tem dois pilotos contratados e uma administração austera, pouco chegada em gastar rios de dinheiro com salário de quem quer que seja.

Como se vê, o exercício de futurologia sobre Alonso é divertido e amplo, e paro por aqui sem contemplar a hipótese Ferrari, porque essa, se há (e há), é para 2009. O “sonho” de que Alonso falou no fim de semana, provavelmente. Mas não será agora.

E a McLaren? Resta pouco espaço para falar dela. Venha quem vier, será segundo piloto. Dos candidatos, Rosberg e Kovalainen são os que podem causar mais problemas a Hamilton, pois têm a mesma origem, a GP2, e quererão provar que o rapaz não é nenhum gênio. Sutil pode ser uma escolha. É amigo de Lewis e inofensivo. Vettel, novinho de tudo, também pode ser uma boa opção.

Aguardemos. O bom dessa história toda é que este fim de ano, que no mundinho da F-1 é normalmente morno, será dos mais quentes.


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