É bem notório que a Honda errou totalmente na mão de seu carro. O que levou a isso torna-se uma discussão à parte — e pode-se chegar à conclusão que a ausência de patrocínios e o marketing para uma "Terra dos sonhos" sejam motivos fortes. E no contexto desse mundo mais livre que apregoa, Rubens Barrichello expressa a quem quiser ouvir que chegou ao limite da paciência.
Quarta colocada no Mundial do ano passado, a Honda intensificou o discurso na pré-temporada de que a meta em 2007 seria brigar por vitória — mais de uma. A sina do brasileiro ontem em Sakhir é a anti-explicação: passou a prova brigando com Ralf Schumacher sempre entre 15º e 17º. Por conta de abandonos, cruzou a linha de chegada em 13º.
E assim foi nas provas anteriores. A do Bahrein ainda representou uma evolução para Rubens, no sentido de que foi a primeira em que o piloto passou da primeira fase do treino classificatório. E três corridas bastaram: "Não dá".
Barrichello não falou isso apenas internamente. No GP deste domingo (15), foi assim, via rádio. "Não dá para guiar um carro assim. Este carro é o pior que já guiei em uma corrida", desabafou. E depois, à imprensa brasileira, falou que "já está na hora de um carro novo".
Rubens está desde 1993 na F-1 e por muitas vezes citou os tempos iniciantes de Jordan como os piores. Partiu para a Stewart e depois para a Ferrari. Deixou a patota de Maranello para tentar ser campeão por uma equipe em que dinheiro não é problema, que não tem jogos de equipe, onde não teria que engolir sapos. Pois eles brotam e proliferam na Honda preocupada com a fauna. E nessa altura da carreira de Rubens, segundo mais velho da F-1, podem ter influência decisiva numa eventual aposentadoria.
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