Coluna Grand Prix: À espera do anúncio
Reginaldo Leme 01/09/2006 - 07:52
| Reuters |
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| Montezemolo e Schumacher: duas figuras fundamentais daqui a uma semana |
Não é coisa de torcedor que quer ver, a qualquer custo, Felipe Massa correndo e ganhando mais corridas pela Ferrari no ano que vem, mas já começo a desconfiar que nada está 100 por cento garantido naquilo que a equipe vai revelar em Monza. Os indícios vêm de conversas de bastidores, de especulações da imprensa mundial e do último encontro que Schumacher teve com Luca di Montezemolo. O fato é que, não sei se disfarçando bem ou já conhecendo um desfecho favorável, Felipe parecia sempre muito tranqüilo. Agora, menos. O que prova que a vitória espetacular de Istambul nada tem a ver com o anúncio a ser feito.
Tudo o que a Ferrari preparou para o encontro com a imprensa em Monza tem a cara de despedida do maior piloto da história. A decisão estava tomada. Mas pode ter mudado. Com Schumacher, tudo pode. Então vamos raciocinar juntos e, aí, vocês concluem se eu estou louco ou se o raciocínio tem lógica. Vamos lá! Ao sentir quer a Ferrari cresceu, mas um pouco tarde para derrotar Alonso, Schumacher teria convencido Montezemolo de que se tivesse mais um ano para tentar, além de tudo com todos correndo de Bridgestone, o oitavo título seria bem viável. Quanto a Raikkonen, vetado pelo alemão, não precisaria devolver a antecipação de € 4 milhões para ser convencido de que o momento não era este.
E onde correria o finlandês? Um telefonema para a McLaren e/ou a Renault, resolveria o assunto. Aliás, dois telefonemas. Um do próprio piloto e outro, de Bernie Ecclestone, que nessas horas costuma entrar para resolver. Pelas circunstâncias, não está difícil. A McLaren faria negócio em questão de segundos. Para não ter de promover Pedro de La Rosa e ficar com dois espanhóis titulares nem acelerar a estréia do garoto-prodígio Lewis Hamilton, um novo contrato com Kimi, mesmo que de um ano só, cairia como uma luva.
A Renault também está sem opções para formar uma dupla forte. Fisichella já mostrou que não é cara. E Heikki Kovalainen ainda vai precisar de tempo para poder desenvolver na F-1 o talento que, certamente, ele tem. Trabalhar um ano ao lado de Raikkonen faria bem. Mas vamos complicar um pouco mais: e se, no final dessas 4 corridas, Schumacher ganhar o título ? Claro que é possível e, portanto, não dá para abrir mão de Raikkonen. Sobrou para Jean Todt a difícil tarefa de convencer o alemão a esquecer o veto ao finlandês caso os dois tenham de correr juntos em 2007.
Portanto não estranhem se o comunicado da semana que vem não esclarecer nada. Vou estar lá pra ver a cara do presidente Montezemolo na hora de dizer que a equipe terá Schumacher, Raikkonen e Massa. Três pilotos para dois carros. O do meio corre, com certeza. Se tudo der certo, o primeiro vai pescar. E se der tudo errado, o outro volta a ser piloto de teste.
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