Kimi ganha, Hamilton abandona, Brasil decide
Warm Up
07/10/2007 - 04:41

AP

Raikkonen realizou o impossível em Xangai: venceu e seguiu na briga pelo título de 2007


O chove-molha-pouco de Xangai promoveu o impensável no Mundial 2007. O Brasil vai, pelo terceiro ano seguido sediar a decisão da temporada. E pela primeira vez em décadas, concentra uma batalha tríplice. Isso porque Kimi Raikkonen venceu o GP da China deste domingo (7), Fernando Alonso terminou em segundo e Lewis Hamilton fez o favor de entregar o campeonato ao errar na entrada dos pits e ver-se desesperado atolado na brita.

A corrida era de Hamilton para quem observava de forma holística a situação: se a previsão apocalíptica da TV apontava a chuva conseqüente do tufão "Garça" um minuto antes do GP, errou. Vieram algumas gotas, apenas. E com todos largando de pneus intermediários, sem safety-car, Lewis, mais leve, foi livrando farta distância para Raikkonen. Alonso passou Felipe Massa na primeira curva, mas tomou o troco momentos depois.

Então as coisas pareciam ser levadas no banho-maria, alusão, também, ao calor naquela região chinesa. A Honda falava a seus pilotos que água não mais viria, contradizendo as informações da TV — "rain in 3 minutes"; "rain in 10 minutes". E no fim das contas, balela de ambas. Veio uma garoa que preocupou por algum tempo. Os pneus, com o decorrer do GP, tornaram-se "slicks" e viraram dilema para as equipes.

E tornou-se desgraça para Hamilton. Primeiro a parar, manteve os mesmos calçados, bem como seus rivais do G4. Só que foi o único a sofrer. Começou a andar lento demais com o alto desgaste, permitiu a aproximação rápida de Raikkonen, ainda manteve-se à frente por duas voltas e deixou Kimi ir. Alonso também chegou logo. E antes que tomasse ultrapassagem do espanhol, Lewis, na volta 29, partiu novamente para os boxes a fim de colocar os pneus de pista seca. Mas a situação crítica impediu que o inglês contornasse a curva do rumo aos pits. Escapou e desesperou-se na brita contígua ao caminho. Parou e pediu que os comissários o ajudassem. Em vão. Fim da linha e do sonho do título hoje.

O asfalto seco obrigou os pilotos a trocarem novamente de pneus, e aí surgiu Robert Kubica, da BMW que vinha mal no fim de semana. Porém a esperança de conquistar a primeira vitória morreu em quatro voltas: o carro foi parando lentamente, e o polonês ainda arrastou-se até a garagem. A prova passou às mãos de Raikkonen, que não permitiu que Alonso sequer traçasse planos mais ousados para atacá-lo e colocou-se na final em Interlagos. Chegou a 100 pontos, contra 107 de Hamilton e 103 de Fernando.

Massa, com uma seqüência de voltas mais rápidas no fim do GP, terminou em terceiro e, em casa, será o grã-coadjuvante da Ferrari na árdua tarefa de tentar fazer do companheiro o campeão do mundo.

Se Fuji terminara como pesadelo e choro para Sebastian Vettel, Xangai foi uma alegria só para o alemão, que, com uma única parada, completou a prova na quarta colocação. A comunicação de rádio após cruzar a linha de chegada foi hilária: uma série de "yeah, yeah, yeeeeaaaah!", recompensantes para a Toro Rosso que ficara no zero no Japão e ainda aplaudiu Vitantonio Liuzzi, em seu melhor desempenho, sendo sexto.

Jenson Button também foi notável. Pode-se resumi-lo como a antítese de Rubens Barrichello, medonho 15º colocado, retardatário do próprio companheiro. Em determinada parte da prova, o inglês também encaixou uma fila de melhores giros. Levou a Honda ao quinto lugar. Completaram a zona de pontos Nick Heidfeld, em dia apagado, e David Coulthard, que variou entre o quarto e o quinto lugares e finalizou só em oitavo, sofrendo pressão de Heikki Kovalainen.

Menções honrosas levam Alexander Wurz, primeiro a ousar a andar de pneus para piso seco, e Giancarlo Fisichella, com a Renault previamente acertada para tais condições. No fim, 12º e 11º, respectivamente, e o nada como prêmio.

Final:




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