Sindicato dos Diretores, que escolheu uma mulher pela primeira vez em 62 anos. Além disso, Guerra ao Terror dividiu com Avatar o maior número de indicações ao prêmio da Academia de Hollywood, nove. A volta por cima será completa a partir desta sexta-feira (05), quando o filme, lançado no Brasil direto em DVD, chega aos cinemas." / Sindicato dos Diretores, que escolheu uma mulher pela primeira vez em 62 anos. Além disso, Guerra ao Terror dividiu com Avatar o maior número de indicações ao prêmio da Academia de Hollywood, nove. A volta por cima será completa a partir desta sexta-feira (05), quando o filme, lançado no Brasil direto em DVD, chega aos cinemas." /

Kathryn Bigelow pode ser primeira mulher a ganhar o Oscar de direção

Os holofotes estavam todos voltados para Avatar, seu recorde bilionário de bilheteria e a vitória de James Cameron no Globo de Ouro. Em menos de uma semana, no entanto, Kathryn Bigelow, ex-mulher do diretor, passou a ser o centro das atenções. Seu filme Guerra ao Terror venceu há poucos dias dois importantes termômetros do Oscar: o prêmio do Sindicato dos Produtores e do http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2010/01/31/kathryn+bigelow+leva+o+premio+do+sindicato+de+diretores+de+cinema+dos+eua+9382484.htmlSindicato dos Diretores, que escolheu uma mulher pela primeira vez em 62 anos. Além disso, Guerra ao Terror dividiu com Avatar o maior número de indicações ao prêmio da Academia de Hollywood, nove. A volta por cima será completa a partir desta sexta-feira (05), quando o filme, lançado no Brasil direto em DVD, chega aos cinemas.

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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AP

Kathryn Bigelow no Sindicato dos Diretores: em forma surpreendente aos 58 anos

Nascida em um subúrbio rural de São Francisco, na Califórnia, filha de uma bibliotecária e do gerente de uma fábrica de tintas, Kathryn Bigelow desde muito cedo se interessou por arte. Ganhou uma bolsa de estudos em pintura e se mudou para Nova York, onde fez performances e participou de grupos avant-garde. Não demorou muito para ela mudar de ideia e a garota acabou se formando em crítica cinematográfica.

Mas nenhum resquício desse ar acadêmico aparece conscientemente em seu trabalho, como ela mesma faz questão de explicar. Depois de assistir a uma sessão dupla de "Meu Ódio Será Sua Herança" (Sam Peckinpah) e "Caminhos Perigosos" (Martin Scorsese), Kathryn afirma ter tido um estalo, jogado fora toda sua "semiótica lacaniana desconstrutivista" e se sentir inspirada por uma abordagem mais física e impactante de se fazer cinema.

O resultado disso foi que Bigelow se converteu em uma especialista em filmes de ação, por mais que ela rejeite rótulos desse tipo. Típico de cineastas homens, o gênero ganhou potência em suas mãos e chama a atenção justamente por mostrar personagens e conflitos essencialmente masculinos. Não deixa de ser curioso que uma mulher com esse perfil possa ser a primeira ganhadora do Oscar de direção, terreno exclusivo dos homens desde que o prêmio foi criado pela Academia há 82 anos.

A estreia de Bigelow em longas-metragens foi com "The Loveless" (1982), também primeiro filme de Willen Dafoe. A história acompanha um grupo de motociclistas arruaceiros nos anos 1950 de forma um pouco mais cadenciada do que outras produções do tema. Na sequência, vieram o curioso "Quando Chega a Escuridão" (1987), filme de vampiro com ares de faroeste, "Jogo Perverso" (1990), thriller com Jamie Lee Curtis, e o maior sucesso da carreira da diretora: "Caçadores de Emoção" (1991).

Divulgação

Keanu Reeves e Patrick Swayze em "Caçadores de Emoção", maior sucesso de Bigelow

Um dos grandes hits da virada da década, a trama acompanha Keanu Reeves, um agente do FBI disfarçado de surfista para capturar a gangue de ladrões chefiada por Patrick Swayze. A soma de surfe e skydiving, numa corrida constante por adrenalina, conquistou legiões de fãs adolescentes, tanto pela aventura quanto pela carinha bonita dos galãs.

Nessa época, Kathryn já era casada com James Cameron, uma união que, embora breve (1989-1991), potencializou o talento da diretora. Vindo de sucessos como "O Segredo do Abismo" e o revolucionário "Exterminador do Futuro 2", Cameron produziu "Caçadores de Emoção" e ainda deixou escrito "Estranhos Prazeres" (1995), o próximo trabalho de Bigelow. A ficção científica estrelada por Ralph Fiennes tem como foco mais uma vez a busca pelo prazer e adrenalina do ponto de vista masculino, mas, graças à temática adulta, teve desempenho pífio nas bilheterias.

Reprodução

A diretora no set de "Guerra ao Terror"

E aí começou a má sorte de Kathryn. Cinco anos depois, ela produziu o drama independente "O Peso da Água", que passou completamente despercebido, e a maré parecia que ia mudar com "K-19" (2002). Com Harrison Ford e Liam Nesson no elenco, o filme segue um submarino nuclear defeituoso em plena Guerra Fria e custou US$ 100 milhões. Com críticas variadas, a produção naufragou nas bilheterias (US$ 35 milhões) e colocou a diretora na geladeira por seis longos anos ¿ Hollywood não costuma perdoar fracassos como esse, ainda mais de uma mulher que não via o sucesso há mais de uma década.

A redenção veio com "Guerra ao Terror". O jornalista Mark Boal havia acompanhado o dia-a-dia de uma equipe de desarmamento de bombas no Iraque em 2004 e tirou daí a inspiração para o roteiro. Indecisa sobre qual projeto seguir, Kathryn pediu a opinião do ex-marido e ele foi direto: era uma oportunidade para não deixar passar. O resultado é um dos filmes mais premiados de 2009 e que pode, justamente, tirar o Oscar das mãos de Cameron. Não que ele se importe ¿ ao receber o Globo de Ouro , o diretor disse ao microfone que Kathryn merecia o prêmio mais do que ele.

O mérito de "Guerra ao Terror" é de conseguir criar, com ar quase documental, a tensão de uma companhia militar caminhando o tempo inteiro na fronteira entre a vida e a morte. Um corte no cabo errado, um insurgente detonando o explosivo por telefone, um tiro saindo sabe-se lá de onde, tudo pode acontecer. "Queria dar ao público o olhar real, pé no chão, de como seria ter o trabalho mais perigoso do mundo", afirma a diretora.

Getty Images

Kathryn Bigelow abraça o elenco de "Guerra ao Terror" no Festival de Veneza, em 2008

O mundo masculino, porém, continua na linha de frente, nas disputas internas por poder, na relação entre os membros da tropa e no conflito pela disposição camicase do sargento William James (Jeremy Renner, indicado a melhor ator). Sobrevivente de centenas de missões, James se atira no desafio de desarmar bombas sem se preocupar com a segurança dos companheiros. É o vício por adrenalina dando as caras mais uma vez na obra de Bigelow.

O rebuliço que o prêmio inédito do Sindicato dos Diretores causou pode ter reflexo no Oscar, que nunca premiou uma mulher. Nem mesmo indicações são comuns: Bigelow é apenas a quarta cineasta a receber a distinção, ao lado da italiana Lina Wertmüller (1975, "Pasqualino Sete Belezas"), a neo-zelandeza Jane Campion (1994, "O Piano") e Sofia Coppola (2004, "Encontros e Desencontros"). Como o prazo para envio dos votos acaba só no início de março, a pressão social para acabar com essa injustiça pode acabar superando o deslumbramento pela tecnologia de "Avatar". Um prato cheio para as feministas.

Apesar de seu único papel como atriz ter sido justamente na ficção feminista "Born in Flames" (1983), Kathryn Bigelow se mantém distante dessa discussão engajada. Mas já esclareceu, isso sim, que nunca deu muita bola para o tabu. "Se existe qualquer resistência específica por mulheres fazerem filmes, simplesmente opto por ignorá-la por duas razões: não posso mudar meu sexo e me recuso a parar de fazer filmes", declarou. "Devia haver mais mulheres dirigindo; acho que só não há uma consciência de que é realmente possível. E é."

Assista ao trailer de "Guerra ao Terror":

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