Coluna Apex: Duelo em Maranello
Andre Jung
04/07/2007 - 16:22

Marta Oliveira


O GP da França foi, dentro dos padrões de Magny-Cours, bastante movimentado e interessante. E, mais do que isso, crucial para manter o interesse na temporada 2007.

É óbvio que o ressurgimento em grande estilo da Ferrari foi o fato mais importante. O time esteve sempre na ponta dos cascos, comprovando os excelentes resultados dos testes em Silverstone.

Tivemos, algo raro na temporada, um piloto que não saiu da pole-position como vencedor, e mais uma vez o prejudicado foi Felipe Massa, aquele a saborear o resultado mais amargo da corrida.

Perdeu uma prova que em tese deveria ser sua, e perdeu para seu companheiro de equipe, o cada vez mais perigoso Kimi Raikkonen.

No GP de Indianápolis, Kimi se refez de uma má largada e conseguiu descontar a diferença para Felipe, mas sem possibilidade de ultrapassagem.

No entanto, demonstrou que seu ritmo de corrida havia sido superior ao do brasileiro. Agora, na França, depois de finalmente realizar uma boa largada, conseguiu manter Felipe na mira todo o tempo, até suplantá-lo na última parada.

Também fez sua classificação com um bocado a mais de gasolina no tanque e, sem dúvida, esse resultado serve como um estímulo e tanto no duelo doméstico que no início da temporada pendia claramente para Massa.

Kimi está se encontrando na hora H, uma vez que se perdesse de Massa mais uma vez a equipe teria razões de sobra para priorizar o brasileiro na segunda metade do campeonato.

Com o acirramento da disputa na casa da Ferrari, quem fica em ótima situação é o rookie-star Lewis Hamilton que, mesmo perdendo para os dois ferraristas, abriu distância para o segundo colocado na tabela.

A sorte tem estado ao lado do inglês, mas nesse esporte, quase sempre a sorte está ao lado de quem merece.

Alonso deve lembrar como um motor estourado abriu caminho para seu bicampeonato. Título muito disputado mas inteiramente merecido, especialmente depois do nebuloso episódio da proibição dos mass-dampers.

Na prova, o espanhol, foi responsável por um autêntico show e, diante das condições impostas pela estratégia, que contava com uma largada na primeira ou segunda fila, fez um esforço enorme para uma pequena recompensa. Mas sua ultrapassagem sobre Heidfeld foi, até agora, a melhor do ano.

Bela corrida também fez Jenson Button, que travou e venceu o duelo com Nico Rosberg pela zona de pontos. O novo pacote da Honda, que incluiu, além de uma revisão aerodinâmica, uma nova suspensão dianteira, foi um grande avanço, e a sexta melhor volta da prova, marcada pelo inglês, uma evidência incontestável.

Outro piloto que deve ser destacado no GP da França é esse jovem alemão Adrian Sutil. Na largada, com problemas no carro titular, teve de trocar para o reserva e largar dos boxes.

Ainda assim, com poucas voltas, já havia superado Christijan Albers, que, mesmo sem o grave erro que cometeu na saída do pit stop, já tinha seu emprego seriamente ameaçado, diante da velocidade do seu companheiro estreante.

Basta ver que, ao volante do carro reserva, Sutil fez sua melhor volta com quase um segundo de vantagem para o melhor tempo de Albers.

Enquanto isso...

...Ron Dennis tenta minimizar a derrota para a Ferrari, afirma que a estratégia com Hamilton (supostamente de duas paradas) foi alterada em meio à prova, não quer assinar embaixo do fato de que mesmo com muito mais gasolina as Ferrari classificaram melhor...

...agora se vê enrascado com o cada vez mais complicado caso Nigel Stepney; já está tomando medidas cautelares contra uma possível ação da Ferrari, mas muita coisa ainda deve vir à tona...

...quando um piloto com desempenho medíocre elogia a si próprio, é sinal que sua hora já passou. Alex Wurz, aparentemente “bom e barato”, tem sido uma grande decepção e Frank Williams, com um bom cockpit nas mãos, não pode assistir a isso de braços cruzados.
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