A receita de "O Discurso do Rei" para levar o Oscar 2011

Veja cinco razões que fazem do filme britânico o favorito na premiação

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

No fim de 2010, "A Rede Social" era considerado o favorito para o Oscar 2011 – aclamado pela imprensa, havia ganhado virtualmente todas as premiações da crítica. A consagração, imaginava-se, estava próxima. Em janeiro, os ventos começaram a soprar para os lados de "O Discurso do Rei" e de lá não saíram mais. A produção britânica com 12 indicações lidera com folga as apostas e deve levar para casa os prêmios principais da Academia de Hollywood, inclusive melhor filme. O iG listou cinco motivos pelos quais "O Discurso do Rei" tem cara de “filme de Oscar” e pode sair laureado.

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Christoph Waltz, lembrado por "Bastardos Inglórios"
Luta contra os nazistas
Indicado no ano passado, "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino, personifica ao máximo a paixão dos membros da Academia por produções que retratam a luta contra os nazistas e a resistência ao eixo na Segunda Guerra Mundial. De "Casablanca" (1944) a obras mais recentes, como "A Lista de Schindler" (1994) e "O Pianista" (2002), é longa a lista de filmes que triunfaram ou ao menos não saíram de mãos vazias da premiação. O rei George 6º de "O Discurso do Rei" precisa superar a gagueira justamente para liderar o povo britânico contra o nazismo na guerra. Sabe-se que a história não foi bem assim, mas a campanha para boicotar o filme parece não estar tendo muito efeito.

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Cuba Gooding Jr em "Jerry Maguire"
Coadjuvante que rouba a cena
Pode notar: uma boa parte das produções premiadas com o Oscar de melhor filme tem por trás não só bons nomes no elenco principal, mas outros ainda melhores em papéis coadjuvantes. "Shakespeare Apaixonado", "O Paciente Inglês", "Kramer vs Kramer", "O Poderoso Chefão 2", "A Malvada", "Onde os Fracos Não Têm Vez" – todos ganharam o prêmio principal e também o Oscar de ator ou atriz coadjuvante. Se for um papel com alívio cômico, então, como "Jerry Maguire" ( Cuba Gooding Jr. ) e "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas" (Estelle Parsons), os atores saíram consagrados, enquanto o filme, não. Em "O Discurso do Rei", Geoffrey Rush pode voltar a fazer história, conquistando a estatueta e ainda ajudando o filme a levar o Oscar.

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Tom Hanks em "Forrest Gump": superação
Filme edificante
É verdade que nos últimos anos o Oscar tem surpreendido ao premiar longas considerados difíceis ou pessimistas ("Guerra ao Terror", "Onde os Fracos Não Têm Vez"), mas a tradição segue um caminho bem diferente. Ao longo de sua história, a festa foi marcada por dar o troféu de melhor filme a histórias heroicas ou de superação. Exemplos não faltam – "Quem Quer Ser Um Milionário?", em 2009, é o mais recente. Há épicos ("Coração Valente", "Gladiador"), filmes de esporte ("Rocky”, "Menina de Ouro"), faroestes ("Os Imperdoáveis") e cidadãos comuns ("Forrest Gump"). "O Discurso do Rei" conta como o príncipe Albert passou de um aristocrata inseguro e gago para um monarca firme no trono britânico. Assim como as plateias ao redor do mundo, os membros da Academia devem ter adorado.

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Helen Mirren, vencedora por "A Rainha" (2006)
Monarquia britânica
Hollywood e a Academia mantêm ao longo das décadas uma fascinação pela coroa britânica. Dezenas de filmes sobre a história do Reino Unido chegaram perto do triunfo, como "A Rainha" (2006), embora na maior parte das vezes os reconhecidos sejam os atores, como a própria Helen Mirren, no papel de Elizabeth 2ª. Charles Laughton viveu a glória em "Os Amores de Henrique 8º" (1933) e Judi Dench em "Shakespeare Apaixonado" (1998). Richard Burton, Robert Shaw, Kenneth Branagh e Cate Blanchett foram outros honrados ao menos com uma indicação. Colin Firth é o próximo na fila. Quanto ao prêmio máximo, desta vez "O Discurso do Rei" pode compensar pelo passado.

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Elenco de "O Discurso do Rei" no SAG Awards
Sindicatos de classe
Ao longo de sua história, se convencionou afirmar que o Globo de Ouro, por acontecer um pouco mais de um mês antes do Oscar, era a principal prévia da cerimônia. De fato, as vitórias eventualmente coincidiam, mas o perfil distinto dos votantes – jornalistas no Globo, profissionais da indústria no Oscar – selou destinos não raro conflitantes. Por isso, os prêmios dos sindicatos de classe – diretores, produtores, roteiristas, diretores de fotografia, de arte e assim por diante –, anunciados antes do Oscar, se tornaram termômetros mais confiáveis, justamente por serem escolhidos pelas mesmas pessoas que votam na Academia de Hollywood. "O Discurso do Rei" já foi reconhecido pelo sindicato dos Produtores , dos Atores e dos Diretores , o que pavimenta seu caminho ao Oscar. No caso do sindicato dos diretores, por exemplo, desde a década de 1940 em apenas seis ocasiões o vencedor não levou também o Oscar para casa.

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