VICTOR MARTINS
de São Paulo
Quando Marco Andretti despontou para o automobilismo e todas as relações feitas com seu pai e avô foram dissecadas pela imprensa, a grande preocupação do garoto foi evitar exatamente qualquer tipo de comparação com seus ascendentes. Fato inevitável e impensável. Chegou à Indy Pro Series pela porta da equipe coordenada pelo pai e pulou à IRL da mesma forma em 2006. Quase obteve a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis do ano passado, auxiliado também na pista por Michael, triunfou em Sonoma e ganhou um convite para testar um carro da Honda na F-1. Nesta temporada, em que se esperava que estivesse nas cabeças, decepciona: 12º lugar, 192 pontos atrás do companheiro e líder Dario Franchitti e último da esquadra quádrupla da Andretti Green — até Danica Patrick está melhor, em nono.
Para não passar por um processo de "fritura" nos EUA e perder a chance de um dia chegar à F-1, Marco já estuda seriamente a possibilidade de abandonar a série de predominância dos ovais e partir para a Europa tão logo chegue 2008. Segundo o
Grande Prêmio apurou, Andretti pôs na cabeça que quer ir para a GP2 no ano que vem. E com o apoio da montadora japonesa, que o vê com bons olhos, pretende se transformar no segundo piloto de testes do time chefiado por Nick Fry e que tem como titulares Rubens Barrichello e Jenson Button — e, atualmente, o austríaco Christian Klien como test-driver.
A idéia deve amadurecer assim que o fim do campeonato vier, em setembro. Apesar da criação em ovais, Marco tem ótimo desempenho em circuitos mistos — tanto que conseguiu sua única vitória neste tipo de pista. Se quiser projeção no automobilismo, a tendência é que ele deixe mesmo a América. Aval de Michael e Mario, obviamente há, até porque ambos correram na F-1 — o avô foi campeão em 1978 e o pai foi um desastre, sendo demitido da McLaren em sua única temporada, 1993. E para não ser como o pai e seguir o avô, crê que precisa da "escola" da F-1 para se aperfeiçoar.