Marta Oliveira
Confesso que minha primeira reação foi de irritação, tanta que, de modo intempestivo, furei com meus prazos e só agora estou entregando a coluna (desculpem-me o Flavio, e todos os que acompanham a "Apex").
Na sexta-feira, logo após os treinos livres, um amigo do Rio, velho fã do Ira! e amante das corridas, me perguntou, via net, como eu achava que seriam os treinos e a prova.
Cravei Massa P1 e Hamilton P2; para a corrida, disse que Raikkonen ganharia e Hamilton seria campeão. Sem novidade, essa era a aposta de muita gente.
Mas eu e a torcida do Flamengo não prevíamos o fator “amarelada”.
A coisa que mais me chamou a atenção no pódio foi a incontida felicidade de Fernando Alonso, logo ele que, para quem estava disputando o título, tivera um fim de semana bem broxa — ganhou o dia na derrota dos outros.
Kimi mereceu?
Não foi decerto o piloto espetacular que vimos correr nos anos de McLaren. Esse Kimi campeão na Ferrari não traz nenhuma lembrança de uma perfomance memorável. A difícil adaptação ao novo ambiente, e principalmente aos novos pneus, fez com que ele tivesse prestações inferiores às de Felipe Massa durante a primeira fase do campeonato.
Entretanto, com sua autoconfiança inabalável, Kimi contornou bem os problemas de adaptação, superou Felipe e sobressaiu em meio às trapalhadas de Hamilton.
Olhando em perspectiva, um campeonato não se perde em uma prova. Assim, até Massa poderia ter sido campeão, não houvesse acontecido isso ou aquilo. A McLaren perdeu o campeonato quando deixou Hamilton na pista na China, Ron Dennis perdeu o campeonato ao não decidir por Alonso desde o início, e várias outras conclusões, bem factíveis, já foram ditas e escritas para explicar esse resultado que deixou a grande maioria embasbacada.
Para mim, Lewis Hamilton perdeu o campeonato para Kimi Raikkonen. Ele vacilou, e não tem desculpa. Errou quando não podia, perdeu. Ainda não está pronto para ser campeão. Quem estava pronto, esperando uma chance, era Kimi.
Acho injusto apontar Ron Dennis como o culpado. Já falei antes, caso ele tivesse priorizado Alonso, teríamos um passeio tranquilo do espanhol para o tricampeonato, um campeonato sem graça. Hamilton é muito veloz, fez valer sua qualidade, Dennis deixou o barco correr, não foi o melhor para a McLaren, mas foi legítimo, o que eu acho muito bom.
A culpa da derrota da McLaren até pode ser dividida entre Dennis e seus pilotos, a culpa da derrota de Hamilton é só dele.
O erro no final da Reta Oposta foi infantil, não foi uma tentativa de ultrapassagem, foi desconcentração, devia estar pensando nas posições que perdeu no S do Senna, e quando viu já era tarde.
O erro do botão... esse Freud explica. Ele era apenas mais um inglesinho. Daí, em vez de reduzir e depois escalar as marchas, o que reiniciaria automaticamente o sistema, ele manteve a embreagem acionada, o que não permitia ao câmbio “entender” o que o piloto queria.
Agora, olhando a baixa altitude, já acho bom o resultado, é todo mundo gente de carne e osso mesmo, sem essa de super-homem, todos falham, e têm de pagar por isso.
Enquanto isso...
...Interlagos se saiu muito bem, ondulações ainda existem, e houve chatos que esnobaram, mas os garotos que faziam seu primeiro GP do Brasil eram só elogios ao traçado seletivo, que hoje, sem os defeitos no asfalto, é o que ressalta na pista...
...alegria dos patrocinadores brasileiros: dessa vez a Williams fechou em grande estilo sua boa temporada...
...a apelação da McLaren não tem chance de vingar. Além das discrepâncias de medição, a temperatura da gasolina foi tirada na saída da bomba de reabastecimento e a regra aponta a temperatura que a gasolina deve ter dentro do tanque...
...Nelsinho e Alonso, um provável duelo interno que deixa muita expectativa; e que, resta esperar, não sofra muitas interferências de Briatore.