Só um brasileiro admite votar no Oscar 2011

Montador Daniel Rezende elegeu "Toy Story 3"; outros membros do país na Academia rejeitam a premiação ou não se manifestaram

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação/Rogério Resende
O montador Daniel Rezende em evento de "Tropa de Elite 2": representante do Brasil na Academia
Se o Brasil não tem tradição no Oscar – nunca ganhou o prêmio –, na Academia de Hollywood, então, a coisa não é muito diferente. São poucos os brasileiros que fazem parte da entidade, convidados a integrá-la graças a indicações no passado, e menos ainda aqueles que ajudam a escolher os vencedores. Em 2011, só o montador Daniel Rezende assumiu publicamente ter enviado seu voto.

A reportagem do iG , assim como no ano passado , não recebeu resposta de Walter Salles, ocupado com a edição de "On the Road", de Bruno Barreto, nem da atriz Fernanda Montenegro, que deixou de votar em 2010. O argentino Hector Babenco se recusou a falar sobre o assunto. Fernando Meirelles já admitiu não se importar com o prêmio e que não paga a anuidade da Academia, no valor de 250 dólares.

O roteirista Bráulio Mantovani ("Tropa de Elite 2", "Cidade de Deus") vai pelo mesmo caminho. Não votou na última edição – só participou, aliás, uma única vez –, está em dívida com sua carteirinha de sócio e não acredita no mérito das premiações. "Honestamente, eu não ligo muito para nenhuma dessas competições de cinema, de nenhum lugar do mundo", afirma, "e acabo não votando no Oscar porque nunca consigo ver todos os filmes indicados antes da votação".

Daniel Rezende consegue. O montador de "Tropa 2", "As Melhores Coisas do Mundo" e "Diários de Motocicleta" mandou seus votos mais de uma semana antes do final do prazo, marcado para a última terça-feira. "Alguns filmes vi no cinema ao longo do ano, mas assisto muita coisa nos DVDs que a gente recebe no final de novembro, início de dezembro", conta.

O fato de não votar não significa que Mantovani não tenha opinião. Ele é entusiasta, por exemplo, do roteiro de "A Rede Social", escrito por Aaron Sorkin (série "The West Wing"). "É fenomenal. Se há outro melhor, eu não vi." Entre os outros concorrentes, a resposta também vem fácil, apesar da ressalva de não poder escolher um ganhador. "Dos filmes que vi, gostei muito de 'A Rede Social', 'Bravura Indômita' e 'O Vencedor'. Me surpreendi muito positivamente com 'Cisne Negro' e chapei com a Natalie Portman. Só não sei (e nem tenho vontade de) traduzir essas impressões em votos."

Rezende, por sua vez, tem seus favoritos na ponta da língua – "Cisne Negro", "A Rede Social" e "127 Horas", o segundo em sua escala de 1 a 10, usada pelos membros da Academia para eleger o melhor filme . O primeiro lugar, no entanto, é um só: a animação "Toy Story 3", mesma opinião do colunista Ricardo Calil .

"Não tenho a menor vergonha de dizer isso. É um filme fantástico - o roteiro, a concepção de personagens e a ousadia da Pixar ter feito um terceiro episódio quase sinistro, voltado para pais e crianças. É também aquele que proporciona a melhor experiência como espectador. Além disso, acho que dei esse voto para dizer que as animações nos últimos anos têm tido as ideias mais criativas do cinema."

Rezende descarta a vitória de "Toy Story", mas, ao mesmo tempo, duvida que o favorito "O Discurso do Rei" deva levar a estatueta de melhor filme. "Acho 'Discurso do Rei' excelente e posso estar enganado, mas acho que ele não ganha."

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