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Robson Viturino, repórter iG em São Paulo

SÃO PAULO – Há tempos que o emprego é uma aves rara no Brasil. E não é o emprego “classe A” que pague bem e garanta todos os benefícios. Mesmo o trabalho informal, arroz com feijão, tornou-se objeto de desejo número um de muitos brasileiros. Nada mais justo, portanto, que 2005 seja um ano de grandes promessas e esperanças com a série de indicadores que apontam a criação vigorosa de postos de trabalho. Se a expectativa se concretizar, 2005 será um grande ano para essas pessoas.
À margem da polêmica sobre a sustentabilidade do crescimento – algo muito comum em países com histórico econômico turbulento como o Brasil –, números e mais números trazem um novo momento de otimismo (embora nosso presidente não confie na metodologia das pesquisas). Piadas como a do “vôo da galinha” – que diz que o crescimento é inconsistente e não tem força para durar – e do “castelo de areia” – segundo a qual qualquer crise poderá nos tirar o sonho de um País promissor – já não têm tanta força.
O mais eloqüente dos indicadores positivos é o PIB (Produto Interno Bruto), que ao crescer 6,1% no terceiro trimestre do ano atingiu a alta mais expressiva desde 1996. E não pára por aí. As exportações devem fechar o ano na casa dos 90 bilhões de dólares, o emprego na indústria subiu 5,9% de setembro de 2003 a setembro de 2004 e o risco Brasil caiu recentemente a 393 pontos, o menor nível desde 23 de outubro de 1997.
Muito distante das discussões sobre a continuidade desse ritmo, milhões de brasileiros aproveitarão este fim de ano para refletir sobre novas oportunidades no próximo ano. Será essa a melhor hora para um salto na carreira? É o momento para arriscar todas as fichas em um novo trabalho? Depois de tanto tempo parado, haverá novas vagas? O que fazer para tirar o melhor proveito possível do processo de retomada?
A primeira informação relevante é analisar o tipo de crescimento pelo qual passa o País. Com o aparato de diversos estudos e pesquisas e – por que descartá-la? – aquela impressão que se tem ao andar pelas ruas das grandes cidades, economistas e acadêmicos são unânimes em apontar que a indústria e o agronegócio são as duas maiores impulsionadoras do novo ânimo brasileiro.
Como jamais houve na história da economia do Brasil, ambas atuam com um olho no peixe e outro no gato. O peixe é o mercado interno. O gato, as exportações. Nunca foi tão rentável exportar. Por isso a estimativa de que as exportações chegarão ao fim de 2004 em US$ 95 bilhões, uma marca histórica.
O que vem pela frente
Mas que tipo de empregos o brasileiro pode esperar? Na opinião do ex-presidente do Banco Central e especialista em empregos José Pastore, o novo fôlego do País permite a criação de postos de trabalho que pagam até três salários mínimos. São empregos que exigem baixa qualificação e que atendem a demanda imediata dos setores em expansão.
É o caso de Maria Isabel Ribeiro Silva, 20. Após completar o primeiro grau, ela trabalhou um mês em uma franquia paulistana do McDonalds. Depois disso, passou oito meses desempregada em busca de trabalho. Encontrou em setembro, quando foi chamada para ser caixa da rede de supermercados Carrefour.
E os profissionais mais qualificados? “Deverão aumentar junto com o crescimento da capacidade instalada.” Isso, segundo Pastore, deverá ocorrer no próximo ano caso perdure o cenário positivo dos últimos meses. Aí entram no pacote diversos tipos de profissional qualificado – engenheiros, arquitetos, advogados, economistas, designers, analistas de sistemas, entre outros.
A espera pelo momento ideal não agrada a todos. O fotógrafo e publicitário André Tommaziello é um deles e, aos 34 anos, decidiu apostar em um novo desafio. Saiu de Vinhedo, no interior do Estado, onde trabalhava na corretora de imóveis da família e partiu para São Paulo para trabalhar com o que sempre sonhou: esportes radicais. Tommaziello trabalha para o site Webmotors e acompanha competições esportivas em todo o País.
Se o mar está para peixe, o que deve fazer o profissional às vésperas de uma nova empreitada? De acordo com professor de Recursos Humanos no Ibmec SP Francisco Ramirez, “o que tem a melhor formação sempre sai ganhando”. Mesmo nas funções que exigem os conhecimentos mais primários.
“O empregador sabe que, por mais simples que seja a tarefa, a qualificação faz a diferença”, diz o professor, que também presta consultoria para empresas e faz recrutamento. Ramirez acredita que, na escolha de um profissional, ninguém diz “quero os piores”, portando, “a regra vale até para o servente”. Segundo ele, se um tiver até a quarta série e o outro nunca tiver freqüentado a escola, o primeiro leva a pá.
Por qualificação, entenda-se todo tipo de conhecimento que possa auxiliar o ocupante de uma função importante dentro de uma empresa. Formação universitária, inglês e vivências no exterior são uma exigência quase tão comum quanto uma ficha limpa na polícia. Daí que outros fatores passem a serem buscados como diferenciais.
Paciência que faz a diferença
Um dos diferenciais mais importantes, como afirma Ramirez, é particularmente difícil de compreender, sobretudo àqueles que esperam há muito tempo por uma chance. Especializado em conflitos de profissionais de diversas categorias, o professor e consultor defende que, após um período de expectativa muito grande, o mais comum é as pessoas se apegarem a primeira oportunidade.
Nisso reside o grande risco que pode comprometer esse que é o diferencial dos dias de hoje: a qualidade das empresas onde você trabalha. “A trajetória é valiosa”, diz Ramirez. Seguindo esse raciocínio, ele alerta profissionais de todas as áreas para que analisem se um salto em um momento de ansiedade não pode sair caro mais adiante para a carreira.
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