Oposição ironiza Berlusconi por medidas contra prostituição

Decreto autoriza deportação de ciganos e imigrantes que se prostituam nas ruas

Reuters |

AFP
Silvio Berlusconi durante entrevista nesta sexta
ROMA - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, divulgou na sexta-feira medidas contra imigrantes e prostitutas, o que motivou ironias da oposição, que exige sua renúncia por causa de um escândalo envolvendo a presença de meninas adolescentes na sua mansão.

Um decreto aprovado pelo gabinete autoriza as autoridades a deportar cidadãos de outros países da União Europeia se em 90 dias eles não comprovarem certas condições, como renda adequada e endereço fixo.

A medida deve intensificar a repressão aos ciganos e sua deportação para países do Leste Europeu, especialmente a Romênia, motivo de queixas de entidades de direitos humanos.

O decreto também autoriza a polícia a expulsar qualquer imigrante que se prostitua nas ruas, mas não afeta profissionais do sexo que atuem em locais fechados.

"Dê um tempo!", disse o deputado Leoluca Orlando, do partido oposicionista Valores, para quem a vida particular de Berlusconi o deixou "esvaziado de quaisquer qualificações morais ou credibilidade" para aprovar uma lei dessas.

Recentemente, uma stripper marroquina chamada Ruby disse que, quando ainda tinha 17 anos, recebeu 7.000 euros para participar de uma festa na mansão de Berlusconi, perto de Milão.

Ela negou ter feito sexo com o primeiro-ministro, e afirmou ter dito a ele que tinha 24 anos.

Além disso, a imprensa noticiou que Berlusconi telefonou para uma delegacia de Milão pedindo a libertação de Ruby quando ela foi detida por causa de um pequeno furto.

Angelo Bonelli, parlamentar do Partido Verde, disse que o governo conservador está usando as medidas contra os imigrantes como "uma cortina de fumaça para desviar a atenção da vergonha que recobre Berlusconi atualmente".

O primeiro-ministro admite ter feito o telefonema para a delegacia, mas disse que estava só tentando oferecer uma assistência normal a uma pessoa de origem humilde. Ele negou ter usado sua influência de maneira imprópria para pressionar a polícia.

No ano passado, a esposa de Berlusconi pediu divórcio acusando-o de ter tido romances com menores de idade.

O primeiro-ministro minimiza o caso, e causou ainda mais indignação da oposição ao dizer dias atrás que "é melhor gostar de meninas bonitas do que ser gay".

O primeiro-ministro tem mandato até 2013, mas recentemente perdeu o apoio de uma importante facção parlamentar liderada por seu ex-aliado Gianfranco Fini, o que pode obrigá-lo a antecipar as eleições.

(Por Catherine Hornby - Reportagem adicional de Giuseppe Fonte)

    Leia tudo sobre: Itáliasilvio berlusconi

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG