As várias faces de James Franco

Ator, apresentador do Oscar, diretor, artista, escritor, futuro PhD: tudo isso e mais

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

James Franco é um astro em ascensão em Hollywood. Indicado ao Oscar 2011 por "127 Horas" , ele ainda vai apresentar a cerimônia ao lado de Anne Hathaway, honra concedida a poucos ao longo dos mais de 80 anos da premiação, e corre o risco de receber a estatueta sem precisar subir ao palco. O que pouca gente sabe, no entanto, é que a carreira de ator é apenas uma das facetas desse californiano de 32 anos. Artista plástico, pintor, diretor, roteirista, produtor, escritor, acadêmico, futuro PhD – um currículo complexo.

Franco nasceu na cidade de Palo Alto em 1978, filho de uma autora infantil e de um executivo do Vale do Silício. Prodígio da matemática, na adolescência foi preso mais de uma vez por bebida, furto e pichação. Canalizou sua rebeldia para as artes, o que fez com que ele deixasse a universidade ainda no primeiro ano, para desgosto dos pais e dos amigos, e tivesse aulas de atuação. "Todos me olhavam com pena achando que eu tinha feito uma péssima escolha", disse certa vez ao jornal “Chicago Sun-Times”.

Depois de pequenos trabalhos na televisão, a grande chance veio na série "Freaks & Geeks" (1999), que, apesar da vida curta, ganhou status de cult, apresentou ao mundo Seth Rogen e foi um dos primeiros trabalhos de Judd Appatow – o novo midas da comédia nos Estados Unidos ("O Virgem de 40 Anos", "Ligeiramente Grávidos") – na direção. A estreia de Franco no cinema veio no mesmo ano, em um papel secundário na comédia "Nunca Fui Beijada", com Drew Barrymore.

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Franco segura o Globo de Ouro de melhor ator em 2002, pelo telefilme "James Dean"
Em 2000, protagonizou seu primeiro filme, "Correndo Atrás", uma comédia romântica (mais comédia) baseada na história de Cyrano de Bergerac, que lhe rendeu uma indicação ao adolescente Teen Choice Awards. Depois disso, teve seu primeiro papel de destaque: o telefilme "James Dean" (2001), da TNT, em que interpretava o astro hollywoodiano. Franco mergulhou no papel: aprendeu a tocar violão, a andar de bicicleta e, de não-fumante, passou a consumir dois maços de cigarro por dia. O trabalho foi reconhecido em 2002 com um Globo de Ouro, batendo gente de peso como Ben Kingsley e Kenneth Branagh.

O salto para o estrelato foi a trilogia "Homem-Aranha" (2002-2007), em que interpretava o amigo de Peter Parker (Tobey Maguire), Harry Osborn, filho do Duende Verde e posteriormente o próprio vilão. Os três filmes arrecadaram mais de US$ 1 bilhão só nos Estados Unidos. Enquanto isso, viveu o filho drogado de Robert De Niro em "O Último Suspeito" (2002), o interesse amoroso de Neve Campbell em "De Corpo e Alma (2003), de Robert Altman, e, veja só, um michê no desconhecido "Sonny", único filme até hoje dirigido por Nicolas Cage.

A partir daí, viveu uma dicotomia interessante. Foi para trás das câmeras e, em 2005, protagonizou e dirigiu dois longas, "Fool's Gold", inédito em circuito comercial, e o bizarríssimo "Eu, Eu Mesmo e o Macaco" ("The Ape", disponível em DVD no Brasil), sobre um escritor iniciante que surta e é auxiliado por um macaco gordo e desbocado. Ele voltou a sentar na cadeira de diretor dois anos depois com "Good Time Max", que conta a história de dois irmãos bastante diferentes. Em uma das cenas, o personagem de Franco defeca no capacho do irmão. Os três filmes foram escritos em parceria com Merriwether Williams, um dos roteiristas do desenho "Bob Esponja", o que explica, em parte, o caráter inusitado das histórias.

