Diário dos Sertões: Banheiro baiano
Paula Parreira 31/07/2006 - 19:42
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Pensava que a viagem de hoje seria mais tranqüila, mas foram quase 600 quilômetros. Mal entramos na van, fomos premiados com uma bronca da Ana Lúcia Moraes, da assessoria de imprensa. Ela cobrou pontualidade de todos. E tem toda razão. Na saída de Palmas (TO) para Corrente (PI) atrasamos, no mínimo, uma hora. Era para sairmos às 4h e pegamos a estrada só às 5h. Ontem, o atraso foi de cerca de meia hora.
No meu primeiro rali, no ano passado, a cobrança por disciplina e pontualidade também era constante. E só eu me atrasei duas vezes também. Minha cota por aqui já acabou. Agora é tentar acordar no horário, mesmo que com muito sono e pensar mais no grupo. Atrasos comprometem a viagem. A gente já está suscetível a atrasos, porque não conhecemos a estrada. Se ela for muito ruim, quanto mais cedo sairmos, é melhor.
Na noite anterior, dormimos pouco (só duas horas e meia, mais ou menos). Passei a manhã toda dormindo na van, mesmo sem conforto algum. Não encontramos lugar algum para almoçar e viemos direto para Barra (BA). No meio da viagem, conseguimos ver um filminho e nos distraímos um pouco.
A 26 quilômetros de Barra, paramos para procurar um banheiro. O povoado chamava-se Estreito e fiquei impressionada com o que vi por lá. Eu sempre me divirto com o quanto os paulistas se impressionam com coisas que, para mim, são comuns em Goiás. Um exemplo? Estradas precárias. Isso não existe no interior de São Paulo ou no Rio Grande do Sul. Mas na rodovia federal que liga Goiânia a Itumbiara, que é minha cidade natal, a pista é péssima. E aí o pessoal que nunca vê isso tira foto e fica surpreso.
Outra surpresa de todos foi quando passamos por um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra. Os colegas paulistas e uma brasiliense ficaram impressionados. Para nós, de Goiânia e interior de Goiás, isso é comum.
Mas o povoado de Estreito me impressionou de verdade. Lá tinha um Posto de Vigilância Sanitária do Estado da Bahia. Pedi por um banheiro e não havia nenhum. Havia duas casinhas atrás da sede do órgão estadual. Fui pedir para usar numa delas. Bati palmas. Uma menina que estava lá no Posto veio. Luciene, 13, foi super solícita. “Pode sim. Entra aqui”, disse, me levando para os fundos.
Lá no fundo da casa, ao lado das instalações do porco e da gaiola do papagaio, tinha uma trilhazinha aberta num terreno íngreme. “Pode ir lá em cima”, me indicou. Não caiu a ficha, tamanha era a surpresa. “Mas não tem banheiro?”, perguntei. Não tinha. O banheiro era improvisado no mato bem ali naquela subidinha. E numa casa que ficava atrás do Posto de Vigilância Sanitária do Governo Estadual.
Hesitei. Depois da experiência de “ir ao banheiro” no meio daquela estrada deserta no caminho de Palmas para Corrente, não queria repeti-la nunca mais. Voltei, mas depois mudei de idéia. Subi e usei o “banheiro”. Na volta, Luciene me esperava. Era uma hospitalidade incrível. Agradeci e pedi para tirar uma foto dela. Ele deixou. Daí pedi para tirar uma foto com ela. Pedido aceito. A Glenda Carqueijo também fez o mesmo. Luciene viu a foto e adorou. Na saída, nos desejou uma boa viagem. E ainda posou para fotos na frente da casa.
Errata: o internauta Marcelo Soares mandou um e-mail esclarecedor corrigindo o nome de algumas cidades da última coluna. Não é Caseral, e sim Corceral. Também não é Formosa do Rio Preto, e sim Formoso. Obrigada, e continue acompanhando a aventura.
Paula Parreira é editora-assistente do caderno de Esportes do jornal "Diário da Manhã", de Goiânia. Pela segunda vez consecutiva, acompanha a caravana do Rali dos Sertões durante a competição, que terá duração de dez dias. Nasceu em Itumbiara, cidade ao Sul de Goiás, e tem 23 anos. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2003. Torcedora de Flamengo e Vila Nova, é solteira e não tem filhos. Para entrar em contato com ela no meio da trilha do Sertões, é só mandar um e-mail para paulaparreira@yahoo.com.br.
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