Orçamento escasso detona campanha do PSOL-MS ao Senado

Único candidato da legenda, Jorge Batista alegou `problemas familiares¿ para desistir, mas ele pode ter antecipado sua cassação

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

A campanha do PSOL em Mato Grosso do Sul ‘encolheu’ ainda mais.

O único candidato do partido ao Senado, Jorge Batista anunciou na semana passada a decisão de desistir da campanha.

A princípio, o motivo alegado é que a legenda enfrenta sérias dificuldades financeiras para tocar a campanha do candidato e dos demais, pois seu orçamento hoje não passa de R$ 250 mil.

Mas existem outras motivações não financeiras para a decisão.

Batista desistiu porque está sendo acusado de infidelidade partidária pelo PSOL e corre o risco de ter a candidatura cassada pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul).

Antes de Batista, o suplente Ubiracy dos Santos (o Bira), também havia desistido de concorrer.

O presidente regional do PSOL Lucien Roberto Rezende afirmou que “Jorge vem praticando infidelidade partidária, já que anda com carros cobertos com adesivos do candidato à reeleição também ao Senado Delcídio do Amaral (PT)”.

Segundo ele, “é proibido internamente a Jorge pedir voto para outro senador”.  O TRE local deu prazo de dez dias para o partido indicar um novo nome. No entanto, Lucien adiantou que “isso não será feito”.

“O Ubiracy mesmo tirou fotos do carro dele coberto com adesivos do Delcídio e do Zeca. P protocolamos no TRE-MS o pedido de exclusão por infidelidade partidária. Vamos, agora, esperar o que o juiz irá decidir”, conta Lucien.

Em contrapartida, Jorge Batista acusa Lucien e Nei Braga, candidato ao governo de MS, de “se vender” para a coligação encabeçada pelo candidato à reeleição ao governo, André Puccinelli (PMDB), a “Amor, Trabalho e Fé”.

“Eles estão se vendendo para o PSDB, PMDB e para o DEM. Agora, vou esperar o juiz”, acusa Batista.

“Sabemos em quem votar, mas em qual candidato da outra chapa votaremos? O partido ainda não decidiu”, conta Nei Braga, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul.

Braga se referiu aos candidatos da coligação Amor, Trabalho, encabeçada por André Puccinelli (PMDB) e Fé e a Força do Povo, dirigida por Zeca do PT, ambos candidatos ao governo de MS.

“O único candidato que temos uma posição definida é o Delcídio que aparece nas pesquisas com mais de 64% de aprovação. Não podemos negar a boa qualidade profissional do senador que tenta a reeleição”, conta Nei Braga.

Quanto ao eventual apoio a candidatos ao Senado de outras legendas, o candidato do PSOL ao governo previu que essa definição deverá sair “após uma reunião com correligionários do PSOL, na qual vamos decidir a melhor opção para o partido”.

Sobre a possibilidade de dividir cadeiras nas Secretarias de Mato Grosso do Sul com o PMDB e o PT, Nei Braga revela que participa da eleição porque não concorda com nenhuma das alternativas para negociação de cargos no governo de MS.

“Não queremos negociar cargos no governo, mas certamente André e Zeca vão negociar vagas”, cutuca Nei Braga, referindo-se aos candidatos ao governo de MS, André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT.

Ameaça

Segundo Jorge Batista, no dia 26 de agosto, um motociclista armado parou em frente a sua residência e começou a tirar fotos, amedrontando sua família.

No pedido de renúncia de candidatura, Ubiracy dos Santos anexou fotos do carro de Jorge adesivado estacionado na casa.

Segundo Batista, o motociclista estaria ameaçando ele e a família e estaria, talvez, a mando dos diretores do PSOL – o que, segundo ele, poderia estar comprovado na inclusão das fotos no pedido de desistência de Bira.

O suposto fato, afirma Jorge, ocorrera no fim da tarde daquele dia em que ele distribuía santinhos no desfile cívico de aniversário de Campo Grande.

Nei Braga nega o suposto fato. Mas, diz ter conhecimento das acusações. “Isso é absurdo. Já ouvi isso e vamos entrar com BO [boletim de ocorrência] sobre isso. Isso é um absurdo. Isso é mentira”, comentou Nei.

Lucien diz desconhecer a acusação e destaca que quem fez as fotos foi o próprio Ubiracy, para comprovar que Jorge vem sendo infiel ao partido e deve ser expulso do PSOL.

“Acabando as eleições, o partido julga e ele deve ser expulso. É uma pessoa que desagrega. Ele diz que a gente está no bolso do André. Se estivéssemos, não estaríamos fazendo vaquinha para fazer santinho. Ele é que fica andando com o carro do Delcídio. Isso é completamente contra o PSOL”, destaca Lucien.
“O PSOL não se coligou com ninguém e se coligasse, não seria com o PT. O PSOL nasceu de dissidentes expulsos do PT. Seria um absurdo se coligar com o PT”, finaliza o presidente do PSOL.

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