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Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
O mínimo que se pode dizer da reação do governo iraniano aos protestos de seu povo, que convenceu os americanos e aliados de que com os aiatolás não há conversa possível. E Teerã tem até a próxima Assembléia Geral das Nações Unidas para responder positivamente às sugestões de suspender sua suposta intenção de produzir a bomba.
Não é exagero dizer que se o país obtiver a bomba será uma ameaça internacional. Será o maior poder no Oriente Médio podendo determinar as decisões quanto a preços de petróleo. Controlando de fato o estreito de Ormuz, ameaçará a liberdade de passagem das cargas de petroleiros que chegam de países árabes produtores.
São duas possibilidades que poderão forçar uma solução pela força. Seria uma guerra que desequilibraria os países dependentes de exportações como toda a Europa, Japão, China e Estados Unidos.
Outra possibilidade o ódio do governo dos aiatolás resultem em uma tentativa de exterminar Israel. Ou que Israel se convença de que tentarão. Em ambos os casos existe a hipótese de conflito militar. Há uma terceira ameaça da qual pouco falam as democracias. A vocação expansionista dos setores fundamentalistas do Islã que entendem sua obrigação de evitar que a fé seja profanada pela expansão dos limites da moral promovida pelo ocidente. É preciso converter o infiel para salvá-lo. Está escrito.
A brutalidade do regime na reação às manifestações de protesto do povo, e que não foram totalmente mostradas ao mundo devido à rigorosa censura imposta à mídia, revelaram o significado da ditadura xiita.
Missões americanas que vieram a Israel na última semana informaram qual será a resposta ocidental se o Irã não concordar com o convite de Obama de trocar ameaças pelo diálogo. James Jones do Conselho de Segurança Nacional assegurou que haverá uma coalizão internacional de países para a imposição de pesadas sanções. Até lá nada se faria de concreto. Seria mantida a opção diplomática até finais de setembro.
Se as sanções forem aplicadas, a mais dolorosa seria reduzir drasticamente as fontes iranianas de derivados de petróleo. O Irã é um dos grandes produtores do material bruto, mas sua capacidade de refino é pouca. Depende de importações da gasolina e refinados em geral. O país pode ficar imobilizado por falta de combustível. O plano americano inclui sanções financeiras tais como proibir o seguro dos importados, inviabilizando compras.
Em etapas posteriores, seria proibido o abraçamento dos navios mercantes iranianos. Depois, haveria a proibição de pouso nos aeroportos das nações coligadas. Essas barreiras poderiam imobilizar o comércio externo do país.
Apenas os chineses resistem a hipótese de novas sanções. A China tem muitos interesses no Irã, inclusive como fonte do petróleo bruto. Mas a opção pelos meios não militares é a única que impedirá o uso do último recurso.
Israel, país que por sua extensão e população, equivalente a um Sergipe em relação à Índia, poderia ser tragicamente afetado se o Irã e seus aliados regionais atacarem primeiro. Portanto, não deve aceitar tal risco.
A missão de altos funcionários americanos veio a Israel para convencê-lo a amenizar sua retórica. Ficar quieto em seu canto. Até fins de setembro, saber-se-á se é possível conversar com o Irã. Até lá que se conceda todo o espaço possível à diplomacia.
A Rússia e a China resistem ao plano americano. Não querem mais sanções. A coisa chegou a tal ponto que é o único jeito de se evitar o pior.
Obama prepara malas e argumentos para a viagem à China o que será logo. Ele tentará convencer os chineses a apoiá-lo. Como escrevi há dias, Obama reconheceu a China como nação indispensável na solução dos problemas atuais e na construção do novo mundo após a crise.
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