Ah, o verão! O eixo da Terra, inclinado, deixa o Hemisfério Norte à mercê do sol que lhe é negado na estação oposta do ano. É assim que de solstício de verão a equinócio de outono (de junho a setembro), o sol passa a fazer parte dos habitantes da área (ah, Saint-Tropez de tantas recordações com seu mar transparente) que sôfregos sorvem cada raio, voraz e ritualmente.

Ah, o calor que provoca arrepio nos corpos abertos ao espaço, desnudados propositalmente para acompanhar as almas despidas. Calor que gera fotos convidativas, pinturas puntilistas (belo quadro de Saint-Tropez ainda pelo mestre do puntilismo Paul Signac) e saudades sem fim.
Enquanto isso, o coração, no verão, entra em inesperado ritmo de sangue frio, pulsando amores múltiplos, alimentando esperanças alucinadas e ritmando, frenético, cada sonho possível.
Nada melhor, então, do que combinar verão com férias para deixar acontecer de tudo, conforme estava designado.

Férias gerais que atingem também a F-1, afinal somos todos (inclusive antigos F-1 como esse esculpido na areia) filhos de Deus. É uma combinação explosiva capaz de provocar reviravoltas impressionantes no modo de pensar e de agir. Como no Hamilton que mostrou nas férias (e na praia) a sua nova face de conquistador.
Mas será que as cabeças pensantes são capazes de desligar? Serão elas capazes de sintonizar em outras ondas? Afinal de contas, as férias são invenção positiva ou mais um obstáculo no caminho?
Efeito férias
Depois de alguns dias de férias, porém, você não escapa de pensar quantas conseqüências positivas as férias trazem. Isso acontece porque, salvo raríssimas exceções, elas têm esse mesmo estranho efeito em todos nós: a partir do momento em que colocamos a cabeça para descansar, mais aumenta a vontade de voltar ao trabalho e fazer tudo aquilo que pensamos, só porque finalmente tivemos tempo para isso. Passam os dias, e mais aumenta a vontade de voltar ao trabalho e lidar com todas as tarefas que ainda temos pela frente. Acontece com todos nós, não importa qual a nossa atividade.
Às vésperas da retomada das provas do Campeonato Mundial de F-1, isso é ainda mais verdadeiro quando vemos quantos são os GPs envolvidos nesse desafio, por quantas deles já passaram equipes e pilotos e todos os que ainda restam pela frente.
Portanto, momentaneamente, se abstraiam do que vai acontecer sexta, sábado e domingo em Istambul. Deixem de lado as especulações e os sonhos dos dias de férias de verão. Entrem em sintonia com os GPs interiores, aquelas disputas inéditas, particulares, emocionantes e complementares, em vez do que acontece na pista.
Os GPs interiores
O "GP de Projetar o carro para 2007" foi o primeiro, o "GP de Arrumar os Patrocinadores e assinar os pilotos" foi outro deles, e que levaram ao "GP dos Testes de Pneus", ao "GP de Fazer as Modificações Sugeridas pelo Túnel de Vento", até aqueles que desviaram a atenção para além das pistas como o "GP da Copiadora de Woking e da Espionagem entre McLaren e Ferrari", o mais recente, "GP da Revolução Interna entre os Pilotos da McLaren e o Ron Dennis" e os nossos próprios "GPs das Manhãs de Domingo à Frente da TV Reparando no que o Galvão Fala Para Depois Ficar Reclamando".
Entre esses todos, ainda tem aquele GP especial, particular, único e inconfessável (se revelar não traz sorte, portanto boca de siri) que faz torcida, equipe e pilotos sorrirem só de pensar nele, aquele com o qual todos sonhamos enquanto não fazíamos nada durante nossas férias de verão.
Bronzeamento artificial

Mas como saber quem é que foi de férias mesmo e quem aproveitou para ficar fazendo a lição de casa? Quem se esbaldou apenas ou quem se esfalfou trabalhando soluções, saídas e planos? Afinal não tem como distinguir marquinha de biquíni causada por uma quinzena na praia daquela proveniente de algumas seções de bronzeamento artificial urbano.
Então, a partir desta sexta feira, dia 24, vamos poder tirar todas as dúvidas, lendo nas entrelinhas das composições "Minhas Férias" que todos tiveram tempo de escrever. Ou ninguém escreveu nada? Esqueceram? Não tiveram tempo? Será que eu estava esperando demais e andei pensando muito durante as férias? Acho que não deveria ter saído nem um instante, deveria ter ficado e arrumado papéis e idéias, deveria isso, deveria aquilo, deveria aquilo outro.
É, que estranho efeito as férias têm sobre nós... Melhor voltar logo às pistas.