05/11 -
20:51
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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, não mostra sinal de preocupação com a pressão para que responda às potências sobre a proposta por meio da qual não teria condições de produzir uma bomba nuclear no país em um tempo previsível. Nem se deixou impressionar pela captura, nesta quarta-feira, de um navio transportando vasta quantidade de armas do Irã, que Israel afirma serem arsenais sírios e do Hezbollah, a organização xiita libanesa.
Por incrível que pareça, o presidente iraniano recebeu uma carta de Barack Obama, presidente dos EUA, na data em que 4 de novembro, dia em que o Irã relembra o ano de 1979, quando começou a tomada do poder pela revolução islâmica, e também em que a embaixada dos Estados Unidos foi invadida por estudantes que fizeram reféns diversos funcionários americanos.
A carta do presidente americano, que exerce mais pressão pela transparência do programa nuclear iraniano, fala da expectativa de futura normalização das relações entre os países. É a tática de Obama para resolver questões internacionais por meio da diplomacia, que até o momento não mostrou resultado.
Mas, mais importante ainda, foi o encontro de Ahmadinejad com o ministro sírio. O líder iraniano declarou ao Ministro do Exterior, Walid Mualem, que as condições no Oriente Médio estariam mudando em favor de seus países.
“Considerando que as condições na região estão mudando em favor do Irã e Síria e as potências agressivas estão a caminho do declínio, os dois países devem se coordenar para tomarem grandes decisões”, disse Ahmadinejad. “Se a coordenação da política entre eles for bem realizada, outros países da região se reunirão a eles e um grande e insuperável poder surgirá no Oriente Medio”, acrescentou.
O ministro sírio respondeu que “as relações entre Irã e Síria são tão fortes que nenhum país ou força poderia separá-los”.
Muslen manteve encontro com o negociador do Irã para questões nucleares. “Somos os engenheiros de novo Oriente Médio. E não precisamos de instruções de países que não fazem parte da região”, disse ele.
A Síria e o Irã são aliados íntimos e têm interesses comuns. Para eles Israel é o inimigo. Uma agência de notícias iraniana informa que o país apoia o Líbano e o Hezbollah, ambos xiitas, no conflito com Israel. O Irã investe e implementa vários projetos econômicos na Síria, que acolhe um intenso turismo iraniano. Qual nível de potência os dois países pretendem construir no Oriente Médio? Para que? Especular é simples. Querem um Oriente Médio Islâmico, sem ser conspurcado por nao-crentes. O único país não muçulmano é Israel.
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