Coluna Warm Up: A redonda
Flavio Gomes 08/06/2006 - 01:29
| AFP |
 |
 |
| O Brasil faz o mundo parar para vê-lo na Copa. E a F-1 continua |
Ela é redonda, e por onde passa arrasta multidões. Turbas apaixonadas, que seguem seus caminhos, lotam arquibancadas, agitam bandeiras, soltam rojões, seguem-na por todos os cantos do mundo, vibram e gritam.
Ela faz parta da história da humanidade, mudou seus rumos, dizimou fronteiras, fez rir e chorar, emocionou gerações, ainda emociona.
Ela rola em qualquer pequeno espaço de chão, seja de terra, grama, areia, lama, asfalto. Veloz, alça o homem à glória ou à tragédia, abre sorrisos, derrama lágrimas.
Ela é lúdica e universal, fluida, perfeita, nela é preciso confiar, acreditar, apostar, por ela torcer, a ela, reverenciar.
Ela é comandada por pés audaciosos e criativos, aos pés responde com precisão e graça, contraria conceitos, desafia a geometria, não pode parar, não pára nunca.
Ela consagrou heróis e artistas, criou ídolos, dela nasceram deuses erguidos ao olimpo, aclamados por povos sedentos de vitórias e conquistas.
Nos próximos 30 dias ela será, no entanto, esquecida, deixada de lado, desprezada pela maior parte deste imenso globo conectado à TV, à internet, aos jornais e rádios.
Por isso, que se registre aqui minha singela homenagem a esta outra redonda, a roda, às rodas, a todas as rodas que conduzem carros de corrida pelas pistas da vida, a velocidades estonteantes e perigosas, em busca dos limites possíveis e impossíveis. Que se registre aqui minha singela homenagem aos pés que as aceleram, às mãos que as guiam para a direita e para a esquerda, que corrigem sua trajetória, que as empurram para a frente, sempre.
A bola rola, o mundo estanca para vê-la nos próximos 30 dias, mas em nenhum momento as rodas vão parar de girar, atrás do milésimo de segundo, da freada tardia, da disputa por centímetros, do sonho do pódio, do júbilo de um troféu, do doce sabor de champanhe.
|
|