Coluna Apex: O que será que será
Andre Jung
25/07/2007 - 12:12

Reprodução
Discussão entre Alonso e Massa
Discussão entre Alonso e Massa
Desde o surpreendente início de temporada de Lewis Hamilton, nós, o público, nos perguntamos como o jovem inglês iria se comportar quando tivesse que lidar com o imprevisto.

Largando da frente, com um carro que tem se mostrado inquebrável, o inglês estava sempre em situação privilegiada para colher bons resultados.

Nesse sentido, o GP da Europa foi repleto de situações para pôr à prova a real capacidade do rookie-star.

Na quarta-feira, ainda sofria uma febre alta. Mas desde os primeiros treinos, em nenhum momento deixou que alguma debilidade fisíca prejudicasse os excelentes tempos que vinha fazendo.

Aí, uma vez que ele ainda continuava firme, veio o azar, e veio com tudo para quebrar a rodagem dianteira direita em plena tomada de curva e levá-lo em linha reta para o trecho em que a barreira de pneus estava no ângulo mais perigoso.

Naquele instante, lembrei do acidente que quebrou a perna de Schumacher e o fez perder um campeonato; a posição e a velocidade da batida tiveram suas semelhanças.

Aí vem a dúvida, será que o cara vai conseguir correr? Uma vez autorizado, será que vai conseguir andar forte com as dores do acidente?

A locução da TV já aludia ao fato de Hamilton enfrentar problemas na base do "chegou o dia dele", "agora eu quero ver", e por aí vai.

E não é que, em poucos metros, sem depender das circunstâncias da corrida maluca que foi essa de Nürburgring, Lewis Hamilton, saído do décimo, já aparecia em quarto lugar?

Daí em diante, não vou me prender aos “ses”, mas ficou bem claro, para qualquer um, que ele tem mesmo o pé pesado e não desiste diante de um contratempo.

Alonso deu sorte, correu bem, é verdade, mas a essa altura já parece claro que Hamilton é mais veloz. Incrível, mas verdadeiro.

Mas não é só a velocidade que conta, e depois de descontar 12 pontos em apenas duas provas, o espanhol está muito próximo de conseguir a façanha do tricampeonato.

Dizem que ele e Ron Dennis não têm um bom relacionamento, e o abraço que o patrão deu em seu pupilo após o bate-boca com Felipe Massa não foi dos mais emotivos, mas Ron Dennis é sempre assim e fica difícil ler alguma coisa em seu comportamento.

Mas será que todo esse esforço vai ter alguma valia?

O caso Ferrari x Stepney/Coughlan pode vir a se tornar um caso Ferrari x Mclaren, e aí a coisa vai ficar muito feia para o lado do time inglês.

Já se sabe que o segundo na linha sucessória da McLaren, Martin Withmarsh, teve acesso ao conteúdo do dossiê afanado dos arquivos ferraristas, e isso é muito sério.

Teria partido de Martin, supostamente bem informado, a ordem para que a McLaren protestasse contra o então suposto fundo flexível dos F2007.

Quem mais sabia, e quanto essas informações influíram em procedimentos dos ingleses, é o que resta descobrir.

Um bomba que deve explodir em forma de punição, que há de ser severa, visto o tamanho da encrenca, mas que sem dúvida sofrerá um filtro político, uma vez que são muitos os interesses envolvidos.

Depois da divulgação do caso, a Ferrari (coincidência?) voltou a apresentar a vantagem que mostrava no início da temporada.

Em condições normais, está claro que os vermelhos estão mais velozes, mas os seguidos problemas de resistência fazem a Ferrari de hoje lembrar bastante a McLaren de três anos atrás.

Enquanto isso...

...deve ser o efeito Orloff, o famoso “eu sou você amanhã”, que embarcou junto com a bagagem de Kimi Raikkonen direto para o box ferrarista...

...no imbróglio pós-chegada, Felipe Massa fez muito bem ao não deixar o espanhol posar de vítima...

...e a fábula da lebre e da tartaruga teve mais um capítulo, queimando a língua (ou seria o teclado) do colunista aqui, que há pouco cobrava uma atitude da Williams em relação ao quelônio Alexander Wurz.
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