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As previsões de um brasileiro para o mundo

Por Fred Ferreira


“Inconfidentes, 1º de outubro de 2001

Prezado senhor presidente George W. Bush,

Você terá duas guerras para enfrentar nos próximos anos, uma é contra o Afeganistão e uma outra contra o Iraque. Mas, irei lhe adiantado onde você irá encontrar Saddam Hussein porque ele irá fugir quando as forças americanas vencerem o Iraque.

Ele estará escondido em:

‘Ad Dawn’, próximo a Tirkrit- lá, você encontrará um pôster da Arca de Noé, ele estará escondido num buraco com 1,8 comprimento (sic) e 65 cm de largura, coberto com gravetos e um tapete de borracha num sítio da costa do rio Tigre. Haverá tijolos, lama (barro) e lixo para disfarçar a entrada. Mas, seu braço direito (homem de confiança dele) poderá dar mais detalhes. Talvez, possam pegá-lo na França (esse amigo).

Atenciosamente,

Professor Jucelino Nóbrega da Luz - RG M-8.089.069”


Antes de mandar esta carta, Jucelino conta que já havia mandado outra quase idêntica para a Embaixada dos EUA no Brasil, em setembro de 2001. Um mês depois, mandou esta para Bush. Não satisfeito, renovou o aviso, enviando correspondências ao presidente do Senado norte-americano, ao diretor do FBI, ao Consulado dos EUA em São Paulo e, novamente, para Bush. Saddam foi preso no dia 14 de setembro de 2003.

“Vi a cara de Saddam, a barba longa, como ele estava escondido, a cela...tudo detalhado”, diz Jucelino.

Como antecipou com exclusividade o Último Segundo no dia 28 de abril (leia aqui), este é o relato de um professor de 2ª grau de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, que reclama na Justiça o direito de receber os US$ 25 milhões prometidos pela Casa Branca a quem informasse ou indicasse o paradeiro de Saddam.

Jucelino entrou com a ação de “recebimento de recompensa” contra os EUA na 5ª Vara da Justiça Federal de Minas, no dia 27 de abril deste ano. Não há informações sobre o pagamento da referida recompensa a qualquer pessoa ou entidade. No processo contra o governo norte-americano, anexa comprovantes de correio, autenticação de recebimento via AR (Aviso de recebimento) e registros em cartório. A autenticicidade dos registros não foi comprovada: cartas e ‘comprovantes’ ainda deverão passar por perícia judicial.

A sentença do juiz Geraldo Magela e Silva Meneses, expedida no dia 29 de abril de 2004, extingue o processo naquela jurisdição, sob o argumento de que a ação não é de competência da Justiça Federal. Juscelino vai recorrer da decisão ao Superior Tribunal de Justiça.

Jucelino hoje mora em Pouso Algre, interior de Minas. Ele conta que já escreveu mais de 80 mil cartas. O mineiro, que rejeita o título de vidente, acorda no meio da noite e registra seus “sonhos premonitórios” em sua antiga máquina de escrever Olivetti.

“Não peço que as pessoas acreditem em mim, quero que as pessoas ouçam os conteúdos das cartas, só isso. Não é para acreditar. Vejam e comprovem. Eu não preciso resposta, mando a carta. Se a pessoa responde ou não? Direito dela. Não estou preocupado, só quero saber se vão fazer algo pelas pessoas ameaçadas. Acho que é um mensageiro de Deus. Tenho sonhos premonitórios constantemente. Se não escrever para as pessoas, me sinto mal, não durmo depois”.

O sonho não é voluntário: “Não o provoco”, diz. “Aparece para quem eu devo escrever, como se fosse em terceira dimensão, e uma voz vai indicando o que eu devo fazer. Durmo à meia-noite, acordo às 3h, levanto e vou escrever. Primeiro, a lápis”. Depois, Jucelino bate as cartas em sua máquina de escrever. Então, traduz para o português (sempre envia as cartas no idioma do destinatário), registra algumas em cartório, envelopa, posta no Correio e as envia com ARs.

O Último Segundo teve acesso às cartas enviadas por Jucelino. Algumas são originais e outras, cópias de originais que, segundo ele, estão anexados ao processo. Além das cartas, a reportagem também teve acesso a registros de postagem e carimbos de selos, datados, de diferentes agências do correio.

Jucelino afirma também ter alertado à Embaixada e o Consulado espanhol em São Paulo para os atentados de 11 de março, em Madri. “Eu vi o plano da Al-Qaeda. Estava escrito em árabe. Vi e traduzi. Não falo árabe, mas vi o plano e a tradução. O plano mesmo, o local, como eles iriam fazer. Estava marcado certinho no desenhos que eles fizeram. E tinha apoio do ETA", conta. Procurados pela reportagem, o Cônsul da Espanha em São Paulo e a Embaixada em Brasília não se manifestaram. Tampouco o fizeram a embaixada dos EUA e o consulado norte-americano em São Paulo.

Juscelino argumenta que é impossível alguém receber uma carta registrada e não ler. Para ele, as autoridades internacionais discriminam o Brasil. “Um brasileiro saber essas coisas? Seria uma vergonha! Eles têm uma visão nossa como indígenas”.

A ação contra a Casa Branca sustenta que Jucelino novamente informou o paradeiro de Saddam ao Cônsul e ao presidente dos EUA, em julho e agosto de 2003. Ainda, “também o então presidente Fernando Henrique Cardoso foi alertado para o fatídico 11 de setembro, em carta enviada na data de 03 de agosto de 2000, respondendo ao Autor que ‘acusava o recebimento da mesma’...”.

Segundo a petição inicial do processo contra os cofres públicos do presidente dos EUA, Jucelino é figura conhecida da família Bush. Assim, diz ter alertado o governo espanhol e o então presidente George Bush, em 1989, sobre uma série de fatos que se seguiriam, na Espanha, nos EUA e em outras partes do mundo:

“Santo André, 26 de setembro de 1989.

Excelentissomo Sr. Presidente George Bush,

.. agora conterei sobre minhas predições sobre os Estados Unidos da América e o mundo.

Eis que haverá um atentado contra os EUA, nas torres gêmeas na ilha de Manhattan, em 1993, e o pior há de vir entre 2000 e 2001, no dia 11 de setembro. Então, teremos muitas mortes... Aquela ação terrosista será planejada por um muçulmano, que viveu naquele país. A nave Columbia cairá em 2003, matando 7 astronautas...”


E assim vai: “O carro da princesa Diana será sabotado e provocará um acidente. Os sete anjos disseram-me que ela estará correndo grande risco de vida”. Mais: “O furacão Thelma matará em torno de 4,5 mil pessoas nas Filipinas, entre 1990 e 1991.” Durante entrevista concedida ao Último Segundo em sua casa no interior de Minas, Jucelino diz que sonhou detalhes do 11 de setembro: “No World Trade Center, vi no sonho os 2 aviões batendo. Foram vários sonhos, cada vez mais informações.”

Para os advogados Carlos Alberto Ferreira e Nilton Mendes Camparim, que representam Jucelino na Justiça, pouco importa se o autor é paranormal ou não. “Prestou a informação aos EUA por eles pretendida, e pela mesma é merecedor da recompensa”, argumentam. “Por ser homem pobre na acepção do termo, o autor requer a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita, eis que não poderia arcar com as despesas processuais, sem que deixe de manter o sustento da própria família”.