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Os dez mandamentos de uma campanha eleitoral

Por Darlan Alvarenga, repórter iG no Rio


Gafes, destemperos, declarações precipitadas, ligações suspeitas e promessas inviáveis. A galeria de tropeços durante uma eleição costuma ser vasta. Lançar-se numa campanha eleitoral é estar sujeito a todo tipo de saia-justa e riscos, que podem comprometer não apenas a carreira política do candidato.

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"O candidato pode gastar todo o dinheiro que tem ou não tem, acabar com seu casamento, criar problemas com os filhos, se indispor com amigos e, no fim das contas, não ser eleito", brinca o sociólogo Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, que acaba de lançar o Manual Prático de Campanha Eleitoral (Editora Gramma).

Segundo ele, entretanto, o seu objetivo não é desestimular os postulantes a cargos públicos, mas sim mostrar como alguns erros crassos continuam sendo repetidos e comprometendo o desempenho do candidato.

De acordo com Geraldo Tadeu, nestas primeiras semanas praticamente todos os candidatos do Rio e de São Paulo já caíram na tentação e cometeram um dos erros mais rotineiros de campanha, sobretudo municipal: o de querer ser popular.

Ele recorda que já se viu candidato fazendo embaixadinha, comendo sanduíche com mortadela, visitando doente em UTI, cantando com camelôs e até dando o tradicional beijo em criancinha. "É um erro os candidatos caírem na tentação de parecer popular. Hoje em dia, pelo menos nas grandes capitais, com a intensa cobertura da mídia, é contraproducente forçar a barra, pois soa falso e demagógico".

"No Rio, logo no primeiro dia, três candidatos erraram juntos, ao saírem às ruas para cumprimentar camelôs, que é um grupo nitidamente desafeto do atual prefeito. A mídia foi a primeira a denunciar esse oportunismo", afirma.

No seu decálogo sobre o que o político deve evitar numa eleição, o sociólogo inclui a prática de prometer tudo a todo mundo, falar generalidades ou apenas o que agrada, a invenção de qualidades pessoais e o "oposicionismo roxo" ou o "chapa branca empedernido" de alguma instância de governo.

"Com a alternância de poder, já se tem a percepção de que todos os candidatos, bem ou mal, são de alguma forma responsáveis pelos problemas, não adianta apontar um único culpado para os problemas. Da mesma forma que não faz sentido defender tudo o que uma administração faz", afirma. "Outro discurso anacrônico, que não cola mais, é querer datar os problemas. Não adianta fazer como o Garotinho nas últimas eleições que dava a entender que até outubro de 2002, quando Benedita assumiu o governo, tudo funcionava no Rio."

O decálogo recomenda ainda questões aparentemente óbvias. Ninguém deve lançar a candidatura confiando apenas nos amigos. Está sem dinheiro? Desista. E, depois do escândalo Waldomiro Diniz, vale lembrar: aceitar doação de origem duvidosa, ainda que generosa e anônima, é risco certo.

Os outros três erros sejam talvez os mais cometidos pelos candidatos: desdenhar das pesquisas eleitorais, da Justiça Eleitoral e desafiar a mídia ou reclamar dela. No Rio, candidatos saíram em coro para reclamar da última pesquisa da Band/Vox Populi. Marcelo Crivella (PL) afirma estar sendo vítima de uma "campanha sórdida" de setores da imprensa. "(O Globo) deturpa declarações, escolhe fotografias sempre com o objetivo de denegrir minha imagem, publica fatos irrelevantes com destaque, levanta calúnias, com o firme propósito de denegrir minha candidatura", afirmou durante o última debate.

Geraldo Tadeu explica que não há uma receita padrão de sucesso, pois eleições são contexto e conjuntura. Ele também lista, porém, um conjunto de 10 regras básicas que deveriam ser seguidas como um decálogo do que não pode deixar de ser feito numa campanha.

São elas: fazer uma avaliação objetiva das chances, analisando o contexto eleitoral, os outros candidatos e a conjuntura; fazer pesquisa, acreditar nelas e calibrar a campanha pelos resultados; ter uma plataforma política mínima adequada ao cargo que deseja; ter um plano de marketing que realce as qualidades intrínsecas do candidato; ter opinião sobre as grandes questões sociais e falar em linguagem simples e direta; ter um plano de campanha e gerenciá-la como um projeto; manter relacionamento ativo e leal com a mídia; dispor de assessoria jurídica permanente para evitar problemas com a Justiça Eleitoral; e fazer coligação.

Segundo o sociólogo, entretanto, o decálogo pode ser resumido pela regra dos 4 "esses": "O candidato tem de ser sincero, sensato e simpático, e tudo isso simultaneamente", afirma.

"Ser sincero não significa ter que contar tudo, mas não pode haver dissimulações, do tipo Paulo Maluf, que não responde às perguntas", afirma Geraldo Tadeu. Ser sensato, seria, entre outras coisas, evitar destemperos e saber usar a situação a ser favor. "No último debate, o Conde beirou o destempero, ao discutir com Cesar Maia e colocar em dúvida o encontro do prefeito com Lula."

É preciso ser simpático, mas, segundo o professor, isso não significa necessariamente agradar a todos, mas conseguir empatia com o público. "O Cesar Maia é seguro, tem um bom marketing político, mas ainda tem dificuldade na hora de passar empatia", afirma.

O livro também está disponível em CD-Rom e formato PDF pela Internet no site
www.grammanet.com.br.

Os mandamentos da campanha eleitoral

O que o político deve evitar

1) Lançar a candidatura confiando apenas nos amigos ou candidatar-se sem dinheiro

3) Desdenhar as pesquisas eleitorais ou encomendar "resultado" de pesquisa

4) Falar generalidades, chavões ou dizer apenas aquilo que agrada

5) Ser "oposicionista roxo" ou "chapa branca empedernido"

5) Usar o marketing eleitoral para inventar qualidades

6) Desafiar a mídia ou reclamar dela.

7) Prometer tudo a todo mundo.

8) Desdenhar a Justiça Eleitoral

9) Aceitar doação de origem duvidosa, ainda que generosa e anônima.

10) Cair na tentação de ser popular: "beijar criancinha", "fazer embaixadinha", "sambar", etc.

O que político deve fazer

1) Uma avaliação objetiva de suas chances, analisando o contexto eleitoral, os outros candidatos e a conjuntura

2) Ser sincero, sensato e simpático, simultaneamente

3) Fazer pesquisa, acreditar nas pesquisas e calibrar a campanha pelos resultados das pesquisas

4) Ter uma plataforma política mínima adequada ao cargo que deseja disputar e à população que quer representar

5) Ter um plano de marketing que realce as qualidades intrínsecas do candidato

6) Ter opinião sobre as grandes questões sociais e falar em linguagem simples e direta

7) Ter um plano de campanha e gerenciá-la como um projeto

8) Manter relacionamento ativo e leal com a mídia

9) Dispor de assessoria jurídica permanente para evitar problemas com a Justiça Eleitoral

10) Fazer coligação.

Fonte: Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, autor de Manual Prático de Campanha Eleitoral (Ed. Gramma).