Bruno Terena

Depois de 29 temporadas, a Pirelli deixa de fornecer pneus para a Stock
VICTOR MARTINS
de Brasília
Sai a Pirelli, em baixa, e entra a Goodyear. É uma das principais mudanças que a Stock Car vai apresentar na próxima temporada, que fazia parte, inicialmente, do pacote de introdução de um novo chassi — que foi adiado para 2009 por pressão das equipes em virtude do custo.
Já se ensaiava uma saída da Pirelli, parceira da categoria desde seus primórdios em 1979, quando seu contrato só fora renovado por mais um ano — e a "tradição" apontava para acordos trienais —, com a fabricação dos pneus deixando a Itália e passando a ser no Brasil (PZero). Vieram, então, as críticas pela qualidade dos compostos. Inicialmente, eram irregulares em relação aos antecessores; em Campo Grande, aflorou a polêmica de os novos terem pior rendimento que os usados e uma determinação da organização em "evitar" queixas desveladas publicamente. À boca pequena, as reclamações prosseguíam.
Concomitantemente, a Goodyear apresentava mais um esboço de entrar na Stock — anos atrás, a marca entregou dois jogos para a equipe Nascar, comandada por Aloysio Andrade Filho, mas a avaliação foi interrompida por questões de segurança; o modelo trazido tinha dimensões não apropriadas para os carros e, quando o ombro dos pneus começou a roçar a carroceria, os engenheiros optaram por abortar a avaliação. Representantes da montadora estiveram, à paisana, na segunda etapa do calendário em Curitiba, no início de maio, ficaram na miúda nos boxes e conversaram com alguns pilotos. Mês depois, Felipe Giaffone andou com o chassi novo e fez uma série de avaliações aqui na pista brasiliense com os pneus norte-americanos, acompanhado por representantes da CBA e da JL, ex-ZF, responsável pelo desenvolvimento do equipamento homologado pela entidade. O test-driver da Stock também foi a Americana, no interior de São Paulo, para testes na sede da fabricante.
Os pneus, de perfil mais alto, acompanham o processo de "nascarização" da Stock brasileira. Como lá, onde se utiliza Goodyear, foram avaliados formatos diagonais, fator que alinha com outros como patrocinadora principal — Nextel —, subdivisões — Busch e Craftsman Series nos EUA, Light, Júnior e futuramente a Pick-up Racing aqui — e playoff para definição do título.
A fabricação acontecerá no Brasil, mas equipamentos já começam a imigrar da sede estadunidense. As equipes da Stock principal terão de desembolsar R$ 4 mil pelo jogo — os Pirelli, informalmente, variam entre R$ 2,7 e R$ 3 mil; os de chuva chegam a R$ 5 mil por serem importados. Fala-se em três sets por fim de semana, sem possibilidade de guardá-los para posterior uso. Numa conta rápida, custarão numa temporada entre R$ 288 mil e R$ 436 mil aos times, que obrigatoriamente contarão com dois pilotos, dependendo da quantidade de provas inclusas no calendário — 12 ou 14.