De nada valeu a F-1, os organizadores do circuito de Montmeló e quem quer que tenha obtido semelhante idéia de construir uma chicane antes da reta principal para que o GP da Espanha apresentasse ultrapassagens. Na nova fase da categoria, de decisão no começo da prova, valeu o arrojo de Felipe Massa em jogar o ídolo da nação para fora da pista e rumar por mares d'antes navegados.
É porque está virando característica
sine qua non de Massa triunfar desta maneira. Na Turquia e no Brasil, no ano passado, e no Bahrein, partiu na frente e deu voltas, voltas e mais voltas sem ser importunado.
No que tange à prova em si, o brasileiro partiu, manteve-se diante de Fernando Alonso, que usou o vácuo e tentou por fora, no fim da reta, a ultrapassagem. Conseguiu por segundos e se posicionaria à frente não fosse a persistência de Felipe, que manteve sua trajetória e o tangenciamento da curva e obrigou o espanhol a ir para a brita. Nessa, Alonso perdeu posições para o companheiro Lewis Hamilton e para o parceiro de Massa, Kimi Raikkonen.
Provavelmente assim seria até o fim das 65 voltas — seriam 66 se Jarno Trulli, sexto no grid, não tivesse deixado o motor da Toyota apagar no grid. Mas o finlandês voltou a ter aqueles átimos de azar: um problema elétrico, a priori, tirou-o na 14ª passagem.
Hamilton, segundo, consegue a proeza do quarto pódio na carreira, em quatro provas, e a inesperadíssima liderança: 30 pontos. A vitória alçou Massa aos 27, um a menos que Alonso.
O quarto posto, que normalmente caberia a Nick Heidfeld, ficou desta vez com o polaco Robert Kubica. O alemão teve problemas com uma porca em sua primeira parada nos pits. O mecânico prendeu-a porcamente, para aproveitar o trocadilho, e assim que Nick arrancou, a peça foi parar nos pits da Toyota, ostentada orgulhosamente por um mecânico.
Mecânico que pouco trabalhou, afinal os dois carros da equipe japonesa não completaram o GP.
E na gradação, equipe japonesa do momento é a Super Aguri, que conseguiu seu primeiro pontinho na F-1 com Takuma Sato, oitavo. O nipônico superou Rubens Barrichello na pista e suportou a pressão de Giancarlo Fisichella e a fracassada Renault para que Aguri Suzuki se enchesse de orgulho e, mais tarde, de saquê.
Parecia um dia em que a Honda, pelo excesso de abandonos, terminaria nos pontos. Cantaria Maria Bethânia: "Sonho Meu...". Rubens Barrichello e Jenson Button, quase que em uma conferência ecológica, uma espécie de Eco-2007, encontraram-se na pista e se tocaram após o inglês deixar os boxes em sua primeira parada. A asa de Button foi-se, algo que não poderia acontecer para uma equipe tão defensora da fauna e das aves. Décimo lugar para Rubens.
A Red Bull chegou, enfim, na zona de pontos, com David Coulthard, que terminou em quinto. Nico Rosberg (Williams) e Heikki Kovalainen (Renault), sem erros, vieram na seqüência.
É. Quem viu só o primeiro trecho da prova pela TV não perdeu muito em ver a suma santidade figurar em sua missa em Aparecida do Norte...
Final:
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