Diário dos Sertões: Chegada traumática
Paula Parreira 04/08/2006 - 15:57
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| A beleza da paisagem no final dos Sertões |
A chegada em Porto Seguro não foi tão tranqüila assim. A gente só esquece o trauma rápido porque é Porto Seguro. Mas a última cena do nosso filme de faroeste em Cândido Sales começou ontem à noite e terminou só hoje de manhã.
Um caminho que o carro do Carneiro, por exemplo, que leva alguns jornalistas, fez em 6 horas, a gente fez em 10h30. É verdade. Deixamos Cândido Sales às 20h30 de ontem e só chegamos ao nosso hotel por volta das 7h da manhã. Sim, passamos a noite inteirinha viajando na van. Mas nós escolhemos assim. Quisemos conferir como era a cidade da oitava etapa e, uma vez lá, não quisemos ficar. Pagamos o preço.
Agora, a vida é outra: hotel maravilhoso, comida gostosa, roupa limpa, banhos decentes, o fim do rali, a festa da chegada, shows, coletiva final de imprensa... Tudo é comemoração. O Robert Nahas, por exemplo, campeão entre os quadriciclos no ano passado, já veio aqui na sala de imprensa. Ele não completou a prova deste ano porque teve problemas em dois dias, mas está aqui para o encerramento.
Depois de uma chegada traumática, tomamos um bom banho e dormimos, para almoçar direto depois. Nossa sala de imprensa é de frente para o mar e o parque fechado está lindo. Só aguardamos o desfile dos carros pelas areias. Acho que vai ser lindo. Só algo não está perfeito: chove em Porto Seguro. E parece que vai ser assim o fim de semana inteiro.
Mas a animação é total. O Rali dos Sertões é aguardado com uma festa muito legal. Aqui tem a passarela do álcool, o lugar das baladas. E hoje o slogan é: "Passarela do álcool, do diesel e da gasolina". Outro slogan por aqui: "Os índios chegaram primeiro, depois os portugueses. Agora é a vez do Rally dos Sertões".
E como é a terra do axé, já demos de cara com uma banda durante o almoço. O É o Tchan vai fazer um show hoje à noite. A Camila Valadares, minha super companheira de viagem, até tirou foto. O engraçado é que ontem mesmo nós duas ainda comentávamos: "Se a gente der de cara com a Ivete Sangalo, eu tiro uma foto", me disse ela. Dito e feito. Camilinha tem a foto para a posteridade. Se pelo menos fosse o Cachorro Grande... Essa sorte eu não dou.
A aventura terminou. O comentário geral por aqui, até mesmo dos jornalistas que acompanham a prova pela primeira vez, é que numa viagem como essa a gente altera o referencial. Durante dez dias, a gente não tem necessidade nem de metade das coisas do nosso dia-a-dia comum em capitais. Eu não sinto falta. É claro que tem os momentos em que eu páro e penso: "O que estou fazendo aqui no meio do nada?" Mas passa logo. E não é no meio do nada. É no meio de gente como nós mesmos, que só vive de uma maneira diferente da nossa.
É surpreendente o modo de vida no interior do Brasil? É. Mas é o tal referencial que a gente tem. Só é uma pena a gente passar por tudo isso tão rápido, em tão pouco tempo. Eu guardo as cenas de todas as cidades e de todas as pessoas que conheci. Como verdadeiras lições de vida.
Paula Parreira é editora-assistente do caderno de Esportes do jornal "Diário da Manhã", de Goiânia. Pela segunda vez consecutiva, acompanha a caravana do Rali dos Sertões durante a competição, que terá duração de dez dias. Nasceu em Itumbiara, cidade ao Sul de Goiás, e tem 23 anos. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2003. Torcedora de Flamengo e Vila Nova, é solteira e não tem filhos. Para entrar em contato com ela no meio da trilha do Sertões, é só mandar um e-mail para paulaparreira@yahoo.com.br.
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