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Coluna Warm Up: Sete anos
Flavio Gomes 04/05/2001 - 19:20
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E já se vão sete anos da morte de Ayrton Senna. Fazia tempo que eu não escrevia sobre o assunto, e na verdade não há obrigação nenhuma de fazê-lo a cada dia 1º de maio, daqui até a eternidade. Senna vai-se tornando uma lembrança distante, o que é natural. O tempo passa, a vida continua, aquelas coisas. E ficar revirando a memória para trazer à tona tudo que aconteceu naquele dia em Imola, confesso, não é algo que me faz bem. Prefiro voltar ainda mais no tempo, estimulado por uma bela reportagem que li sobre o dia do primeiro teste de Senna com um carro da categoria, 19 de julho de 1983, em Donington Park. A história é conhecida, mas muitos detalhes vão surgindo na medida em que personagens que estavam no circuito inglês naquela tarde de verão são chamados a lembrar o episódio. Foi o que a revista oficial da F-1 fez na tal reportagem, e tomo a liberdade de reproduzir alguns desses detalhes que mostram bem quem era Senna. O teste começou a ser desenhado um ano antes, quando Ayrton, viajando para a Holanda para participar de uma corrida do Europeu de F-Ford 2000 em Zandvoort, sentou-se ao lado de Frank Williams no avião. Ali eles se conheceram. É Frank quem conta: "Ele ganhou aquele campeonato com seis vitórias em nove corridas. Por isso eu e Patrick Head decidimos fazer o teste. Mesmo se não desse para usá-lo em 84, achamos que poderíamos ajudar em sua carreira. E que talvez ele se lembrasse disso no futuro". Fosse hoje, diz a revista, Senna teria seu nome num contrato com a Williams antes de sentar no carro. Mas eram outros tempos. O teste foi marcado para Donington poucos dias depois do GP da Inglaterra, cuja preliminar de F-3 Senna vencera. Ele iria pilotar o carro de Keke Rosberg, campeão no ano anterior, um modelo FW08C com motor Ford. Senna chegou a Donington em sua Alfa Romeo cinza ao lado do repórter Reginaldo Leme, da Globo, que iria cobrir o teste. "É hoje", disse, dando dois petelecos no carro numa imagem eternizada pela equipe de reportagem da emissora. A Williams havia estabelecido como parâmetro para avaliar seu desempenho um teste feito semanas antes com outro jovem, Jonathan Palmer, que havia virado em 1min01s7 em sua melhor volta. O teste atrasou um pouco porque o Jaguar de Frank Williams quebrou na autoestrada M1 a caminho de Donington. Quando Frank chegou, os dois conversaram por meia hora e ele foi para a pista. Depois de nove voltas, igualou o tempo de Palmer. Alan Challis, ex-mecânico-chefe da equipe, hoje responsável pelo controle de produção na Williams, conta que numa das paradas nos boxes pediu para Senna dar uma maneirada. "Mas ainda nem estou pisando tudo!", espantou-se o piloto. Outro mecânico, Robbie Campbell, lembra que num determinado momento Ayrton parou nos boxes e perguntou a ele quantas marchas tinha o carro. "Respondi que eram seis, e ele me disse: OK, eu só estava usando cinco. E saiu de novo para a pista." Depois de 20 voltas, Senna tinha baixado seu tempo para 1min00s1, o melhor que um carro da Williams já havia feito naquele circuito. "Obviamente ele era um garoto diferente", diz Frank. Na fábrica, depois do teste, o chefe de equipe Peter Collins e o mecânico Challis disseram a Williams para colocar o menino para correr na hora. "Não precisávamos de pilotos naquela época. Tínhamos Laffite e Rosberg e estávamos satisfeitos com os dois. Keke já era campeão, Senna era ainda um novato. Não há mistério nenhum", diz Frank, tentando justificar a chance perdida. Onze anos depois ele morreria num carro de sua equipe. Senna voltou para casa naquele 19 de julho de 1983 sem contrato algum e retomou sua vidinha na F-3 Inglesa. Quando o dono de sua equipe Dick Bennetts perguntou a ele como tinha sido a experiência, Ayrton deu um sorrisinho tímido e respondeu: "Foi bom". Modéstia do rapaz. flaviog@warmup.com.br.
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