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O ator foi flagrado dormindo na universidade: noites em claro, cochilos durante o dia
Nessas alturas, nem tudo andava bem para Franco. Além de seus filmes como diretor não terem recebido muito reconhecimento, suas escolhas em Hollywood não foram das melhores. "Tristão & Isolda", "Flyboys" e "Annapolis", todos projetos de grande orçamento, foram fracassos de bilheteria e crítica em 2006. O que não significa que o ator não tenha se dedicado: treinou boxe durante oito meses para "Annapolis", aprendeu a lutar esgrima e a cavalgar para "Tristão" e tirou brevê de piloto por conta de "Flyboys". Enquanto devorava Dostoiésvki e Proust no intervalo das gravações, sentia falta de alguma coisa.

Por isso, dez anos depois de abandonar a universidade, resolveu voltar, e com força total – matriculou-se em mais disciplinas do que era permitido pela UCLA, mesmo dividindo seu tempo com os compromissos de ator. Enquanto filmava "Milk - A Voz da Igualdade" (2008), ouvia à noite as aulas em seu trailer. Formou-se em tempo recorde em língua inglesa (dois anos) e escreveu um romance como trabalho de conclusão.

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O ator raspa as axilas em foto para publicidade
Eleito um dos homens mais sexies do mundo pela revista “People” no mesmo período, o garoto-propaganda da Gucci se mudou para Nova York para frequentar, ao mesmo tempo, cinco cursos: mestrado em literatura na Columbia University, cinema na New York University, ficção no Brooklyn College, poesia no Warren Wilson College e desenho na Rhode Island School of Design.

Como fazer isso? Professores, colegas e a mãe de Franco o descrevem quase como um super-humano, capaz de estudar várias coisas ao mesmo tempo e mudar o foco de raciocínio rapidamente. Não bebe nem fuma. Ele também diz que “dormir é perda de tempo”: descansa de três a quatro horas por noite e tira pequenos cochilos ao longo do dia. Nesse intervalo, lê, escreve, atua e produz vorazmente.

Nos últimos anos, interpretou um maconheiro em "Segurando as Pontas" (2008), quando voltou a encontrar Seth Rogen; o poeta beatnik Allen Ginsberg em "Howl"; o namorado mais jovem de Julia Roberts em "Comer, Rezar, Amar"; e o alpinista em apuros de "127 Horas". Além disso, fez uma participação especial na novela "General Hospital", um dos programas mais antigos da tevê norte-americana, experiência que, segundo ele explicou num artigo no “Wall Street Journal”, era uma performance artística para as pessoas questionarem a “proximidade do entretenimento da vida real”.

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O ator veste um pênis de plástico no rosto em vídeo que integra exposição em Berlim
As filmagens de "127 Horas" se estendiam ao longo de seis dias da semana. No sétimo, Franco pegava o avião para frequentar as aulas do pós-doutorado em língua inglesa na Yale University. E não é só isso. Recentemente, publicou o livro de contos "Palo Alto", bem recebido por publicações especializadas; dirigiu um documentário sobre os bastidores do programa "Saturday Night Live" e estreou uma exposição de vídeos e instalações avant-garde em duas galerias de arte de Berlim. Tem ainda ao menos dois projetos engatilhados como diretor, em meio a muitos boatos: "The Night Stalker", sobre o assassino em série Richard Ramirez, e a adaptação do romance "Enquanto Agonizo", de William Faulkner.

Isso sem contar seus próximos filmes como ator: a comédia medieval "Your Highness", ao lado de Natalie Portman, e "Rise of the Apes", que não, não é uma sequência de sua estreia como diretor, mas um retorno ao universo de "O Planeta dos Macacos". As novidades são tantas que é difícil seguir o ritmo de James Franco. Para ele, ao menos, parece ser fácil demais.

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