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20:18
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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Os cinco membros do Conselho de Segurança com direito a veto – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino - esperam convencer o Irã a desistir de ter a bomba atômica. Não há otimismo.
A questão nuclear entre Estados Unidos e Irã existe há 50 anos, como, aliás, bem lembrou a Rádio Pública americana (www.npr.org). Em 1957, sob o programa “U.S.Atoms for Peace”, os americanos assinaram com o xá da Persia, então aliado, um acordo cedendo alguns quilos de urânio enriquecido e o compromisso de uso pacifico para produzir energia elétrica.
Em 1959, o xá (rei) da Pérsia determinou a instituição de um centro de pesquisas na Universidade de Teerã. Em 1968 o Irã foi dos primeiros a subscrever o Tratado Internacional de Não Proliferação Nuclear. Em 1974 os Estados Unidos e o Irã chegam a acordo provisório pelo qual os americanos se comprometem a ceder duas usinas e combustível nuclear para ambas. O Irã procura obter combustível da África do Sul e da Alemanha.
Em 1975 o xá diz que só considerará armas nucleares se outros pequenos países fizerem o mesmo. Em fins da década, os americanos obtêm informações indicando que o xá instituiu um programa clandestino de desenvolvimento de tecnologia nuclear.
Em 1978, o então presidente americano Jimmy Carter e o xá concordam em um plano pelo qual, se autorizado pelo Congresso, oito reatores de água seriam vendidos a Teerã. Em 1979 a Revolução Islâmica toma o poder e o xá vai para o exílio. Feeydun Feesaraki, cientista iraniano, recebe a ordem do Aiatolá Kumeini, o novo líder: “É seu dever construir a arma nuclear para a Revolução Islâmica”.
Em 1981 Reza Amrollahi, diretor da Agência de Energia Atomica do Irã, anuncia a descoberta de quatro gigantescos depósitos de urânio no país. Em 1984 o Irã, com ajuda da China, abre um centro de pesquisas nucleares em Isfahan. Circula que cientistas do Paquistão e da China assistem o Irã na obtenção e processamento de urânio enriquecido.
Em 1985, os ministros do Exterior de Irã, Síria e Líbia declaram que seus países deverão desenvolver armas atômicas para enfrentar Israel. Em 1985/86, Estados Unidos e Irã firmam entendimento nunca satisfatoriamente explicado pelo qual em troca do fornecimento de armas convencionais o Irã ajudaria os americanos no combate aos comunistas da Nicarágua.
Em 1980 a 1990, Irã e Coreia do Norte cooperam em questões nucleares. Em 1995 o governo do presidente Clinton impõe sanções e proíbe empresas americanas e suas subsidiárias no exterior a fazerem qualquer negócio com o Irã.
Em 1998, Khstami, novo presidente do Irã, propõe “dialogo entre civilizações”, indicando possibilidade de entendimento com o Estados Unidos, com os quais há muito estavam rompidos. Em 2002, o presidente Bush qualifica Iraque, Coreia do Norte e Irã como o “eixo do mal”.
Em 2003 o governo Katami, do Irã, concorda com a Agência Internacional de Energia Atômica em suspender seu trabalho na área nuclear e se submeter à fiscalização. Em 2005 sobe ao poder Mahmoud Ahmadinejad, um linha dura. A Comunidade Internacional suspeita.
Em 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas impõe sanções ao Irã, que se tornaram mais rigorosas em 2007 e 2008. São imensas as dúvidas sobre as negativas do Irã de que o país não trabalha na produção de sua bomba.
Em 2007 os serviços de inteligência americanos emitem comunicado de que o Irã suspendera suas atividades nucleares no período Katami, em 2003. Em 2008 especula-se que Israel pode realizar ataque aos centros nucleares iranianos. O país não confia na informação americana.
Em fevereiro de 2009, a Agência Internacional de Energia Atômica informa que o Irã enriqueceu um terço mais de urânio do que informou. Em abril, Obama anunciou que seu país participará de um diálogo com o Irã sobre o programa nuclear do país. O objetivo é fazer o Irã mudar.
Em maio o Irã testa míssil que pode alcançar Israel e bases americanas no Golfo Pérsico. Em agosto o Irã diz que permitirá inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica.
Nas semana passada, o Irã admitiu ter escondido do mundo um segundo centro onde realiza enriquecimento de urânio. No fim de semana. testou mísseis de médio e longo alcance às vésperas de reunião com os seis grandes países, que ameaçam com mais sanções.
Parece existir consenso de que a reação se limitará a sanções. Os seis países indicam tendência a se conformarem com o fato de que o Irã terá sua bomba. E em tal hipótese haveria a repetição do que aconteceu no período da Guerra Fria, quando americanos e soviéticos mantiveram uma convivência chamada de “equilíbrio do terror”, pelo qual, tacitamente, concordaram que um não atacaria o outro, pois seria mútua destruição.
Mas a diferença está no fato de que o território de Israel equivale a menos de 2% do território iraniano. A população israelense representa menos de 10% da iraniana.
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