O melhor e o pior
Reginaldo Leme
29/12/2006 - 10:53

Está terminando um ano que, sem desprezar os anteriores, foi forte para o brasileiro. Por ordem de importância, ele elegeu seu presidente, perdeu uma Copa do Mundo de forma que jamais esquecerá e terminou o ano vendo um piloto de macacão verde e amarelo ganhar o GP do Brasil 13 anos depois da aclamação que Ayrton Senna recebeu do torcedor em plena pista de Interlagos.

Ficando apenas no nosso cantinho, que é Fórmula 1, o fato do ano foi a aposentadoria de Michael Schumacher. Não é nada comum assistir ao fim da era do maior piloto de todos os tempos. Reconheço ser enorme privilégio ter vivido de perto o melhor momento do automobilismo brasileiro — 8 títulos mundiais e 91 vitórias — e, na seqüência, as 249 corridas de um piloto que virou referência para as gerações que vierem por aí. Vai sobrar um vazio? Provavelmente sim. Mas também não se pode negar que a presença de um super-herói quase sempre imbatível já estava cansando. Tanto que, apesar da admiração que o mundo tem por Schumacher, muita gente torceu para vê-lo derrotado por Alonso.

Se existe alguém em condições de substituir Schumacher, o primeiro da fila, sem dúvida, é o espanhol — tem a técnica, a audácia e ainda completa tudo isso com a experiência de um veterano, aos 25 anos de idade. Mas não é do que a F-1 precisa no momento. É melhor que não apareça um substituto imediato do alemão. Mas que venha a conseqüência mais desejada desta aposentadoria: o equilíbrio nos próximos campeonatos.

Do que foi vivido este ano, fica a grande satisfação de ver a música dos Mutantes voltar melhor ainda do que já era — a idade aperfeiçoa! — e o New York Times comparar a arte da guitarra de Serginho Dias à de Eric Clapton e Santana. E, como resultado disso, ver o Dinho Leme realizado como não vejo há 30 anos. Não precisava mais nada. Mas um outro momento feliz me levou de volta ao passado, que foi rever, num ambiente de autódromo (Magny-Cours), a base do Pink Floyd, na guitarra de Roger Waters e a bateria de Nick Mason, executando aquele que minha geração considera o melhor disco gravado no mundo, o Dark Side of the Moon.

Tudo isso ao lado de grandes companheiros (Fábio Seixas e Guilherme Mynssen) e dele... Michael Schumacher, o personagem principal desses últimos 15 anos da F-1. Ainda bem que existiram esses momentos para apagar o vexame da Copa. Não a derrota, mas a vergonha de ter perdido sem honra, sem vontade, sem coragem, sem futebol.



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