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Nine é fracassada tentativa de transformar universo de Fellini em um musical

Um roteiro baseado numa das maiores obras-primas da história do cinema. Um elenco estelar, que reúne seis atores ganhadores do Oscar. Uma das principais apostas de seu estúdio para a temporada de prêmios de final de ano. Nine, versão musical do filme Oito e Meio, de Federico Fellini, estrelada por Daniel Day Lewis, Penelope Cruz e Nicole Kidman, tinha tudo para dar certo. O que aconteceu então para dar tão errado?

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Nicole Kidman e Daniel Day-Lewis em "Nine": os dois já viram dias melhores

O primeiro problema é a sombra do filme de Fellini. "Nine" pode até tentar esconder esse fato, mas é uma refilmagem (bastante fiel, inclusive) de "Oito e Meio". E "Oito e Meio" não é um filme qualquer: é a obra-prima de um dos maiores diretores da história do cinema. Colocar os dois lado a lado é até crueldade, mas a comparação, afinal de contas, tem que ser feita.

A história de ambos é a mesma: um cineasta em crise mistura realidade e fantasia, presente e passado, enquanto luta para realizar seu novo filme. O original era um retrato do próprio Fellini. Mais do que isso, uma análise do próprio cinema nos anos 1960 (o filme é de 1963). O retrato, nos dois casos, não é nada condescendente: há até um crítico de cinema dentro da história, que fala mal do próprio filme.

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Penélope Cruz interpreta a voluptuosa
amante do personagem principal

Não deixa de ser interessante que justamente essa personagem tenha sido suprimida da refilmagem. A ausência é bem sintomática da falta de coragem de "Nine": quem espera uma reflexão, mesmo que tímida, sobre como fazer ou o que é o cinema no século 21, vai sair de mãos abanando. Não há desculpa para essa covardia. É a história de um cineasta em crise criativa, afinal de contas; um mínimo de reflexão sobre o tema seria essencial.

Enquanto a personagem do crítico foi posta de lado, uma nova foi criada: a jornalista de moda vivida por Kate Hudson. Ela tem um número musical (com uma coreografia digna de cantora de trio elétrico, por sinal) em que canta sobre o glamour dos homens italianos, com seus óculos escuros e gravatas finas. Parece até que a decisão de refilmar "Oito e Meio" foi provocada pelas roupas de Marcello Mastroianni.

Comparações à parte, "Nine" ainda seria um filme ruim mesmo sem a sombra de "Oito e Meio". Em primeiro lugar, porque as canções são péssimas, assim como as coreografias. O roteiro, na tentativa de explicar demais a história, só consegue ficar mais confuso. E os atores, bem, todos eles já tiveram melhores atuações. A francesa Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de melhor atriz por Piaf, é a que se sai melhor.

Quem quiser ver uma boa adaptação musical do universo de Federico Fellini deve deixar Nine de lado e assistir a "All That Jazz". O filme está bem longe de ser uma refilmagem fiel. Mas acerta justamente por isso: transpõe o tema da crise criativa e da mistura de realidade e fantasia para o universo de seu diretor, Bob Fosse. Lançado em 1979, o longa está disponível em DVD no Brasil.

Assista ao trailer de "Nine":

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