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A paciência estratégica de Hillary

31/10 - 22:58 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

TEL AVIV - Antes de se fechar em reunião com o chefe de governo de Israel, Hillary Clinton e Bibi Netanyahu abriram curioso precedente. Concederam uma entrevista coletiva antes de conversar, como se soubessem antecipadamente o que iriam decidir.

Nunca aprendi a escrever sobre elegância femina. Mas não posso evitar de destacar que a da secretaria de Estado americano é invejável. É uma linda mulher. Cada frase que diz é uma confirmação de sua inteligência e charme difíceis de resistir. Cunhou na hora, respondendo às perguntas da mídia, que "o presidente e eu temos paciência estratégica". Esta nunca tinha ouvido antes: paciência estratégica e autocontrole para jamais esquecer que o objetivo é de convencer interlocutores, público e mídia.

Os colegas americanos e europeus tentaram forçá-la a manifestar decepção com os resultados de suas conversas com Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina, que surpreendeu não só a ela como a todos que acompanham o conflito quando declarou que não aceita negociar com Bibi sem prévio compromisso dos israelenses para suspender suas atividades de construção até nos centros urbanos judeus já implantados na Cisjordânia. E exige que sejam suspensos todos os planos e iniciativas israelenses em Jerusalém oriental, conquistada na guerra de 1967 – ou reconquistada como afirmam judeus.

Ela foi a Abu Dhabi com as esperanças de convencer Abu Mazen a retomar negociações de paz com Israel. Obama imaginou que enviando a secretária de Estado seria bem-sucedida onde seus enviados especiais nada conseguiam. Hillary não superou a teima de Abu Mazen, que provavelmente endureceu posição, pois o Hamas, a Frente Islâmica de Resistência, avança na opinião pública palestina. São inimigos. Hillary saiu de mãos vazias. Mas, pela paciência estratégica enfatizou que os lados sempre colocam posições que são as bases para negociar.
Bibi Netanyahu qualificou as demandas de Abu Mazen como coisa nova. Ele está pronto a retomar negociações sem precondições para se chegar à solução de dois Estados, um árabe e outro judeu, lada a lado e em convivência pacifica. Estado judeu o qual pais árabe algum reconhece em Israel, imaginando talvez que, como um estado como qualquer outro será possível assumi-lo no tempo pelo voto. Nem Abu Mazen do Fatah, nem o Hamas, nem o Hizbolá, aceitam seja estado judeu.

Ai perguntou-se a Hillary sobre Afeganistão, de onde Hillary disse ter voltado convencida de que haverá nova eleição com dois candidatos --e já existem dúvidas. Mais fortes foram as perguntas sobre Irã, que ainda não deixou bastante clara sua posição face à proposta apoiada pelos cinco países membros do Conselho de Segurança com poder de veto e Alemanha, os chamados cinco mais um. Disse ela que estavam unidos na determinação de impedir o Irã de ter sua bomba. E aí disse "que temos negociado, mas paciência tem limites".

Depois de conversar com Bibi, ela viaja para o Marrocos onde terá uma reunião com as lideranças do mundo árabe para saber ate aonde cooperarão para a solução do conflito israelense - palestino e a solução da questão do Irã cuja possível ascensão à potência nuclear é encarada como grave problema. Além de tudo, o Irã é xiita, enquanto a maioria dos árabes é sunita. É só acompanhar o noticiário para se verificar nas matanças como são incompatíveis. E como esse mundo médio oriental é complexo demais para a compreensão dos estrangeiros, principalmente os sem origem islâmica.





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