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Cinquenta e seis países muçulmanos versus Israel

26/10 - 23:58 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

TEL AVIV -  A Organização da Conferencia Islâmica de 56 países muçulmanos com sede na Arábia Saudita promete reunião em Jeda, talvez no próximo fim de semana, para discutir o que chama de ação  de Israel. O ministro da Informação (comunicação social da Jordania), um dos dois países árabes com acordo de paz com Israel, o outro sendo o Egito, Nabi Sharif, diz que o que acontece é ilegal e "criará mais violência".

O governo sírio, acusa Israel de "dessecrar a sagrada mesquita e elogiou aqueles que a defenderam. Invadir a mesquita proibindo acesso  a ela foi ato de Israel para judaisar Jerusalem”, divulgou a agência  oficial de notícias de Damasco, SANA, e demolir o templo.

Outras  notas  circularam. Mahmoud Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina, instituição criada para servir de autoridade central interina até se firmar a paz e proclamar o estado palestino independente, insiste que Israel "corre o risco de atravessar a linha vermelha" que significa precipitar uma guerra. Abu Mazen é lider da Frente Palestina de Libertação Nacional, Fatah, secular, que  reconhece o direito de Israel a existir. Está rompida com a Frente Palestina de Resistência Islâmica, Hamas, que domina em Gaza e não  aceita a existencia do estado judeu com o qual está em estado permanente de guerra. O líder político do Hamas, Khaled Mashal, que vive exilado na capital síria, declara : "que o destino de Jerusalem será determinado pela força, nunca por nergociação". Acusa "que os israelenses querem dividir a mesquita e não é tudo, querem realizar cerimonias religiosas na área em preparação para a sua demolição e construirem no local o Templo, referência ao templo de Salomão de milhares de anos. 

Circulou que grupo de fundamentalistas judeus da ultradireita, pretendia entrar na mesquita a força. Os rabinos ortodoxos logo recordaram que  judeus estão proibidos de pisar na área. Só poderão fazê-lo quando vier o Messias que aguardam há milhares de anos e purificaria  o local.

Na colina do Templo foram construidos o primeiro Templo pelo rei Salomão para ser a Casa de Deus, o local onde seriam preservadas para a eternidade as rochas que Moisés trouxera do monte Sinai, os andamentos. O de Salomão foi destruido numa das muitas invasões de Jerusalem. Ezra e Nahmias reconstruiram – no liderando judeus de retorno do exílio na Babilonia. Também destruído. O Terceiro, magnfico segundo tradição, foi construído por Herodes e destruido quando legiões romanas lideradas por Tito (em Roma o Arco de Tito  comemora tal feito) ocuparam e arrasaram Jerusalem construindo no local Aelia Capitulina, uma nova cidade que desapareceu no tempo e  renasceu Jerusalem.

Os muçulmanos chamam a  Colina do Templo de Sagrada Magnifica Esplanada, pois na sua tradição foi donde Maomé ascendeu a Alá, Deus, de quem começou a receber a revelação do Corão, o livro sagrado do Islã, processo completado ao fim de 25 anos. E al Aksa, a  mesquita mais distante de Meca na época, terceiro lugar mais sagrado  do Islã, foi  ocupado em 1.099  por Cruzada que a transformou em Igreja cristã até ser reconquistada por Saladino, grande general e líder  muçulmano. Na Esplanada, mais tarde construi-se a mesquita de Omar, a da rocha e cúpula de ouro. A rocha seria aquela na qual Abraão,  patriarca de monoteismo, pretenderia oferecer seu primogênito em sacrifício a Deus para demonstrar seu amor. Isaque, dizem os judeus, Ismael, afirmam os muçulmanos. Veio o anjo e determinou o sacrifício de um cordeiro, e nasceu a expressao o cordeiro de Deus.

Por um desses azares, ou sorte de jornalista, estava perto quando vi subir um grupo de turistas que me disseram serem franceses. Pouco depois subia a polícia. Os turistas teriam sido confundidos com judeus que subiam para rezar em local a eles proibido pelos muçulmanos. Os turistas foram retirados sob proteção policial e chuva de pedras.

Além de desejos anunciados por pequeno grupo de ultra-direitistas judeus, nada ouvi de fonte alguma sobre pretensão israelense de invadir o al Aksa. O estado judeu tem os maiores cuidados no que se relaciona aos lugares santos de todas as fés que se concentram na parte murada da cidade. Não quer desagradar a nenhma. Aqui era adido a embaixada do Brasil quando Jerusalem foi conquistada em 1967. Não  vejo atitude alguma que me convença do contrario. Seria burrice fatal. 

Todo o israelense conhece o significado de el Aksa para o bilhão e meio de muçulmanos. Existem, sim, grupos que desejariam provocar uma inflagração maior. O pequeno grupo de judeus fanáticos confiantes que estão protegidos por Deus. Grupos muçulmanos que não duvidam possam se impor decisivamente aos judeus. E o que acontece é oportunidade para ações de propaganda ou de outros tipos contra Israel. Os exageros agitam a massa muçulmana cujos sentimentos anti-israelenses são muito intensos. Obriga governos árabes a satisfazê-la com seus protestos.

A tranquilidade nas fronteiras interna  e externas de Israel está sempre  por um fio. Ou dependendendo, como agora, do que se decidirá no  caso do  Irã. Um fio que se pode romper de um momento para o outro.  Como tantas vezes aconteceu.





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