Montreal concentrou neste domingo (10) o que as cinco corridas anteriores não apresentaram: emoção, agregada de um susto enorme por um acidente terrível. E permitiu a Lewis Hamilton, enfim, comemorar sua primeira vitória na F-1, livrando oito pontos de frente no campeonato para um pressionado Fernando Alonso, apenas sétimo — e que deve sair aos risos com tal posto.
Hamilton foi um dos únicos na prova que esteve longe de problemas. Só na largada, quando viu Alonso e Nick Heidfeld tentando ultrapassá-los, é que viu a adrenalina subir. O alemão conteve-se e sustentou seu posto; já Fernando arriscou a ultrapassagem e escapou. Foi à grama e voltou em terceiro. Até aí, a corrida caminhava com a mesmice de sempre, com ultrapassagens raras no pelotão do fundo.
Na volta 23 o destino da corrida começou a mudar: Adrian Sutil, que já havia ameaçado beijar os muros no treino, executou a tentativa na prática e acertou a parede entre as curvas 4 e 5. O carro de segurança fez-se presente pela primeira vez no Mundial.
Aí Alonso e Nico Rosberg, terceiro e quinto até então, esqueceram que a regra mudou e partiram para os pits. Quando o safety-car entra, os boxes fecham. Ambos tomaram um drive-through de dez segundos. Metade dos pilotos, assim que foi permitida a troca de pneus e reabastecimento, entrou. Entre eles Felipe Massa e Giancarlo Fisichella, que desrespeitaram o sinal vermelho de saída dos pits, enquanto Kubica ficou paradinho.

A bandeira verde veio com o grande susto do ano: Robert sofreu grave acidente na chegada da curva do grampo do circuito Gilles Villeneuve. O polonês vinha para passar Trulli, tocou o italiano, escapou, foi à grama, quase pegou a traseira do carro de Scott Speed, que estava estacionado no lado interno, foi de encontro ao muro e capotou. Seu carro foi catapultado para o outro lado da pista, foi ao guard-rail com a parte de baixo do F1.07 e assim parou.
As informações que se seguiram davam conta de que o piloto chegou falando no hospital da cidade quebequense e que não corria risco de morte. Um alívio diante da cena da batida.
VEJA AS FOTOS DO ACIDENTE e
ASSISTA AO VÍDEO DA BATIDA.
Hamilton e Heidfeld continuavam na frente, com serenidade, enquanto Mark Webber e até Anthony Davidson chegavam a figurar em terceiro. Alonso partiu para uma corrida de recuperação. Mas afobado do jeito que estava, todo esforço pareceu em vão. O espanhol errou mais três vezes, no mesmo ponto - entre as curvas 1 e 2, desgastando em demasia seus freios.

Por mais duas vezes a bandeira amarela foi acionada pelo diretor de prova, nos acidentes de Christijan Albers e Vitantonio Liuzzi, que vinha em quinto com sua Toro Rosso. Neste intervalo é que os comissários julgaram a infração de Massa e Fisico, dando a ambos bandeira preta. O brasileiro, mostrado depois pela TV ao lado do irmão Dudu, mostrou seu desagrado com o polegar para baixo.
Na confusão toda, Rubens Barrichello surgiu em um terceiro lugar. Mas se a Honda já tem dificuldade em fazer carros, que dirá de estratégia. Não chamou seu piloto para trocar os pneus macios para os supermacios, só fazendo isso a pouco menos de dez voltas para o fim. E com os pilotos todos juntos por força do safety-car, retornou em último.
Coube, veja só, a Alexander Wurz, 20º no grid, ameaçado na Williams, o terceiro lugar e o pódio dos sonhos. Ficou para Heikki Kovalainen, último na grelha, achincalhado e sob pressão na Renault, a quarta posição. Kimi Raikkonen na frágil Ferrari, em todos os sentidos, foi quinto, com um impetuoso Takuma Sato em sexto.
Sato que passou Ralf Schumacher, um ex-piloto na ativa, e Alonso no fim da prova. O bicampeão já não conseguia mais frear. Foi sétimo, se arrastando.
Final:
Leia também no Grande Prêmio:
Assista ao acidente de Kubica durante prova
BMW diz que condição de polonês é "estável"
Resultado do acidente: Kubica quebra perna
Hospital: Kubica não tem lesões, nem fratura
Massa reconhece a superioridade da McLaren
Britânico diz que quer descansar após vitória
"Poupei meus pneus mais duros", conta Wurz
Austríaco volta a pódio após década de hiato
Barrichello podia ser quinto. Terminou em 12°