Sebastian, 15 anos depois, recorda Spa 1991
Warm Up
25/08/2006 - 16:15

Forix
Há 15 anos, Schumacher estreava na F-1
Há 15 anos, Schumacher estreava na F-1
Spa-Francorchamps acordou em clima de revolta naquele domingo, 25 de agosto de 1991. No asfalto do circuito belga, que receberia a 11ª etapa do Mundial, a torcida pintara mensagens de apoio a Bertrand Gachot. O ídolo local fora preso dias antes por usar spray paralisante em uma briga de trânsito e não participaria da prova.

Nos boxes, vários pilotos se solidarizavam vestidos com camisetas pedindo que o amigo fosse solto. Em meio à comoção pela ausência do belga, alguém alheio ao alvoroço. Michael Schumacher, alemão, 22 anos. Um quase-desconhecido, pinçado na equipe da Mercedes no Mundial de Protótipos, escolhido pela Jordan para pilotar o carro 32, substituindo o infrator.

Campeão da F-3 alemã e colecionador de títulos no kart, Michael impressionou logo de cara: foi 11º na primeira sessão livre de que participou e, no treino classificatório de sexta-feira, terminou em oitavo. Detalhe: era sua estréia ao volante de um F-1 e seu conhecimento da pista resumia-se a algumas voltas de bicicleta, na véspera.

No sábado, o alemão foi ainda melhor: quinto na sessão livre e sétimo no grid de largada. A terceira fila, entre as Benetton de Nelson Piquet e Roberto Moreno, espantou a categoria.

No warm-up, treino de aquecimento na manhã de domingo, mais uma boa performance; quarto melhor tempo, atrás somente de Patrese, Mansell e Senna. A expectativa em torno da corrida do alemão crescia. Veio a largada e Michael partiu bem. Quando ia em direção à Eau Rouge, brigando pelo quinto lugar, um problema na embreagem pôs fim à sua prova de estréia.

Mesmo abandonando na primeira volta, Schumacher impressionou. Na corrida seguinte, foi parar na Benetton e segue até hoje, dono de sete títulos e de todos os recordes da categoria.

Exatos 15 anos depois, a Alemanha assiste a uma história com início parecido — marcada por coincidências históricas. Sebastian Vettel, 19, o mais jovem piloto a participar de um fim de semana da F-1, foi o mais rápido em seu primeiro dia de treinos na categoria, nesta sexta-feira.

Também cria de uma montadora — a BMW, arqui-rival da Mercedes —, o piloto ganhou a chance de guiar o terceiro carro do time em cima da hora. Depois da ascensão de Robert Kubica ao posto de titular e da demissão de Jacques Villeneuve, a equipe ficou sem piloto de testes. Foi então que deram a chance ao pupilo, vice-líder da F-3 européia.

A superlicença só saiu na quarta-feira. Vettel, 98 voltas de F-1 no currículo, jamais havia pilotado no circuito de Istambul. Tal qual Schumacher há 15 anos, impressionou. Mas, diferentemente do compatriota, sequer poderá alinhar no grid.

Com a aposentadoria de Michael cada vez mais próxima, a torcida alemã começa a procurar por um substituto. E, pelas coincidências — e por enquanto, nada que vá muito além disso — Vettel surge como candidato a ídolo.

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