O ano de Natalie Portman

Talento mirim que deu certo, atriz é favorita ao Oscar e destaque de vários filmes

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Prestes a completar 30 anos, Natalie Portman está no auge da carreira. Fugiu da sina comum em atores mirins e chegou à maturidade com completo controle. Noiva, grávida e franca favorita ao Oscar 2011 por sua atuação em "Cisne Negro" , em 2011 a atriz consolida o projeto de sua produtora e chega aos cinemas com outros quatro filmes, entre eles o aguardado "Thor".

O foco no trabalho vem desde cedo. Nascida em Jerusalém, filha de um médico e de uma dona-de-casa, Natalie Hershlag se mudou aos 3 anos para os Estados Unidos. Viajou por diversas cidades até se estabelecer em Nova York, sempre frequentando aulas de dança e de teatro. A estreia no cinema aconteceu aos 13 anos, com o cult "O Profissional" (1994), ação do francês Luc Besson em que interpreta uma órfã abrigada por um matador. Na época, escolheu como nome artístico o sobrenome de solteira da avó, Portman.

Ao longo da década de 1990, teve papéis menores em filmes como "Todos Dizem Eu Te Amo", "Marte Ataca" e protagonizou na Broadway uma montagem de "O Diário de Anne Frank". Em 1999, conseguiu sua primeira indicação ao Globo de Ouro, com o drama "Em Qualquer Outro Lugar", em que atuou ao lado de Susan Sarandon. No mesmo ano, se tornou uma estrela: escalada por George Lucas para viver a rainha Padmé Amidala, futura mãe de Luke Skywalker, apareceu na nova trilogia "Guerra nas Estrelas" e pronto: eis um ícone pop.

Foi aí que, curiosamente, pisou no freio. Diminuiu drasticamente sua agenda de trabalho e se mudou para Cambridge, mais precisamente nos dormitórios da Harvard University. Nos anos seguintes, filmou, durante as férias, "Guerra nas Estrelas", enquanto nos outros meses dedicou-se ao curso de psicologia. Já formada, em 2004 atingiu a maturidade profissional – deixou a carinha de anjo para trás e foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por seu papel em "Closer - Perto Demais", no qual interpretava uma stripper.

Na sequência, apareceu em "Hora de Voltar", sucesso independente dirigido e estrelado por Zach Braff, da série "Scrubs". Começou aí um flerte com o mundo indie. Estrelou a adaptação "V de Vingança", celebrada história em quadrinhos de Alan Moore; o clipe da música "Dance Tonight", de Paul McCartney, dirigido por Michel Gondry ("Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"); um curta-metragem de outro cineasta cultuado, Wes Anderson ("Os Excêntricos Tenenbaums"); e acabou namorando o cantor riponga Devendra Banhart, ícone do chamado freak folk.

Ao mesmo tempo, ampliou o leque para trabalhar com diretores consagrados. Portman colocou no currículo filmes de Milos Forman ("Os Fantasmas de Goya", seu primeiro nu no cinema), do israelense Amos Gitai ("Free Zone") e do chinês Wong Kar Wai ("Um Beijo Roubado"). Tanta experiência fez com que ela tomasse gosto por experimentar atrás das câmeras e, em 2008, exibiu no Festival de Veneza seu primeiro curta como diretora, "Eve". Pouco depois, dirigiu e escreveu outro para o longa coletivo "Nova York, Eu Te Amo".

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Natalie Portman e o noivo Benjamin Millepied na exibição de "Cisne Negro" no Festival de Veneza
Os curtas marcaram a estreia de sua produtora, a Handsomecharlie Films. Dali em diante, a empresa esteve por trás da maioria dos trabalhos da atriz, três deles com estreia ainda em 2011. Na comédia romântica "Sexo Sem Compromisso" , prevista para fevereiro, Portman tenta manter uma relação de puro sexo com Ahston Kutcher. Em "The Other Woman" , a situação é bem mais drámatica - pivô da separação do chefe, a atriz precisa aprender a lidar com o enteado e enfrenta uma tragédia pessoal. Já no independente "Hesher", a estrela é Joseph Gordon-Levitt ("500 Dias Com Ela"), um desajustado maconheiro que entra na vida de um garoto e de sua musa (Portman).

Mas o ponto alto do ano deve acontecer em abril, na estreia de "Thor" . Na adaptação para o cinema dos quadrinhos do deus nórdico, um dos personagens mais queridos da Marvel, Portman é o interesse amoroso do herói, que chega à Terra exilado pelo pai do reino de Asgard. A direção é do shakespeareano Kenneth Branagh, naquela que é umas maiores promessas de bilheteria de 2011.

"Thor", porém, deve marcar um novo recesso na vida da atriz. Esperando um filho de Benjamim Millepied , primeiro bailarino do Balé da Cidade de Nova York, além de ator e coreógrafo de "Cisne Negro", Portman vai ao tapete vermelho do Oscar ostentando sua gravidez de quatro meses, como no Globo de Ouro . Dificilmente ela perderá o prêmio para Annette Bening ("Minhas Mães e Meu Pai"), sua principal concorrente, e deve entrar para o hall de ganhadoras grávidas no palco do Kodak Theatre. Natalie Portman está no topo, de onde não deve sair tão cedo.

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