"Em um Mundo Melhor" e "Biutiful": favoritos a filme estrangeiro

Produções da Dinamarca e México lideram apostas, à frente de Canadá e Argélia

iG São Paulo com EFE |

Quatro dramas e uma história brital brigam pelo Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro, com destaque para o mexicano "Biutiful" e o dinamarquês "Em um Mundo Melhor". Apesar disso, "Biutiful", o esperado quarto filme de Alejandro González Iñárritu, bem sucedido em festivais internacionais, está menos cotado após sua derrota no Globo de Ouro e no Bafta.

Por outro lado, a surpreendente vitória no Globo de Ouro de "Em um Mundo Melhor", da dinamarquesa Susanne Bier, pode agora se repetir em Hollywood. Por outro lado, tanto o argelino "Fora da Lei" , de Rachid Bouchareb, como o canadense "Incêndios" , de Denis Villeneuve, chegam com alguma chance graças à boa recepção por parte do público. O chocante "Dente Canino" , de Giorgos Lanthimos, da Grécia, corre por fora.

null "Biutiful"
Um drama sem resquício para a esperança. Este é o quarto longa de Iñárritu que entra na disputa pelo Oscar. "Amores Brutos" foi indicado em 2001 à estatueta de melhor filme estrangeiro, mas perdeu para "O Tigre e o Dragão". Três anos depois, "21 gramas" (2003) rendeu indicações para Naomi Watts (melhor atriz) e Benicio del Toro (melhor ator coadjuvante), que não levaram os prêmios. Já "Babel", apesar de suas sete indicações em 2007, faturou apenas a estatueta de melhor trilha Sonora.

Com um esquema muito diferente de suas produções anteriores, "Biutiful" se foca principalmente em Uxbal (Javier Bardem), e não em vários personagens e diversas linhas narrativas. A história de "Biutiful" é a de um pai de dois filhos que vive em uma ensurdecedora e sórdida cidade europeia, Barcelona, e sofre os primeiros sintomas de um câncer que descobriu quando já era terminal.

Tudo o que lhe cerca, desde uma mulher psicótica que o trai com seu irmão, dos corruptos policiais à dilaceradora sobrevivência de imigrantes africanos e chineses em apartamentos e porões insalubres, tudo, absolutamente tudo, é sujeira e desolação.

null"Em Um Mundo Melhor"
Por que a violência não serve para nada. Com roteiro da própria diretora, Susanne Bier, e de Anders Thomas Jensen, "Em um Mundo Melhor" fala sobre as relações humanas, do contato entre pais e filhos e entre pessoas de diferentes culturas ou classes sociais, removendo medos, frustrações e vinganças para demonstrar que a violência não tem lugar nelas.

Esta não é a primeira vez que um filme de Bier concorre ao Oscar – "Depois do Casamento" foi um dos finalistas em 2006 –, mas sim a primeira na qual conta com verdadeiras chances de ganhar a estatueta de melhor filme estrangeiro, como ficou comprovado ao receber o Globo de Ouro. Bier disse que não quer "dar respostas" com seu filme, mas colocar perguntas sobre como resolver conflitos que levam a uma escolha entre a vingança e o perdão.

null"Incêndios"
O conflito do Líbano visto por uma mulher. O canadense Denis Villeneuve leva neste ano ao Oscar "Incêndios", seu nono longa-metragem, que apresenta um olhar feminino sobre o horror de uma guerra que representa a ocorrida no Líbano.

Baseada na obra homônima do dramaturgo libanês Wajdi Mouawada, o diretor canadense descreve neste drama o percurso de dois irmãos gêmeos desde o Canadá, onde morreu sua mãe, até o Oriente Médio de suas origens, viagem que ambos iniciam para realizar um último desejo expressado em seu testamento. Esta é só uma desculpa para que "Incêndios" aborde às claras os confrontos civis entre cristãos e muçulmanos que transformaram o Líbano, nos anos 1970, em um cenário trágico, marcado pelo estigma do ódio entre irmãos com a religião como elemento de distorção.

Embora o filme não tenha passado pelo crivo dos júris do Bafta e do Globo de Ouro, recebeu amplo apoio de público nos 12 países onde entrou em cartaz.

null"Fora da Lei"
Nunca houve bons e maus. O filme do diretor francês de origem argelina Rachid Bouchareb recebeu críticas ferozes de políticos direitistas e de ex-veteranos franceses da Segunda Guerra Mundial, que o acusaram de desonrar a memória das "vítimas francesas" da guerra da Argélia e dos massacres de Setif. Mas o cineasta pretendia ir à frente. Queria que "Fora da Lei" fosse, segundo suas palavras, um filme que provocasse um debate sobre o passado colonial da França na Argélia, mas não um protesto violento.

O filme mostra as barbaridades cometidas tanto pelo lado francês como pelo argelino, e descreve sem ponderações os massacres de uns e outros, e dos argelinos entre si. "Fora da Lei" é a segunda incursão de Bouchareb no Oscar após "Dias de Glória", indicado ao prêmio em 2007.

null"Dente Canino"
Uma mordida surrealista. Vencedor do prêmio "Um Certo Olhar" no último Festival de Cannes, "Dente Canino" é uma mordida implacável de bom cinema por parte do diretor grego Giorgos Lanthimos, que explora a extinção do núcleo familiar.

Trata-se de uma narração "quase" de ficção científica, cheia de simbolismos, na qual alguns pais que pensam que a família está em perigo de extinção decidem criar um mundo dentro de sua própria casa, mostrada desde uma estética bonita, luminosa, aberta e cheia de gente bonita, mas com um fundo bem sinistro.

É de se destacar a presença em Hollywood do grego Lanthimos que, com este terceiro filme, se transformou em um dos mais novos talentos do cinema europeu e porta-bandeira de um país onde o cinema, segundo ele mesmo, "praticamente não existe".

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