Preciosa joga pesado com os sentimentos do espectador - Oscar 2013 - iG" /

Indicado ao Oscar, Preciosa joga pesado com os sentimentos do espectador

A premissa de Preciosa, que estreia nesta sexta-feira (12) nos cinemas brasileiros, é chocante sozinha. Uma garota de 16 anos, negra, obesa, analfabeta, no Harlem nova-iorquino dos anos 1980, está grávida pela segunda vez do pai e é vítima de abusos constantes da mãe. Se isso já parece um desastre, o filme é ainda mais brutal. A violência na produção que garantiu seis indicações ao Oscar, no entanto, é apenas o agravante de uma história cujo ingrediente principal é outro: a esperança.

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=ultimosegundo%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237947619306&_c_=MiGComponente_C

Divulgação

Indicada ao Oscar, Gabourey Sidibe foi escolhida dentre mais de 500 garotas

"Preciosa" é a adaptação de "Push", relato ficcionalizado das experiências da poetisa Sapphire que acaba de sair no Brasil pela editora Record. Nome artístico de Ramona Lofton, Sapphire trabalhou como assistente social e educadora nos bairros pobres de Nova York. Usando a gramática e ortografia de quem mal sabe escrever (característica preservada no livro, mas que se perdeu nas legendas do filme), a autora mescla poemas, lembranças, fantasias e fortes cenas de estupro, além de temas contemporâneos como gravidez na adolescência, Aids e um sistema educacional falido.

Divulgação

Mariah Carey: desprovida de glamour

Publicado em 1996, o livro subiu para a lista de mais vendidos do The New York Times e conquistou diversos prêmios literários. Boa parte dessa história foi transferida com fidelidade para as telas e o mérito do sucesso recai não só na direção de Lee Daniels e no roteiro de Geoffrey Fletcher, mas, principalmente, no elenco.

A estreante Gabourey "Gabby" Sidibe interpreta Clareece Preciosa Jones com uma entrega impressionante. Escolhida a poucas semanas do início das filmagens, depois de testes com mais de 500 garotas, Gabby faz o personagem encher a tela (literalmente) com toda a complexidade que ele exige. Pulando de série em série sem nem saber ler e escrever, Preciosa senta no fundo da sala de aula completamente calada. Aproveita o tempo para viajar por um mundo em que é branca, magra, loira de cabelos lisos. Quando não é isso, imagina ser uma estrela passeando por festas e eventos badalados com o namorado de pele clara.

Esse refúgio é o lugar para onde ela vai quando é hostilizada pelos colegas ou ao ser vítima dos abusos da mãe, vivida por Mo'Nique. Estrela de seu próprio talk-show no canal americano BET (Black Entertainment Television), Mo'Nique se inspirou no irmão que a abusava na infância para dar vida a um monstro que se divide entre explorar a filha com trabalhos domésticos, abusar dela sexualmente e acusá-la de ter "roubado" seu marido drogado. Um trabalho digno do Oscar de atriz coadjuvante, para o qual é favorita.

Quando a diretora do colégio de Preciosa descobre que ela está grávida de novo, faz com que a garota seja transferida para uma escola alternativa, de jovens adultos problemáticos. Lá, uma nova história a aguarda, graças ao estímulo da professora Blue Rain (homossexual como Daniels e Sapphire). Ainda aparecem pelo caminho a assistente social interpretada por Mariah Carey ¿ em participação excelente, desprovida de qualquer glamour (e com direito a bigodinho) ¿ e o enfermeiro na pele de Lenny Kravitz.

Divulgação

Mo'Nique é favorita ao prêmio de melhor atriz coadjuvante da Academia de Hollywood

"Preciosa" guarda diversos pontos de contato com "A Cor Púrpura", relação que é explícita no livro (a personagem chega a ter um pôster da autora Alice Walker no quarto) ¿ a questão negra, analfabetismo, violência e a participação de Oprah Winfrey são os principais. Uma das atrizes do filme de Steven Spielberg, Oprah aparece em "Preciosa" como produtora executiva e, no roteiro, como uma referência de erudição. O poder da apresentadora na TV ajudou a atrair atenção para o filme e não é difícil imaginá-lo daqui a algum tempo com presença cativa nas escolas norte-americanas e, por que não, também no Brasil.

Isso porque "Preciosa" representa, de certa forma, qualquer um, seja branco, amarelo, gordo ou magro, que já tenha sido discriminado ou subestimado. O apelo, portanto, é universal. O drama pode ser exagerado nalguns momentos, mas é impossível ficar imune aos sonhos, sofrimento e redenção que passam pela tela. Uma produção independente que emociona de verdade. Para isso, não é preciso apelar para óculos 3D.

Assista ao trailer de "Preciosa":

Leia as últimas notícias do Oscar 2010

    Leia tudo sobre: estréias da semanalee danielsoscar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG