Estamos entrando na reta final do campeonato e Lewis Hamilton tem uma ótima vantagem, sem qualquer dúvida. Ainda mais para quem sabe levar o carro inteiro até o final das corridas. Mas Alonso saiu de Silverstone muito confiante. Segundo os jornais espanhóis, por ter decidido não mais dividir tudo o que experimentar em seu carro com o companheiro de equipe. Agora, na hora da decisão, ele quer que seja cada um por si. Coincidência ou não, em Silverstone Hamilton correu com um acerto de suspensão traseira diferente, gastou muito pneu e terminou a corrida 37 segundos atrás do espanhol.
Para Alonso, o fato de a Ferrari estar melhor do que a McLaren no momento pode ser bom. Ele conta com isso para tirar mais pontos do Hamilton, acreditando que entre ele e o inglês possa ter sempre pelo menos uma Ferrari nas próximas corridas. No cálculo de Alonso, se ele conseguir andar à frente de, pelo menos, um dos carros da Ferrari, o outro estará tirando pontos do Hamilton. Um resultado desse lhe valeria quatro pontos no plano de caça à liderança do campeonato. Na pior das hipóteses, ele fica atrás tanto de Massa quanto de Raikkonen, mas à frente do inglês – vale dois pontos. E na melhor, que é o que ele espera em pistas mais travadas como Nurburgring e Hungaroring, ele vence a corrida e Hamilton fica fora do pódio. Esta valeria cinco pontos.
O novo joguinho de Alonso parece bem interessante, embora alimentado de um otimismo exagerado. Para dar certo, é preciso que Hamilton perca a autoconfiança, a maturidade, a tranqüilidade e tudo o mais que tem demonstrado desde a corrida de estréia. E mais, que perca também o apoio que vem recebendo da McLaren. É muito claro que a equipe vibra mais com as conquistas de Hamilton do que com as de Alonso. E isso deve ter sido originado lá atrás, quando o espanhol reclamou de privilégios que estariam sendo dados ao inglês.
Para nós e para a F-1, quanto mais rivalidade, melhor. A tendência é a briga esquentar bastante de agora em diante. Faltando oito corridas, são 80 pontos em jogo e o inglês está 12 pontos à frente de Alonso, 18 de Raikkonen e 19 de Massa. Esta reação do finlandês superando o brasileiro também traz uma mudança significativa. Ele já é o sujeito que mais venceu no ano (três vezes) e a briga interna da Ferrari, que parecia questão resolvida, volta à estaca zero. Acordaram o Kimi. A explicação que sempre me deram para a seqüência de maus resultados era a dificuldade que ele encontrou para conhecer plenamente o comportamento do carro com os pneus Bridgestone. Algo característico do carro da Ferrari, porque Alonso não encontrou a mesma dificuldade no carro da McLaren. Os dois vieram da turma que corria de Michelin. Como também veio a McLaren. Ao contrário da Ferrari.
Esta maior experiência de Bridgestone pode ter ajudado a Ferrari a recuperar-se rapidamente depois daquele inferno astral vivido entre Mônaco e Indianápolis. O problema é que, nessa altura do campeonato, ter o melhor carro pode não ser suficiente. E como seria engolir a derrota nos dois campeonatos – pilotos e construtores – mesmo tendo o melhor carro? Por enquanto, é o que está pintando. Mas que tal lembrar que ainda faltam oito corridas?