AP
Atualizada às 10h23
Está encerrado o calvário Alonso-McLaren, bem no dia que simboliza a lembrança aos finados. O empresário Luis García-Abad falou à rádio do jornal "Marca" no início da tarde desta sexta-feira (2) na Espanha que as duas partes concordaram em não prosseguir com o contrato de três anos.
Fernando Alonso, 26 anos, bicampeão mundial e terceiro colocado na temporada 2007, não vai precisar pagar um centavo sequer pela rescisão do acordo. Fato ainda não confirmado pelo empresário ou por qualquer lado é se sua liberação está condicionada ao vínculo do espanhol com uma equipe não apoiada por uma montadora, isto é, Renault, BMW, Honda e Toyota estariam vetadas.
García-Abad e Alonso estiveram reunidos com Ron Dennis na última quarta-feira para traçar o destino do piloto. "Tudo acabou rápido e bem", declarou o manager. Desta forma, Red Bull e Williams aparecem como as únicas opções para o asturiano em 2008.
As dificuldades de relacionamento com Ron Dennis e Lewis Hamilton se transformaram na principal razão pela saída de Alonso. Tudo começou no GP de Mônaco, em que a equipe teria favorecido Fernando para que ganhasse a corrida, trocando a estratégia do inglês para que este não superasse o companheiro na parada de pits. A imprensa pró-Hamilton se rebelou, e as coisas começaram a mudar na McLaren.
A Hungria demonstrou o ápice da guerra interna, com Hamilton desobedecendo a ordem da equipe de deixar Alonso ultrapassá-lo na pista durante a última parte do treino classificatório. Birrento, Fernando foi aos pits trocar os pneus, demorou propositalmente, segurou Lewis e impediu-o de ter tempo hábil para abrir uma última volta. Alonso cravara a pole, mas foi demovido em cinco lugares no grid por punição numa interferência discutível da FIA. No domingo, Fernando chegou a Dennis e ameaçou contar à imprensa tudo que sabia sobre o caso de espionagem da F-1, na época borbulhando no noticiário mundial.
Com o episódio de aquisição de dados da Ferrari e sapiência dos demais membros da McLaren sem resultar em exclusão da equipe, Alonso foi visto como traidor. Sem clima, acusou seus párias de sabotar seu carro — na China, com a alteração da pressão dos pneus no Q3 — e debochou das não-punições a Hamilton no Japão por fazer "brake tests" atrás do safety-car e no Brasil, quando o britânico usou dois sets de pneus intermediários no treino de sexta, fato proibido pelo regulamento, e atrapalhou duplamente Kimi Raikkonen no minuto final da classificação.
O site da McLaren já confirma a saída de Alonso.
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